08/07/2010 -   MÉDICO SERRANO - CIDADÃO DE PORTO ALEGRE

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre, por iniciativa do vereador João Carlos Nedel, concede o título de CIDADÃO PORTO ALEGRENSE ao professor da PUC, Dr. José Francisco Bergamaschi, pelos relevantes serviços prestados à comunidade gaúcha e, particularmente, à da capital do Estado. Bergamaschi nasceu em Vacaria, formou-se em Caxias do Sul, mas desde o ano de 1976 reside em Porto Alegre, onde exerce suas atividades. 

A outorga do título será na sessão solene do próximo dia 31 de agosto, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. 

Veja, a seguir, a biografia do homenageado.


José Francisco Bergamaschi 

O professor José Francisco Bergamaschi nasceu em Vacaria, no planalto gaúcho. Seu pai, Reinaldo Bergamaschi, era comerciante e sua mãe,  Leonídia Pereira de Almeida,  falecida em 2002, era professora estadual.  É o primogênito de uma família de 6 irmãos, três dos quais abraçaram a profissão de  Esculápio (médico). Concluiu seu curso na Faculdade de Medicina da Universidade de Caxias do Sul e, em 1976, passou a residir em Porto Alegre, onde cumpriu residência em cirurgia geral e concluiu os cursos de especialização em saúde pública e em toxicologia. 

É casado com Mariléa Cruz Bergamaschi,  também professora. O casal tem três filhas: Carolina, que é tabeliã no município de Chuí, Cristina, também notária em Canarana, Mato Grosso, e Beatriz, aluna da Faculdade de Informática da PUCRS. 

O professor Bergamaschi idealizou e implantou, em 1980, juntamente com o irmão marista Avelino Madalozzo, um projeto então denominado Campus Aproximado Vila Fátima, que perdura até hoje, ainda sob sua direção. Por questões legais, recentemente o nome do projeto foi mudado para Centro de Extensão Universitária Vila Fátima. Situa-se na vila popular do mesmo nome, que faz parte da chamada Grande Bom Jesus. O trabalho foi realizado sob os auspícios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde ele, desde aquele ano, leciona na Faculdade de Medicina. Essa iniciativa colocou a universidade em interação com uma comunidade marginalizada, situada nas proximidades do seu campus central, na zona leste da capital. 

A interação se dá através de atividades de ensino-serviço. Os universitários das 10 faculdades atuantes e os alunos residentes do Hospital São Lucas  prestam serviços de qualidade acadêmica à população, acompanhados por seus professores. Simultaneamente, recebem treinamento prático, em pleno contato com a realidade, já que os trabalhos são executados na sede do projeto, situado no centro  da população-alvo, para oferecer a esta acessibilidade geográfica e cultural. Atualmente, cumprem estágios curriculares ali mais de mil universitários a cada ano. 

Quando do início dos trabalhos, em 1980, as condições de vida daquela população eram difíceis de se imaginar. Não dispunham de serviço de saúde, nem do mais precário saneamento. A água só chegava à noite, e era recolhida em pontos onde os moradores passavam horas para conseguirem um pouco do líquido. O lixo produzido era todo despejado nas vielas e terrenos. Baixa renda, baixa escolaridade, sub-habitações, altas taxas de desnutrição e de mortalidade infantil faziam indicadores de saúde os piores possíveis. Realmente, uma importante razão para a escolha daquela população como alvo da atenção do projeto foi o estado de completo abandono  em que se encontrava. 

No início, praticamente só, o Dr. Bergamaschi prestava atendimento médico diariamente  em um pequeno cômodo, cedido por uma associação de mães. Certamente, tinha a ampará-lo a energia moral do irmão Avelino Madalozzo, que via no projeto um trabalho verdadeiramente marista, identificado com os ideais de São Marcelino Champagnat, fundador da Congregação. Um dia por semana levava seus alunos da faculdade de medicina para desenvolverem atividades de educação para a saúde nos domicílios, nas precárias creches existentes e na escola da área.  Obtinha medicamentos e vacinas peregrinando junto aos órgãos públicos. Desde então, até os dias de hoje, dedica-se integralmente ao projeto. 

