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22/06/2009
- O VOTO NOS PEDÁGIOS
O atual Modelo
de Concessões, considerado perverso (falta de
transparência, fiscalização e regulação) e cruel
(tarifas exorbitantes e poucas obras), estará no
palanque das próximas eleições de 2010, para deputados e
governadores.
Não são poucos os que se
opõem a este tipo de pedágios, gerador de despesas (mais de 60%),
TIR (Taxa Interno de Retorno) de 27% e aplicação de apenas 13% no
pavimento.
As estradas são
conservadas precariamente (qualidade rejeitada pela AGERGS em 2005),
bem sinalizadas, mas nenhuma ampliação e melhoria.
Comparado com os
comunitários (caso de Portão), os privados perdem de longe em
retorno aos usuários, das taxas pagas nas praças de pedágios. No
caso do Pedágio Comunitário de Portão, além de duplicar a rodovia,
fez melhorias como contornos, elevadas, viadutos e duplicação de
pontes, cobrando menos da metade das taxas dos privados.
“A falta de transparência está liquidando com o atual modelo,
pois tira a confiança dos usuários nos serviços pagos. Até 2007, o
site do DAER (fiscalizador) na Internet, publicou as despesas,
detalhadamente. No último ano, apenas uma síntese dos gastos, e
nenhuma menção à receita das praças”, denuncia o deputado
estadual Francisco Appio.
Uma forma de estimar a
arrecadação está garantida em Lei aprovada pela Assembleia
Legislativa. As concessionárias obrigam-se a publicar na internet o
número de veículos passantes e pagantes, mas ninguém atesta a
autenticidade destas informações.
O DAER é apontado como
responsável pelo descontrole e será objeto de investigação pela CPI
proposta por 19 deputados. “Quando assinei a CPI do DAER (fui
o 19º), dois retiraram suas assinaturas, mas deverão ser
substituídos por parlamentares interessados em apurar as relações
promíscuas entre o poder concedente e as concessionárias de
rodovias”, advertiu o deputado.
O descontrole na
fiscalização, descumprimento de cláusulas contratuais e revisão
ajustada para dezembro de 2004 ampliaram os lucros das empreiteiras,
com super-receita e aplicação mínima. Graças à mudança nos contratos
para a cobrança nos dois sentidos introduzida em 2000, o Estado tem
as mais altas tarifas por km rodado.
Francisco Appio,
coordenador da Frente Parlamentar Contra a Prorrogação dos Contratos
de Pedágios, lamenta que a AGERGS – AGÊNCIA ESTADUAL DE REGULAÇÃO
DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DELEGADOS DO RIO GRANDE DO SUL-não tenha
conquistado autonomia. “Trata-se de um órgão de Governo,
quando deveria ser de Estado, onde os usuários não têm assento”,
lamenta.
O parlamentar rejeita a
acusação tese de que ser “contra o modelo é ser contra a
iniciativa privada e fazer o jogo da oposição. Nada disso, até por
que o PT e o PSB eram os governantes na edição do malfadado Aditivo
de 2000”. Neste caso houve uma completa “apropriação
do DAER, AGERGS e de alguns manipuladores de opinião pública, que
gastam milhões em consultorias de imagem, para preservar o grande
negócio, com dinheiro pago pelos motoristas”.
E quando alguém tenta
legislar para minimizar os danos da situação das cidades sedes é
processado pelos mais famosos escritórios de advocacia, com
honorários pagos pelos mesmos usuários de rodovias.
Appio alerta ainda que nas
eleições de 2010 os lobistas do atual modelo de concessões de
rodovias vão tentar ampliar o bloco dos apoiadores, lançando
candidatos que prejudiquem em suas bases os deputados contrários ao
atual e perverso modelo.
“Aos deputados eleitos em 2010 caberá a tarefa de manter ou
modificar o atual Modelo de Concessões Rodoviárias do Rio Grande do
Sul”, conclui. |