28/08/2009 - O TREM NOS CAMPOS DA VACARIA   

O trem e o asfalto trouxeram o Exército, quando o trem chegou o Batalhão foi embora. Deixou o “cavalo de ferro” disputando espaço na paisagem dos Campos de Cima da Serra, com o cavalo crioulo, charolês, ovino Ille de France, soja e milho e a maçã. 

Os trilhos cortaram a planície e dividiram a cidade, mas ainda não foram incorporados à cultura regional. Não há fotos, nem quadros artísticos, sobraram os ferroviários dispensados na privatização da RFFSA.

Quando o Batalhão foi embora, o trem trouxe a maçã. A necessidade de suprir a lacuna econômica, aberta pela transferência do exército, impôs uma nova alternativa que os administradores públicos da época plantaram com a semente da criatividade e o adubo da necessidade. 

O trem apitou na primeira curva da área urbana há 40 anos, no 20º aniversário do início das obras. A Estação Ferroviária foi inaugurada em 24 de março 1969, pelo presidente Costa e Silva, 20 anos depois da chegada do Batalhão e dez anos antes de sua transferência para Carazinho. 

Vinte anos depois de iniciada, foi concluída a TRONCO SUL, ligando o sul ao centro do país, reconhecida como uma das grandes obras do Exército Brasileiro com seus 134 km de trilhos, entre o Pelotas e o rio da Prata, além de 46 viadutos e pontes e 57 túneis. 

Sem passageiros, dedicado ao transporte de cargas, o comboio de dezenas de vagões e o vai e vem das locomotivas mudaram as manhãs dos moradores próximos à ferrovia. De madrugada o apito do trem, alertava os pedestres de várias passagens de nível, sobre o perigo de atropelamentos. 

No viaduto o  trem passa sobre os carros na Avenida Militar. Na Ramiro Barcelos, o trem trafega sob a pista de veículos. A passagem de nível da Rua Campos Sales (Presídio), agora tem cancela, sinalizador e guarda. Mas na passagem improvisada da Rua Antonio Velho o risco é maior.  

A Estação Ferroviária deu lugar ao Terminal de Cargas da Empresa Susin/Zanon/Barison, terceirizados da ALL. Os ferroviários foram aposentados e se dispersaram. O Sindicato tenta reagrupá-los, defendendo seus interesses nas disputas trabalhistas. As máquinas Diesel, movimentam-se pelo menos duas vezes ao dia. 

O trem ficou, a maçã apareceu, veio a faculdade e trouxe novas empresas. O Batalhão ficou apenas na memória dos mais antigos, como um período especial de nossa história, recheado de progresso econômico, cultural, social como ficou reconhecido na homenagem prestada pela Assembleia Legislativa em 26/04/2009. 

Dos 40 anos do Batalhão, o Coronel José Zerni Severo Totti, como soldado e oficial, foi quem mais tempo serviu ao exército na região.

Foi condecorado pelo Parlamento Gaúcho, iniciativa do deputado estadual Francisco Appio. 

Pesquisa entre crianças em idade escolar, revela que o trem não faz parte de suas vidas. Nunca estiveram num vagão, muito menos viajaram nele. Alguns viram, a maioria sabe que existe. Mais na imaginação, com a realidade bem aí ao lado. O dia criança, bem que poderia colocar a nova geração no comboio que mudou a história de Vacaria e Região.