25/09/2009 - DISCURSO DO DEPUTADO FRANCISCO APPIO NA SESSÃO PLENÁRIA DE TERÇA-FEIRA (22/09)

Deputado Daniel Bordignon – que preside esta sessão –, V. Exa. nasceu na região nordeste do Estado e com certeza já ouviu falar de churrasco na cova e de cordeiro no buraco, pratos integrantes do cardápio da gastronomia do Rio Grande do Sul.

Mas esse tipo de churrasco sobre o qual vou falar certamente não tem conhecimento.

Na sexta-feira, moradores de Lagoa Vermelha e de Sananduva farão, na RS-122, um churrasco de gado e ovino nos buracos abertos da rodovia.

E não se trata de uma mera manifestação política, até porque não se pode atribuir ao governo a razão da existência dos buracos. Não é o governo que cava os buracos, como também não acredito, deputado Dionilson Marcon, que foi a governadora que deu a ordem para que o integrante do MST fosse alvo de uma bala verdadeira, de uma bala real. Há um pouco de posição política nisso.

Porém, o contrato do Crema existente na RS-122, de Sananduva até a BR-285, chegou até 10 quilômetros do entroncamento. Não percorreu toda a RS-122 e parou há vários meses – provavelmente há quase um ano –, deixando 10 quilômetros, pouco mais, pouco menos, sem nenhum reparo. É uma cratera atrás da outra.

Aquele é um caminho, deputado – faça um exercício de memória de sua infância –, que leva à Nossa Senhora Consoladora de Ibiaçá, logo adiante à entrada para Ibiaçá.

Quem sabe o DAER – e aqui não estou fazendo nenhuma brincadeira desrespeitosa – esteja esperando por um milagre da Nossa Senhora Consoladora.

Não, não há milagre em asfalto. Ou faz o Crema, ou complementa os recursos, ou completa a obra, ou vai assistir ao churrasco na cova, ao cordeiro no buraco, como acontecerá na próxima sexta-feira.

Provavelmente nós, gaúchos, seremos ridicularizados de novo em todo o Brasil por estarmos lançando mão desse expediente, que é, na verdade, matéria pronta para aquele programa de humor que, ontem à noite, tratou de forma jocosa o quase acidente do acendimento da chama crioula, ocorrido na abertura da Semana Farroupilha.

Logo adiante, na ligação entre Vacaria e Ipê, a RS-122 é outro prato cheio para churrasco na cova ou cordeiro no buraco. A rodovia foi restaurada nos últimos seis meses. Não se completaram seis meses, e está toda esburacada.

Faço – como já o fiz por escrito – um apelo ao DAER para que chame a empreiteira. Não é possível que uma rodovia inteiramente restaurada nos últimos seis meses já apresente tantos buracos que colocam em risco a vida das pessoas.

Aquilo não foi uma restauração, não foi uma operação tapa-buracos, foi algo que tecnicamente tem que ser reprovado e que não passaria por nenhum exame de qualidade. Aí há desperdício de dinheiro público.

Não sei qual foi a empreiteira – vamos tentar descobrir –, mas sabemos que existe um órgão do poder concedente, que é o DAER, que contratou e tem a obrigação de fiscalizar.

Quanto ao 1 bilhão e 700 milhões de reais que alegam alguns defensores dessa causa – parece haver tantos nessa hora; as empreiteiras talvez nem cheguem a tanto –, obviamente que é um valor inexistente. Pelo contrário, se há alguém com crédito é o usuário.

Estão adotando aqui, deputado Daniel Bordignon, a tática do SCC: se colar, colou. Só que não vai colar. - FRANCISCO APPIO - 22/09/09