20/08/2009 - CELULAR NA ANTÁRTICA OU NA BRAHMA  

O telefone celular modernizou mais rápido do que a ida do homem à lua. Nos últimos dez anos, saímos do analógico para o digital, com vantagens e desvantagens. Estamos mais vulneráveis aos clones, grampos, escutas, todavia mais universais. 

Em 2003, o deputado Francisco Appio fez parte da missão oficial (Congresso, Marinha, Aeronáutica e outros) na inspeção à Estação Comandante Ferraz no Polo Sul. Dela fizeram parte outras autoridades importantes aqui do Estado, como o vice-governador Antônio Hohlfeldt, o chefe da Receita Federal no Estado, além de oficiais das forças armadas e cientistas das universidades participantes do projeto. 

No primeiro dia no continente do gelo, em pleno inverno de 40 graus negativos, mas fortemente protegido por roupas (pareciam de astronautas), Appio atendeu a uma chamada pelo celular (via satélite): 

- Deputado, onde é que o senhor está? Perguntou um prefeito do interior. Ao que respondi:

- Estou na Antártica. E ele replicou, brincando.

- Não podia ser na Brahma?

Hoje, o telefone celular permite ligações de qualquer parte do mundo. Você fica on-line na internet, movimenta suas contas, paga seus compromissos, monitora e é monitorado, tira fotos, faz vídeos, edita textos, acessa televisão. E telefona é claro.

Graças ao celular, empresas de transporte monitoram seus caminhões em quase todos os lugares do país e do Cone Sul. Ele tem um problema, é caro demais para os motoristas autônomos, que estão fora de sua base, fora do estado e pagam tarifas extras. Eles falam pouco e mal usam o SMS (torpedos) mais baratos. 

Já falei com celular de Washington (1996), quando Antonio Britto assinou o financiamento do Banco Mundial para a Rodovia Synval Guazzelli, entre Vacaria e Antônio Prado, na RS122.

De dentro de uma prisão em Aracaju (1998), quando investigávamos o paradeiro do Alemão, o lagoense Nedir Gotardo, cujo corpo foi resgatado anos depois na divisa com a Bahia.

De Barcelona (1997) com uma comitiva brasileira de parlamentares, que debatiam a atração de investimentos espanhóis, fomos recebidos pelo embaixador Renato Marques (vacariano) no consulado daquela cidade, com status de embaixada. 

De Londres (1999), acompanhando o primeiro encontro da comitiva gaúcha com o Bové da Via Campesina e dirigentes do Carrefour, a quem ofereciam "estado livre de transgênicos" no início do governo Olivio em 1999. 

De Indianápolis (1999), no Congresso Mundial de Parlamentares, debatendo os OGMS - organismos geneticamente modificados e no jantar oferecido pela prefeitura de Chicago (Bolsa da Soja), com produtos transgênicos. Todos ficaram tranquilos quando foram informados que pais, esposas e filhos do prefeito e vereadores (identificados por crachás) comeriam juntos, retransmitindo a fala de um senador americano, dizendo "enquanto vocês discutem o sexo dos anjos, nós queremos saber quanto o senado americano aprovará de subsídio para produzirmos alimentos". 

De Roma (2001), sob as Catacumbas, onde a Bancada católica assistiu missa celebrada por Monsenhor Cheuiche, bispo Auxiliar de Porto Alegre e coordenador da bancada católica. Pedro Simon e Marco Maciel estavam juntos, pela bancada brasileira recebida pelo Papa. 

De Bogotá (2003), num congresso sobre crime organizado, debatendo a participação das FARCs no terrorismo sul americano. 

Da Ilha da Caprera na Sardenha (2003) onde repousam os restos mortais de Giuseppe Garibaldi e de Velétri, perto de Roma, onde está o mausoléu de Menotti, seu filho brasileiro, deputado federal na Itália, por nove legislaturas. 

De Paris (2005), ao lado do hoje embaixador Vitor Candido Gobatto, que era ministro na embaixada brasileira na capital francesa e que se emocionava ao ouvir José Mendes cantando Saudades de Vacaria, terra do ex-goleiro do Cruzeiro. 

Da Ilha Terceira – Açores (2008), berço de boa parte das famílias pioneiras da ocupação dos Campos de Cima da Serra, logo após o Tratado de Madri (1750) que passou o domínio dos espanhóis para os portugueses. 

Das plantações de oliveiras em Jaén na Espanha (2009), a capital mundial do azeite de oliva, ouvindo o cientista Marino Ceda garantir que o azeite de oliva previne o câncer da mama nas mulheres. 

Da Philadelphia (2009) transmiti fotos, via celular, do Bill Gates fazendo conferência sobre a informática na educação. 

O próximo passo será o da educação, o aluno on-line com o professor para os trabalhos de casa, o celular para a mãe acompanhar os filhos adolescentes fora de casa, e a transmissão de dados, diretamente do corpo humano para uma central de diagnóstico (pressão arterial, batimentos cardíacos e outros), no sentido de aprimoramento da qualidade de vida. 

Na segurança, faltam muitas armas com o celular, como monitoramento do preso em regime semi aberto (temos lei no Rio Grande do Sul), transmissão das impressões digitais para uma central de identificação, entre outras. E muito mais. 

O mais urgente é baratear o custo das ligações, sob pena do skype (internet), ocupar este espaço.