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08/06/2010
- 128 ANOS DA MORTE DE GARIBALDI
Da tribuna da Assembleia Legislativa, o
deputado Francisco Appio prestou uma homenagem, hoje (08/06), aos
128 anos da morte de Giuseppe Garibaldi.
Leia, a seguir, o discurso na íntegra.
128 ANOS DA MORTE DE GARIBALDI
128 anos depois de sua morte, reverenciamos
GIUSEPPE GARIBALDI e lembramos algumas das suas ações heróicas no
movimento farroupilha de 35.
Garibaldi morreu
dia 02 de junho de 1882, aos 75 anos, em sua Ilha de Caprera, na
Sardenha, onde nos últimos anos de sua vida reconstruiu o cenário
que levou consigo e na sua memória, em seu mausoléu, nas casas
transformadas em museus. Tudo lembra o Rio Grande do Sul, que o
acolheu, pátria de seu filho Menotti.
Garibaldi está na Sardenha, onde repousa desde
junho de 1889, ao final da unificação da Itália. Menotti, o
primogênito, foi nove vezes deputado na terra do seu pai, Giuseppe
Garibaldi. Foi um grande general, guerreiro e batalhador em nome dos
mesmos princípios: Liberdade, Fraternidade e Igualdade.
GARIBALDI, ITALIANO
Em Nizza (cidade francesa Nice no
Mediterrâneo), nasceu Giuseppe Maria Garibaldi em 04 de julho de
1807. Na pia batismal da Igreja de San Martino, recebe o nome de
Joseph-Marie e embora a certidão de nascimento houvesse sido escrita
em francês, a sua nacionalidade era italiana, graças ao Direito
Internacional Privado que assegurava o direito de sangue.
Seus pais: Domenico (ou Domingos) Garibaldi,
Capitão do Mar, e Rosa Raimondi, que segundo seu filho, era “um
modelo de mulher e de mãe”. Os dois tiveram cinco filhos: Angelo,
Giuseppe, Felice, Michelle e Teresa (que faleceu aos três anos de
idade).
Giuseppe ou pepino, como também era chamado em
casa e entre amigos, tenta justificar em suas “Memórias”, a sua
educação escolar não formal, o seu contato com a natureza, nas
viagens que fazia pelo mar com seu pai. D.Rosa queria que ele se
tornasse um homem culto. Sua educação não foi negligenciada, tendo
frequentado um seminário religioso.
Na Real Marinha Piamontesa a ficha de
Garibaldi traz as seguintes anotações: Giuseppe Maria Garibaldi,
Marinheiro de terceira classe, nascido em Nizza, a 04 de Julho de
1807, altura: 1,66m, sem sinais particulares e com o nome de guerra
de Cleombroto.
Garibaldi era um
homem atraente, de olhos castanhos penetrantes (muitas vezes
descritos como azuis), barbudo, cabelos loiros (às vezes avermelhado
a la Nazareno), sobrancelhas e barba loiras, fronte alta, nariz
regular, de mediana estatura, era de compleição atlética e possuía
“uma estranha e buliçosa aparência de espadachim inquieto”... Dono
de sorriso cálido como o sol da Sicília e de voz que, no campo de
batalha, parecia um clarim, como a de Caruso, em certos momentos
possuía um “quê” de leonino.
Giovanni Battista Cuneo, marinheiro filiado à
Jovem Itália e fiel companheiro de futuras lutas no Brasil, Uruguai
e Itália, assim o descreve: “De estatura, peito e ombros largos,
forte e ágil ao mesmo tempo, dá idéia de força e agilidade; seu
rosto, severo à primeira vista, dá-lhe aspecto imponente. A barba é
ruiva, não aparada, os cabelos longos e loiros; a fronte larga forma
com o nariz, uma linha reta; o olhar é perspicaz e agudo, mas
fixando-o, sobressai uma perfeita harmonia de traços e de
fisionomia. Sentimento de confiança e simpatia aparece
instantaneamente na alma e mescla-se à impressão de respeito
anterior...”
Moço feito foi iniciado na maçonaria
carbonária e na política de Giuseppe Mazzini, que se opunha à
presença austríaca na Itália sonhando com a unificação da península.
E Garibaldi prestará para o futuro importantes serviços à causa
mazziniana. Seu grupo de carbonário era politizado e Giuseppe Maria,
tinha conhecimento acima da média do seu tempo. Conhecia filosofia,
política, geografia, história, matemática e um pouco de latim e
grego.
