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10/11/2010 -
JAVALI NÃO SE CONTROLA COM GATOS
Associações Protetoras de Animais - ONGs - cariocas pressionam para
evitar a liberação do controle do javali no sul do país. Desconhecem
a ferocidade dos animais, o seu descontrolado aumento populacional e
os danos que causam na fauna e flora do Estado. Instrução Normativa
que autorizava o abate por profissionais legalizados foi revogada
pelo IBAMA, causando apreensão no meio rural, pelos estragos
causados pela "praga do javali".
O mais grave
é a utilização de "venenos" para reduzir a ação
predatória dos javalis, com inevitáveis danos ao meio
ambiente, mas que está sendo utilizada como medida
radical, face a ausência de norma legal que ampare as
ações dos produtores rurais.
Enquanto na região de
Vacaria a consulta ao Ministério Público deixou os produtores mais
tranquilos, no restante do Estado aguarda-se Portaria Estadual
(Secretaria da Agricultura) para normatizar o abate. Contudo, o
Secretário Gilmar Tietböhl está inclinado a assinar o documento
legal, desde que não inclua cães na localização dos javalis, o que
tornará a Portaria inútil.
A AGAJA - Associação
Gaúcha do Javali Asselvajado - firmou posição, pelo seu presidente
Cassiano Bocchese, que em ofício ao Secretário Tietböhl ratificou
a posição dos produtores:
"Comprovadamente não há abate efetivo de javalis sem a ajuda do
cão especializado para localizá-lo. Desta forma, a criação de uma
portaria que especifica métodos de abate com pouca ou nenhuma
eficiência simplesmente para contentar ONGs protetoras de animais
não permitirá o controle e erradicação desta praga que dia-a-dia
amplia seu crescente potencial devastador sobre lavouras, criações
e comunidades de zonas rurais em todo o Rio Grande do Sul.
Com base na série de estudos e laudos técnicos e em diversos
relatos de incidentes comprovados já disponíveis, ratifico que,
caso a portaria seja emitida excluindo o uso de cães, o problema
referente a esta praga não será resolvido. Além de não viabilizar
o único método de controle efetivo, uma portaria sem especificar
o uso de cães, acarretaria um problema adicional para o Produtor
Rural, que ficará legalmente a descoberto, uma vez que, no
desespero de tentar preservar sua fonte de renda e o sustento para
sua família, ele continuará a usar cães.
Está consagrada a efetividade dos cães nas lidas diárias, mesmo
durante seus trabalhos a campo com gado ou lavoura. O produtor que
sai a campo com cães, se defronta regularmente com javalis em
matos e banhados, abatendo-os ocasionalmente.
Equipes de abate até recentemente instituídas e legalizadas pelo
IBAMA desenvolveram as melhores e mais especializadas matilhas
para localização de javalis. Elas constituem aparato e mão de obra
especializados e gratuitos. A localização e o enfrentamento
efetivo de varas de javalis em matas, lavouras e banhados só é
possível com o auxílio de cães. O uso de cevas é de baixíssima
eficiência pois consegue apenas sucesso em um exemplar enquanto os
demais animais de uma vara imediatamente se dispersam quando o
primeiro é atingido."
Na defesa do produtor
rural e angustiado com a falta de soluções, Cassiano Bocchese
avança e sugere que a Portaria "Deveria permitir que o
Produtor Rural pudesse abater javalis dentro do limite de sua
propriedade com o uso de seus próprios cães. Melhor seria o texto
da Portaria não mencionar e não restringir o uso de cães.
Certamente no Estado não haverá oposição, pois nos sete anos em
que o abate foi autorizado com o uso de cães, nunca houve
contestação ou ação contrária. No Rio Grande do Sul, a comunidade
e os técnicos do IBAMA, sabem e concordam com a nocividade do
Javali e a efetividade no uso do cão para o seu controle."
O deputado Francisco
Appio está sendo pressionado a apresentar proposta legislativa
sobre o assunto, mas a matéria é de competência da União e foge da
alçada estadual, lamenta o parlamentar, preocupado com o clima de
insegurança, criado no meio rural.
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