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26/10/2009
- VOTO EM TRÂNSITO É UM BOM COMEÇO
O deputado Francisco Appio, na tribuna da sessão plenária da Assembleia Legislativa, no dia 20/10, abordou o “engodo” do voto
em trânsito, pois no formato atual, trata-se de apenas
“justificativa”. Pela primeira vez, permitiu-se votar nas
capitais, para os que se cadastraram com antecedência, e apenas
para presidente da república. “É um bom começo”, admite o
parlamentar.
Veja, a seguir, o discurso na íntegra.
FRANCISCO APPIO (20/10/2010) – “Esta deve ter sido a última
eleição para a Câmara dos Deputados, Senado e a Assembleia
Legislativa em que o voto em trânsito não passou de mera
justificativa, exceto para os que se cadastraram tempos atrás e
estavam em capitais onde puderam votar apenas para presidente no
primeiro turno. Tudo leva a crer que, com a introdução da
identificação por impressão digital, esse modelar sistema
eleitoral acolherá um grupo expressivo de excluídos do processo,
os eleitores em trânsito.
CAMINHONEIROS NÃO VOTARAM - Quem são eles? Os
representantes comerciais, muitos deles fora do Estado e de suas
regiões, e os caminhoneiros, em grande número – 75% dos
caminhoneiros não votam nas eleições. É um dado estatístico,
definitivo.
Srs. Deputados, 75% dos
caminhoneiros não votam nas eleições! Por isso mesmo, o setor é
carente de representação política. Aqui na Casa, vários deputados
identificam-se, trabalham e defendem as bandeiras desses
trabalhadores, mas o setor não conseguiu eleger, por exemplo,
Sérgio Gonçalves Neto, o extraordinário presidente do SETCERGS até
bem pouco tempo.
TRC FICOU DEVENDO - Do meio – opera no setor dos
transportes –, rubricou sua gestão de forma competente, tanto que
conseguiu, dentro desta Assembleia Legislativa, a simpatia e o
apoio de todos os parlamentares. Não havia um sequer que não
reconhecesse a importância do seu trabalho à frente daquele
sindicato, o maior sindicato de transportadores do Rio Grande do
Sul. Infelizmente, o Sérgio não conseguiu se eleger, e o setor
ficou devendo para o ex-presidente do sindicato uma grande
votação.
Repetiu o desempenho de
um presidente anterior, Paulo Caleffi, que já concorreu por Bento
Gonçalves e não conseguiu eleição aprovação na sua campanha.
O que significa? Que
leitura podemos fazer? É que, de fato, o caminhoneiro, apesar da
força que tem, não vota, não consegue expressar sua escolha porque
a lei não lhe faculta essa oportunidade.
O legislador não incluiu
aquele que está em trânsito e que não vota porque não pode, afinal
não há um só brasileiro que não queria votar no segundo turno das
eleições, como fizeram no primeiro turno. Razões imperiosas é que
o tiram da boca da urna.
Ora, se já podemos
processar nossas contas à distância, tirar extratos, fazer
transferências e saques, pergunto: que razão impede a
possibilidade de votar eletronicamente?
PROPOSTA RECUSADA - Tentei, Srs. Deputados, quando deputado
federal, apresentar um projeto nesse sentido para dar abrigo e
inclusão a esses caminhoneiros. Não fui bem sucedido em relação à
proposição, uma vez que a assessoria parlamentar do Tribunal
Superior Eleitoral, respondendo a consultas, disse que
tecnicamente não se poderia introduzir esse tema da inclusão do
voto em trânsito porque o País não estava aparelhado para
fiscalizar.
Pareceu-me descaso,
indiferença do Tribunal Superior Eleitoral. Já tínhamos as urnas
eletrônicas, e o País já era reconhecido por ter um sistema
confiável e à prova de fraudes. Não há prova de erros, pois erros,
falhas, ocorrem, mas a prova de fraudes. O TSE não aceitou debater
esse tema, e a proposição morreu na casca, como dizem os meus
conterrâneos.
Creio que virá logo, na
próxima eleição para as proporcionais, a introdução, sim, do voto
em trânsito. Isso daria oportunidade a uma quantidade enorme de
pessoas manifestarem seu desejo. O voto é obrigatório, mas em
todos nós há o sentimento de que temos o direito de expressar a
nossa vontade.