Como em tudo aqui também se destacou e cumpriu
missões perigosas. Teve a cabeça posta a prêmio, foi acusado de
assassinato, como todos os carbonários e houve um momento em que
precisou fugir para o fim do mundo, aonde o longo braço do poder
austríaco não o alcançasse, aí entram em cena os elementos da grande
rede mazziniana carbonária, para tirar de cena “Joseph Pane”, nome
francês que lhe deram na ordem da bacia do Mediterrâneo.
CHEGADA AO BRASIL
A imensa bibliografia que existe sobre a vida
e a obra de Giuseppe Garibaldi, Herói de Dois Mundos e Unificador da
Itália, talvez não tenha sido suficiente para ressaltar na Europa,
perante os atuais admiradores do herói, a importância de seu
trabalho como guerreiro e articulador político na América,
especialmente no Estado Rio Grande do Sul, o mais meridional do mapa
do Brasil, justamente aquele que faz fronteira com a Argentina e com
o Uruguai.
Quando Giuseppe Maria Garibaldi chegou ao
Brasil em 1836 (em 1835, parte de Marselha para África do Norte e
América do Sul), Garibaldi era um jovem brasileiro, idealista e
sonhador, corajoso e ousado, mas praticamente inexperiente. Sua
militância era exclusivamente marinheira, pelos portos do
Mediterrâneo e até um pouco mais longe. Suas adesões aos carbonários
e posteriormente à jovem Itália de Mazzini são fatos que dizem do
seu treinamento como marinheiro e o começo de uma conscientização
política, mas é claro que era pouco e as aventuras por ele vividas
na juventude foram às mesmas de outros tantos jovens de sangue
ardente, como ele mesmo.
O fator determinante, a mudança radical, a
virada na trajetória do herói, o encontro dele com seu destino, vai
se dar exatamente com esta viagem para o Brasil, que foi o caminho
sem volta de uma aventura que marcaria luminosamente a vida do
italiano nascido em Nice.
REPÚBLICA RIO-GRANDENSE
A 20 de setembro de 1835 explode a revolução
na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Os liberais
liderados por Bento Gonçalves da Silva contra os conservadores, que
tiveram vários chefes ao longo dos dez anos que durou a luta armada.
Depois de um ano de revolução intransigente dos liberais apelidados
de farroupilhas ou farrapos contra os conservadores apelidados
camelos ou caramurus, os farroupilhas desistiram da paz e
proclamaram a República Rio-Grandense, tentando ao longo de nove
anos organizar a estrutura de uma nação independente republicana,
assolada por muitos problemas, mas cheia de bravura tratando de
realizar um Estado completo com os serviços públicos o exército e a
marinha porque os tempos eram de guerra. Aí é que entra Garibaldi.
Lívio Zambeccari, de família nobre da Bolonha,
força a aproximação do jornalista e intelectual Luigi Rosseti com o
herói preso no Rio de Janeiro, depois de uma desastrada batalha
perto de Porto Alegre na ilha do Fanfa, em que foi traído por um
antigo comandado seu e instado por Zambeccari com o entusiasmo de
Rosseti e a cobertura certamente de Giuseppe Mazzini na Itália,
Garibaldi concorda em receber da nova república do sul, “carta de
corso”, ou seja, uma autorização oficial de uma nação inimiga no
caso, o Império do Brasil. Está nascendo Garibaldi como corsário.
MARINHA DE GUERRA
O exército republicano teve, antes de qualquer
coisa, forças de cavalaria, sendo como são até hoje, famosos como
cavaleiros.
Mais tarde, Garibaldi, na Itália, se lembrará
com saudades, desses centauros, como Bento Gonçalves, Antônio de
Souza Netto, David Canabarro, Joaquim Texeira Nunes e os lanceiros
negros. Escravos, conforme leis do Império brasileiro, os farrapos
libertavam esses negros, desde que pegassem em armas para defender o
Rio Grande do Sul.
O problema maior era a Marinha de Guerra. Os
rio-grandenses são homens do lombo do cavalo, não do dorso das ondas
do mar. Ademais, e como já foi dito, a costa atlântica rio-grandense
não tem portos naturais. Apenas como curiosidade histórica, vale
lembrar que dos cincos maiores heróis da Marinha de Guerra
Brasileira, quatro são rio-grandenses.
