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15/12/2010 - O FADO AGORA TEM UM DIA
Foi aprovado nesta tarde
(15/12), por 37 votos a zero, no plenário da Assembleia
Legislativa, o PL 35/2010, de autoria do deputado Francisco Appio,
que institui o Dia Estadual do Fado, a ser comemorado no dia 1º de
julho.
Ao apresentarmos este
Projeto, Appio atendeu inúmeras sugestões e apelos de comunidades
luso-brasileiras. A data escolhida refere-se ao nascimento de
Amália Rodrigues, a maior cantora de Fado de todos os tempos, que
propagou a cultura, idioma e a música por vários continentes, ao
longo de sua vida.
O Projeto foi concebido
durante a realização da Semana Cultural Luso-Brasileira,
instituída pela Lei Estadual 13.028/2008, realizada de 16 a 22 de
abril deste ano. Veja, abaixo, algumas fotos do evento.




JUSTIFICATIVA - A palavra fado vem do latim fatum, ou seja,
"destino". De origem obscura, terá surgido provavelmente na
primeira metade do século XIX. Uma explicação popular para a
origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos Mouros, que
permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a
reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado,
teriam sido herdadas daqueles cantos.
Nascido no Brasil, o
fado tornou-se conhecido em Portugal após o retorno da corte de D.
João VI à Europa, para desaparecer completamente da tradição
musical brasileira.
Fado é uma canção
popular portuguesa tipicamente urbana, cantada sobretudo nas ruas
e bares de Lisboa e, em Coimbra, no meio estudantil. É acompanhada
ao violão e eventualmente dançada. A temática da dor e do destino,
recorrente na poesia portuguesa, aparece no fado tradicional, mas
também há fados alegres e satíricos, e outros sobre temas
variados, como política e religião.
O chamado fado batido
surgiu no início do século XIX, como dança de umbigadas semelhante
ao lundu. Popularizou-se primeiro no Rio de Janeiro e depois na
Bahia. Na década de 1830, já existiam em Lisboa inúmeras casas de
fado, onde moravam as fadistas, jovens que cantavam, tocavam e
"batiam" o fado num ambiente de bordel. Por volta de 1840, o canto
ganhou especial importância, o que parece haver coincidido com a
substituição da viola pelo violão.
A partir de sua
apresentação em espetáculos, no final do século XIX, o fado se
enriqueceu musicalmente e teve atenuada a morbidez dos temas
poéticos. Renovou-se na década de 1930, com intérpretes como
Amália Rodrigues, cujos ornamentos melódicos trazem à lembrança o
canto cigano e mourisco. Em meados do século XX, o fado tornou-se
conhecido fora de Portugal.
A instituição desta data
é alusiva ao nascimento de Amália da Piedade Rebordão Rodrigues
que segundo ela mesma afirma nasceu em 1º de julho de 1920 em
Lisboa e não no dia 23 conforme consta em seus registros. Ela foi
uma fadista, cantora e atriz portuguesa, considerada o exemplo
máximo do fado. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os
portugueses ilustres.
Tornou-se conhecida
mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao
simbolismo que este gênero musical tem na cultura portuguesa, foi
considerada por muitos como uma das melhores embaixadoras do país.
Aparecia em vários programas de televisão pelo mundo fora, onde
não só cantava fados e outras canções de tradição popular
portuguesa, como música de outras origens (por exemplo, música
espanhola).
A sua carreira alcança
tremendo êxito no Retiro da Severa, onde faz a sua estreia
profissional, e torna-se a vedete do fado com uma rapidez notável.
Passa a atuar também no Solar da Alegria e no Café Luso. Era o
nome mais conhecido de todos os cantores de fado. Fazia com que
por onde atuasse as lotações se esgotem, inflacionando o preço dos
bilhetes. Em poucos meses atinge tal reconhecimento e popularidade
que o seu cache é o maior até então pago a fadistas.
Estréia no teatro de
revista em 1940, como atração da peça “Ora Vai Tu”, no Teatro
Maria Vitória. No meio teatral encontra Frederico Valério,
compositor de muitos dos seus fados. Em 1943 divorcia-se a seu
pedido. Torna-se então independente. Neste mesmo ano atua pela
primeira vez fora de Portugal. A convite do embaixador Pedro
Teotónio Pereira, canta em Madrid.
Em 1944 consegue um
papel proeminente, ao lado de Hermínia Silva, na opereta Rosa
Cantadeira, onde interpreta o Fado do Ciúme, de Frederico Valério.
Em Setembro, chega ao Rio de Janeiro acompanhada pelo maestro
Fernando de Freitas para atuar no Casino Copacabana. Aos 24 anos,
Amália tem já um espetáculo concebido em exclusivo para ela. A
recepção é de tal forma entusiástica que o seu contrato inicial de
4 semanas se prolongará por 4 meses. É convidada a repetir a
tournee, acompanhada por bailarinos e músicos.