É difícil encontrar
pessoas dizendo que não vão votar por esse ou aquele motivo. Não,
elas querem votar; podem estar descontentes, desmotivadas, mas
expressam, sim, o voto de uma forma rápida e confiável.
É esse o pensamento que
trago para explicar algumas coisas que aconteceram nesta eleição.
Não em relação ao meu caso pessoal, que tem a ver com outras
questões.
A CONTA SALGADA - Sabia que custaria caro a minha posição à
testa da Frente Parlamentar contra a Prorrogação dos Contratos de
Pedágio. Isso nunca sai barato. Mantive uma posição que não era
intransigente, mas que era madura e que existia desde a
implantação do Programa Estadual de Concessões.
ADITIVO VIOLENTOU PROGRAMA ESTADUAL - Esse programa foi
desvirtuado, foi violentamente alterado no ano 2000. Por essa
razão, perdeu o sentido, e a sociedade perdeu o controle sobre
ele. É inaceitável, por exemplo – e esta é uma provocação que faço
aos deputados que aqui permanecem –, que a Agergs não tenha um
instrumento legal para punir concessionárias.
Não há uma lei de multas
para quem descumpre os contratos dessas concessões estaduais. É um
absurdo! Há um descontrole! É um descaso! Diria até uma
irresponsabilidade de todos nós, desta Casa, do Executivo e da
própria Agergs.
Mas é o quadro, é o
modelo que temos, o qual precisa ser repensado. Os contratos irão
até 2013, e, a partir daí, certamente haverá um novo modelo a ser
formatado com base nas experiências que tivemos ao longo desses
anos todos.
Sabemos onde estão os
focos de resistência: no preço, que é alto demais, e na falta de
controle da sociedade, de fiscalização do DAER, de regulação da
Agergs e de investimentos das concessionárias.
Aí residem os maiores
problemas, ao lado daquele que é o mais paroquial: o das cidades
sede. Os moradores das cidades sede sofrem duramente o castigo por
usarem pequenas distâncias e pagarem tarifa cheia.
PEDÁGIO, PARECE CASTIGO - Talvez seja a explicação para o
descontentamento que há, por exemplo, na cidade de Vacaria, onde
três praças estão localizadas praticamente no perímetro urbano.
Pagam 6 reais para sair e 6 reais para voltar, mesmo que a
distância seja de 10, 15 quilômetros. Essa é uma tributação com
cara de castigo, com cara de penalização. Obviamente que a lei
votada aqui abriu a oportunidade de negociar-se diretamente com a
iniciativa privada. E se faz isso, só que em benefício do andar de
cima. O andar de baixo não é contemplado com descontos, com
negociações.
É de se supor que no ano
que vem – e eu estarei empenhado, fora deste plenário, para que
ocorra o debate – faça a discussão do debate acerca do novo
modelo.
Nem o Rio Grande do Sul e nem o País viverão sem pedágios. Não há
possibilidade de o Estado fazer a manutenção das rodovias. O País
ainda tem a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
incidente sobre combustíveis – CIDE - Combustíveis –, que dá um
fôlego, um oxigênio para que seja feita a manutenção de rodovias,
mas o Estado não tem capacidade financeira nenhuma para manter as
rodovias que estão aí; terá que buscar um modelo que seja
razoável, que seja justo e que contemple essas situações.
A CULPA NÃO É DO CAMINHONEIRO - Não dá para entender por
que as concessionárias não instalaram as balanças de pesagem,
porque é de responsabilidade delas o controle do peso da carga,
com balanças móveis e balanças fixas. Pois, em 12 anos, jamais
instalaram balanças. Houve uma em Lajeado que funcionou durante um
certo tempo. Com isso, atribuiu-se sempre ao transportador a culpa
pelo excesso da carga que deveria ser fiscalizada.
Também não dá para entender por que o caminhão vazio paga a mesma
tarifa do caminhão carregado e por que o caminhão com eixo
suspenso também tem que pagar a mesma tarifa como se estivesse
completo. São distorções que convém colocar em pauta nas
discussões do ano que vem. (Francisco Appio – 20/10/2010).
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