ESTALEIRO DE CAMAQUÃ
Possuía a República, um pequeno estaleiro na
foz do Rio Camaquã, usado para a construção de barcos para os
futuros combates. De acordo com as sugestões de Domingos José de
Almeida, resolveu-se que Garibaldi deveria organizar um corso nas
águas interiores. Afinal, Garibaldi era um homem do mar e deveriam
aproveitar a sua experiência. Para lá, dirige-se Garibaldi. Tem que
improvisar marinheiros e reúne italianos aventureiros de toda a
laia, um norte-americano qualker da Virginia Chamado John Griggs,
ex-escravos e gaúchos de bota e espora. Mas tem que improvisar
também, armadores e carpinteiros. Como não tem barcos, vê-se
obrigado a fabricá-los, com toda a precariedade de recursos que a
República Rio-grandense lhe oferece.
É aqui, verdadeiramente, que começa a brilhar
o seu gênio, que mais tarde assombrará o mundo. Constrói e arma dois
lanchões de guerra e faz prodígios nas águas rasas da Lagoa dos
Patos, pondo em xeque a poderosa esquadrinha imperial brasileira,
comandada pelo expediente almirante inglês John Pascoe Grenfell,
mercenário a serviço da Corte no Rio de Janeiro.
Conseguiu do Governo, que Luigi Rossetti fosse
a Montevidéu a fim de buscar a ajuda de Carniglia e outros
profissionais. Em algumas semanas, tinha completa a equipagem de
mestres e operários. Vieram alguns marinheiros de Montevidéu e
outros foram recrutados pelas redondezas.
Aparece o 1º número do jornal oficial dos
Farrapos O POVO, editado pelo jornalista italiano Luigi Rossetti,
fiel companheiro de Garibaldi.
MISSÃO: TOMAR LAGUNA
A ordem recebida por Garibaldi, chefe da
Marinha Rio-grandense, era difícil de ser cumprida: “Apoiar com seus
lanchões, a força de Canabarro incumbida de tomar Laguna, a fim de
ali estabelecer um porto, haja vista que a cidade de Rio Grande
estava em poder dos imperiais”.
O Jornal do
Comércio publica a notícia, em 8 de junho: “Os insurgentes têm o
propósito de mandar, por estes dias, uma expedição a Santa Catarina,
sob a direção do coronel Onofre Pires, com o fim de sublevarem os
pacíficos habitantes daquela província e os obrigarem a separarem-se
da comunhão brasileira. Esta notícia, que a muitos não merece peso,
julgamos que devem merecer toda a atenção da parte do governo; pois
não há dúvida que se têm preparado os ânimos em Santa Catarina para
a revolta; e que muitos dos nossos revolucionários se foram abrigar
naquela província; e por isso ali existem os elementos necessários e
só falta quem lhe dê começo”.
“Seis meses antes de a expedição farroupilha
virar manchete no Jornal do Comércio”, relata o jornalista e
escritor Paulo Markun, em seu livro “Anita Garibaldi uma heroína
brasileira”, “o governo republicano tinha mandado uma comissão de
especialistas até a parte norte da Lagoa dos Patos”.
Quem consulta um simples Atlas geográfico
escolar vê uma linha escura demarcando a costa gaúcha desde Torres
até São José do Norte. Nenhuma barra de rio, nenhuma baía, nada, mas
com um pequeno acesso que foi ignorado pelos primeiros navegadores e
cartógrafos. É a barra do Rio Tramandaí. Segundo os entendidos, um
acidente geográfico completamente inútil para fins de navegação.
Garibaldi e Canabarro estiveram no local e concluíram que era
possível utilizá-la para alcançar o Atlântico. Mas como chegar do
Capivari até as lagoas que levariam a essa barra quase impossível.
No passado, outros já haviam realizado empresa
semelhante, mas jamais em tão longo e em terreno tão adverso.
Garibaldi monta uma saída estratégica. Apresenta o seu plano
arrojado ao governo e obtém o sinal verde.
RUMO À LAGUNA
No dia 5 de julho,
Garibaldi remonta o pequeno rio Capivari, onde não podem manobrar os
pesados barcos do Império, puxando sobre rodados para a terra os
dois lanchões artilhados e, assim, transformando lanças de guerra em
picanas. Com juntas de bois, atravessou ásperos caminhos, através
dos campos úmidos em alguns trechos completamente submersos.
Piquetes corriam os campos entulhados atoleiros. Outros cuidavam da
boiada. Garibaldi vê “Os moradores de o lugar deleitar-se com um
espaço de 54 milhas ou dezoito léguas e tudo isto sem a menor
dificuldade, sem mínimo acidente”.
Levam seis dias até Lagoa Tomás José,
chegando, portanto a onze de jullho. Cada barco tinha dois eixos e
naturalmente quatro rodas imensas, revestidas de couro cru.