Ainda em 1980, duas outras faculdades juntaram-se ao trabalho: odontologia e serviço social. O projeto era olhado com ceticismo, e havia resistência em aderir a ele, por parte da comunidade acadêmica. De fato, deixar o aprazível ambiente do campus central, e deslocar-se para a Vila Fátima não despertava, à época, muito entusiasmo entre alunos e professores. Com o correr do tempo, a excelência do ensino e do serviço prestado e o reconhecido agradecimento da população mudou completamente o quadro. Hoje, as vagas no Centro de Extensão são disputadas, e não há mais espaço físico para a ampliação das atividades.  Hoje atuam ali o Hospital São Lucas e 10 faculdades da PUC:  Arquitetura e Urbanismo, Direito, Educação, Enfermagem Fisioterapia e Nutrição, Farmácia, Letras, Medicina, Odontologia, Psicologia e Serviço Social.  Estagiaram na Vila Fátima cerca de 15.000 universitários, nestes 30 anos de trabalho ininterruptos.  Para isto, foi necessário muito esforço e muita abnegação. 

   Além da assistência à saúde, o Dr. Bergamaschi, nos primeiros dias do projeto, formou um grupo de universitários voluntários, com o objetivo de motivar a comunidade a organizar-se em volta de suas próprias lideranças, iniciando uma consistente ação comunitária em busca de seu desenvolvimento. Essa iniciativa logo produziu resultados: teve início um programa de saneamento básico, com instalação de rede de água domiciliar, recolhimento diário do lixo e pavimentação de ruas. Com a colaboração de diversos  órgãos públicos, que passaram a olhar para aquela população, foram desenvolvidos programas de combate à subnutrição infantil, que hoje encontra-se praticamente erradicada.  Atividades regulares de proteção à mulher , à gestante e ao idoso tiveram curso. Foram realizados vários cursos de capacitação profissional para jovens moradores, que diplomaram 254 alunos. 

Os dados a seguir são de 2009. Os programas da área da saúde ofereceram 26.820 atendimentos individuais. O programa da Faculdade de Direito prestou 205 consultas e encaminhou 62 processos. Na educação, houve 205 atendimentos de psicopedagogia  para alunos com dificuldades de aprendizagem, e 40 crianças frequentaram, durante todo o ano, programa de iniciação ao mundo da literatura e da poesia. O serviço social, além dos programas desenvolvidos com órgãos públicos, atendeu 1.690 pessoas, encaminhou 210 adolescentes para cursos de capacitação profissional e 50 crianças para o programa “Show de Bola”, da Província Marista do Rio Grande do Sul. Foram realizadas 907 reuniões de grupos, terapêuticos,  promoção social ou de interesses comuns. O programa de assistência multidisciplinar ao paciente acamado e suas famílias prestou 1.501 atendimentos domiciliares a doentes impossibilitados de deambular. 

Com a concretização vitoriosa do projeto Centro de Extensão Universitária Vila Fátima, o Dr. Bergamaschi tem levado, durante os últimos trinta anos, atenção à saúde, assistência social e jurídica e educação a uma das comunidades menos favorecidas de Porto Alegre, contribuindo decisivamente para o seu desenvolvimento e para a melhoria dos seus indicadores sociais e de saúde. Não menos importante, ofereceu a milhares de acadêmicos experiências marcantes, ao atuarem em favor dos mais necessitados, descobrindo assim a dimensão social e humana da profissão que escolheram. 

A população reconhece que a atuação ininterrupta do Centro de Extensão Universitária Vila Fátima, desde 1980, teve papel fundamental no seu desenvolvimento, e que o empenho e a abnegação do Dr. Bergamaschi, como condutor do processo,  foram decisivos. Para isso, dedicou à população toda uma vida profissional.