É no Rio de Janeiro que
Frederico Valério compõe um dos mais famosos fados de todos os
tempos: “Ai Mouraria”, estreado no Teatro República. Grava discos,
vendidos em vários países, motivando grande interesse das
companhias de Hollywood.
Em 1947 estreia no
cinema com o filme Capas Negras, o filme mais visto em Portugal
até então, ficando 22 semanas em exibição. Um segundo filme, do
mesmo ano, é Fado, História de uma Cantadeira.
Amália é apoiada por
artistas nacionalistas como Almada Negreiros e António Ferro. Esse
que a convida pela primeira vez a cantar em Paris, no Chez Carrère,
e a Londres, no Ritz, em festas do departamento de Turismo que o
próprio organiza.
A internacionalização de
Amália aumenta com a participação, em 1950, nos espetáculos do
Plano Marshall, o plano de "apoio" dos EUA à Europa do pós-guerra,
em que participam os mais importantes artistas de cada país. O
êxito repete-se por Trieste, Berna, Paris e Dublin (onde canta a
canção Coimbra, que, atentamente escutada pela cantora francesa
Yvette Giraud, é popularizada por ela em todo o mundo como Avril
au Portugal).
Em Roma, Amália atua no
Teatro Argentina, sendo a única artista ligeira num espetáculo em
que figuram os mais famosos cantores de música clássica. Canta em
todo os cantos do mundo. Passa pelos Estados Unidos, onde canta
pela primeira vez na televisão (na NBC), no programa do Eddie
Fisher patrocinado pela Coca-Cola, que teve que beber e de que não
gostara nada. Grava discos de fado e de flamenco. Convidam-na para
ficar, mas não fica por que não quer.
Amália dá ao fado um
fulgor novo. Canta o repertório tradicional de uma forma
diferente, sincretisando o que é rural e urbano. Canta os grandes
poetas da língua portuguesa(Camões, Bocage), além dos poetas que
escrevem para ela (Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira,
Ary dos Santos, Manuel Alegre, O’Neill). Conhece também Alain
Oulman, que lhe compõe várias canções.
O seu fado de Peniche é
proibido por ser considerado um hino aos que se encontram presos
em Peniche, Amália escolhe também um poema de Pedro Homem de Mello
Povo que lavas no rio, que ganha uma dimensão política.
Em 1966, volta aos
Estados Unidos. Neste mesmo momento o seu amigo Alain Oulmané
preso pela PIDE. Amália dá todo o seu apoio ao amigo e tudo faz
para que seja libertado e posto na fronteira.
Em 1969, Amália é
condecorada pelo novo presidente do conselho, Marcelo Caetano, na
Exposição Mundial de Bruxelas antes de iniciar uma grande
digressão à União Soviética.
Em 1971, encontra
finalmente Manuel Alegre, exilado em Paris. Na chegada da
democracia são-lhe prestadas grandes homenagens. É condecorada com
o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então
presidente da República, Mário Soares. Ao mesmo tempo, atravessa
dissabores financeiros que a obrigam a desfazer-se de algum do seu
patrimônio .
Em 1990, em França,
depois da Ordem das Artes e das Letras, recebe, desta vez das mãos
do presidente Mitterrand, a Légion d'Honneur. Ao longo dos anos
que passam, vê desaparecer o seu compositor Alain Oulman, o seu
poeta David Mourão-Ferreira e o seu marido, César Seabra, com quem
era casada há 36 anos.
Em 1997 é editado pela
Valentim de Carvalho o seu último álbum com gravações inéditas
realizadas entre 1965 e 1975(Segredo). Amália publica um livro de
poemas (Versos). É-lhe feita uma homenagem nacional na Feira
Mundial de Lisboa (Expo 98).
A 6 de outubro de 1999,
Amália Rodrigues morre com 79 anos, pouco depois de regressar da
sua casa de férias no litoral alentejano. No seu funeral centenas
de milhares de lisboetas descem à rua para lhe prestar uma última
homenagem.
Sepultada no Cemitério
dos Prazeres, o seu corpo é posteriormente trasladado para o
Panteão Nacional, em Lisboa (após pressão dos seus admiradores e
uma modificação da lei que exigia um mínimo de quatro anos antes
da trasladação), onde repousam as personalidades consideradas
expoentes máximos da nacionalidade.
Amália Rodrigues
representou Portugal em todo o mundo, de Lisboa ao Rio de Janeiro,
de Nova Iorque a Roma, de Tóquio à União Soviética, do México a
Londres, de Madrid a Paris (onde atuou tantas vezes no
prestigiosíssimo Olympia).
Propagou a cultura
portuguesa, a língua portuguesa e o fado. Este projeto vem atender
o desejo de várias representações portuguesas do Estado, como o
Instituto Cultural Português, Casa de Portugal, Casa dos Açores
(Gravataí) que entendem importante a designação desta data para a
promoção de eventos artísticos e culturais em homenagem ao fado e
também a toda a cultura luso-brasileira no Estado, razão pela qual
esperamos contar com o apoio dos demais colegas deputados.
Sala das Sessões -
Deputado Francisco Appio |