No dia 13, segue da Lagoa Tomás José, para a
Barra do Tramandaí, sob o Oceano Atlântico e no dia 15, lança-se ao
mar com sua tripulação mista: 70 homens Garibaldi comanda o
Farroupilha, com dezoito toneladas e Griggs, o Seival, com 12
toneladas. Ambos armados com quatro canhões de doze polegadas, eram
de molde “escuna”, informa Cary Ramos Valli.
Em plena tormenta, seu barco naufraga e ele vê
impotente e desesperado, amigos queridos e companheiros preciosos
sendo tragados pelas ondas revoltadas com tamanha audácia. Garibaldi
escapa a nado e com apenas o barco remanescente, será parte decisiva
na tomada da Província de Santa Catarina, secundado por mar, o
exército farrapo, comandado por David Canabarro, onde brilhou a
espada invicta de Joaquim Teixeira Nunes, o heróico e bizarro
comandante dos lanceiros negros.
Em Santa Catarina,
Garibaldi e os Farrapos proclamaram a República Juliana na gloriosa
imprudência com quem sonhavam transformar todas as províncias do
Império Brasileiro em Repúblicas autônomas, porém federadas. Sua
atuação e dos barcos imperiais que tomou como presa de guerra e
colocou sob o seu comando na campanha de Santa Catarina, foi notável
sob todos os aspectos, revelando-se mais um simples comandante de
barco de guerra, mas um verdadeiro almirante, capaz de traçar
estratégica naval, com visão abrangente do teatro de guerra,
operando com forças terrestres.
ANITA EM LAGUNA
Numa tarde, da amurada de seu navio, viu uma
jovem senhora, quase uma menina, que apanhava água numa fonte,
porque se recusara, ao contrário do marido, a fugir para as
montanhas, diante da fúria dos combatentes. Seu nome ANA MARIA DE
JESUS RIBEIRO, filha de Maria Antônia de Jesus e Bento Ribeiro da
Silva, natural de Laguna, uma típica brasileira, feita de aço e de
seda, em cujo semblante nobre brilhavam dois olhos que podiam ser
ternos como uma corsa e faiscante como o de uma pantera. Anita está
com 18 anos. Garibaldi tem 32, alto, fortíssimo e alourado, com
cabelos e barba crescidos.
Pergunta-lhe o nome. Ela responde: “Ana”. Ele
diz, com ternura, talvez aludindo a sua pouca idade ou estatura:
“ANITA”. Pede-lhe água. Ela lhe dá de beber. É uma mulher pequena,
mas forte, bela e atraente sem ser bonita. É extremamente jovem, mas
audaz. Anita convida-o para tomar um cafezinho em sua casa, ato que
em quase todo Brasil é o símbolo da hospitalidade.
A frase então pronunciada por Garibaldi,
naturalmente em italiano, porque jamais aprendeu o português, foi:
“Tu tens que ser minha”. O amor foi imediato e fulminante.
Perduraria sem estremecimentos nos poucos anos que viveram lado a
lado. Por dez anos esse amor iluminou a História de dois
continentes. Igualando-se aos grandes romances da História
universal. Garibaldi diminuiu carinhosamente o nome de sua amada
Ana, ANITA em italiano, verdadeiro símbolo da mulher brasileira.
Brava e terna, corajosa e apaixonada, valente e leal, realmente à
altura do homem da sua vida.
É muito
importante salientar que aí, em Santa Catarina findou efetivamente a
carreira de Giuseppe Garibaldi como marinheiro e começou a sua
brilhante trajetória como condottiero.
MARINHA CATARINENSE
Em 10 de agosto, ele é oficialmente nomeado
Comandante em Chefe da Marinha Catarinense. Os Farrapos não se
cansam de elogiar a ação do jovem capitão-tenente. A popularidade do
italiano é tanta, que em 21 de setembro, ele e Anita são padrinhos
de um menino da família Ferreira, a quem ele batizou com o nome de
Eduardo Matru, afogado no naufrágio do Farroupilha.
Em 23 de outubro
de 1939, a fim de conseguir os mantimentos para a população, com
Anita a bordo, sai bordejando o litoral do Paraná e São Paulo.
No dia 3 de novembro, há o combate naval de
Imbituba, nas costas de Santa Catarina, e Anita Garibaldi combate ao
lado dos marinheiros com grande bravura. Ela está a bordo do Seival,
que tem a bandeira de nau capitânea.
Depois de abastecer a população civil e tomar
parte, contrariado, no saque da Vila de Imaruí, fiel à Monarquia, no
dia 15, e comandado seis embarcações, Garibaldi enfrenta dezessete
navios imperiais, na batalha naval de Laguna, quando teve pela
frente o Almirante Imperial Frederico Mariath.
