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  DOIS REAIS - O PREÇO DE UMA VIDA


O motorista Leonildo Bolzan não consegue esquecer o assalto de que foi vítima, no interior de Minas Gerais. Foi abordado na estrada, por um veículo que cortou a frente do seu caminhão e o obrigou a parar no acostamento. Os assaltantes tomaram retiraram Leonildo do caminhão e o levaram para o mato, onde foi mantido com o rosto para o chão de terra, em meio à vegetação. Por várias horas e com as mãos na nuca, Leonildo sofreu ameaças e pressões, até mesmo propostas para aderir ao crime. Enquanto aguarda a desova do caminhão, pelo restante da quadrilha, o bandido provocou o seguinte diálogo:

– Bandido: Quanto você ganha por viagem?
– Bolzan: Talvez mil ou menos, tem muita despesa, pedágio, sobra pouco...
– Bandido: Por que você não vem trabalhar com a gente? Pagamos mil por caminhão que você dirigir prá nós.
– Bolzan: Não, sou gente honesta, tenho família. Procurem outro.
– Bandido: Quanto tu pensa que vale a tua vida?
– Bolzan: Tenho família, acho que vale muito prá eles.
– Bandido :Não vale nada, vale dois reais que é o preço de uma bala.


Dito isto, o marginal atirou na nuca do motorista, que desmaiou ensangüentado. Horas depois, acordou assustado com a perda de sangue e percebeu que a bala tinha raspado a nuca. Devagar, temeroso da presença da quadrilha, não ouviu nenhum ruído, espiou na escuridão e logo alcançou a estrada. Pediu carona, ninguém parou até que um carro da Polícia passou e socorreu o motorista de São Marcos.

Resumo da história :Leonildo Bolzan desistiu de ser caminhoneiro e comemora duas datas de aniversário. A do seu nascimento, em 22 de fevereiro, e a da salvação, em 26 de março, em Minas Gerais. E reconhece com tristeza que “para os bandidos a vida de um caminhoneiro tem o valor de uma bala: dois reais”.

ESTE EPISÓDIO OCORREU EM 26 DE MARÇO DE 2002, ENTRE BELO HORIZONTE E SETE LAGOAS. BOLZAN TEM OUTRA PROFISSÃO E LAMENTA QUE A VIDA DE UM CAMINHONEIRO SEJA TÃO PERIGOSA.

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