Anita lutava bravamente. Inúmeras vezes,
remando pequeno bote, atravessam o Canal da Barra, levando munição e
coragem às tripulações sob o comando do herói. Na iminência de ser
esmagado pela superioridade numérica do inimigo e tendo perdido
cinco de seus comandantes, com a saída cortada para o mar, Garibaldi
recebe ordem superior de queimar os seis navios e juntar o que resta
das tripulações ao exército de terra, que prepara a retirada.
Vitoriosos em Lages, Garibaldi e Anita fazem
parte de uma tropa de 120 infantes e 80 cavalarianos. Aclamados como
heróis libertadores, os dois apaixonados vivem alguns dias de paz e
intenso amor. Tudo indica que aí foi gerado o primeiro filho do
casal Domingos Menotti.
No dia 12 de janeiro de 1840, no combate de
Forquilhas, em Curitibanos, nas proximidades do rio Marombas, os
Farrapos, em plena retirada, são derrotados. Anita cai prisioneira
dos imperiais. Dizem-lhe que Garibaldi morreu em combate.
Pouco depois, ela
foge roubando um cavalo e atravessando a nado o rio Canoas vai
reencontrar o seu amado em Lages. Possivelmente grávida, havia
cavalgado, corrido e nadado, não menos de 80 km de mato, pradarias e
rios.
Em março, os Farrapos voltaram ao Rio Grande
do Sul. Garibaldi e Anita vêm com eles. Em abril, Garibaldi toma
parte no cerco a Porto Alegre. Em maio, participou da indecisa
batalha de Taquari, de gigantescas proporções.
Em 19 de junho de 1840 chegada em Itapuã, do
General Antônio de Souza Neto, Garibaldi e o ajudante de ordens,
major Barreto.
Em 16 de julho de 1840, acontece o ataque a
São José do Norte.
EM SÃO SIMÃO, NASCE MENOTTI
No dia 16 de
setembro, nasce em São Luiz de Mostardas, na casa da família Costa,
na localidade de São Simão, o primogênito de Giuseppe e Anita,
Domingos Menotti Garibaldi. Segundo a lenda que corre até hoje o
local, Menotti Garibaldi nasce com um afundamento no crânio, devido
a um coice de cavalo recebido por Anita durante a gravidez.
O rancho dos Costa
era pobre, meio escondido no mato e fiel aos farrapos que,
levantando o cerco em São José do Norte, subiam para Mostardas
praticamente costeando o litoral atlântico.
A chegada do casal Garibaldi no local, no
entanto, não passaria despercebida. Garibaldi está desesperado. A
mulher vai dar à luz a qualquer momento e o pequeno exército
terrestre do qual faz parte, vem seguido de perto por Francisco
Abreu. O casal está só quando Anita ganha o bebê.
DOMÊNICO (ou em português, DOMINGOS ou ainda
DOMINGO) MENOTTI GARIBALDI, recebeu seu primeiro nome do avô paterno
e o segundo, de Ciro Menotti, herói italiano da Unificação, ídolo de
Garibaldi executado em 1831.
O futuro General do Exército Italiano, herói
de guerra e político avançado para o seu tempo, não poderia nascer
em maior pobreza. O quadro que se imagina é patético e trágico: o
homem desesperado pelas perseguições e sem recursos para dispor. A
mulher prestes a dar luz. O único recurso que se conseguem é um
rancho de palha, onde é comum a presença de animais domésticos e até
selvagens.
É lenda em Mostardas que a primeira fralda de
Menotti, que nasceu como o menino Jesus, sem enxoval, foi o lenço de
cabeça da dona do rancho, mulher de um tal Costa.
Na saída para o exílio em 1840, com, Menotti
ao colo, cavalgam (Anita e Garibaldi) pelos Campos de Cima da Serra,
como retratou o Senador Guido Mondin em tela a óleo, na galeria
oficial da presidência deste Parlamento.
A jornada gloriosa de Garibaldi e Menotti, na
Itália, é outra página da história.
Meus cumprimentos à extraordinária gaúcha Elma
Sant’Ana, pela sua vida dedicada ao resgate dos grandes vultos
rio-grandenses, especialmente o casal Giuseppe e Anita Garibaldi.
Com o piquete de amazonas “As Anitas”, mantém acesa a chama
inspirada pela extraordinária heroína de Dois Mundos. É de Elma
Sant’Ana a pesquisa que publicamos “Menotti o filho brasileiro de
Anita Garibaldi”, que por estar esgotada, encontra-se disponível no
site.
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