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19/08/2009
- o celular mudou a vida
A
gente ainda não teve tempo de avaliar a importância do celular na
mudança dos costumes, com suas vantagens, e desvantagens e temos a
internet, com seus sites, blogs, twitters e uma tela capaz de abrir
as janelas do mundo.
-
Internet? Prefiro não comentar (jargão que tomo emprestado da atriz
Arlete Salles do seriado da rede globo Toma Lá Dá Cá), hoje, pois
quero mergulhar no passado do celular.
DO INTERIOR A POA - A profissão (radialista, depois
parlamentar), me fez atravessar o rio das Antas mais de 3.500 vezes,
entre Lagoa Vermelha/Vacaria e Caxias ou Porto Alegre nos últimos 40
anos pelo Passo do Zeferino ou por São Marcos/Campestre.
Por mais de dez anos, morando lá, narrava futebol aqui de carteira
assinada. Na Farroupilha, desde 1976 pelas mãos de Ari dos Santos e
de Batista Filho ( que suprimiu o Idivar do nome, batizando de
Francisco Appio) essa ele me deve, eu devo muito mais. Dividindo as
jornadas com Sergio Moraes, Antonio Carlos Rezende, Batista, Ênio
Mello, Clóvis Telles, reportagens com Valdomiro Moraes, Valtair
Santos, Silvio Benfica, Antonio Carlos Macedo, Machado e outros que
quero lembrar e dividir lembranças, um dia desses. Trabalhava de
carteira assinada, nas quartas, sábados e domingos, para não
interferir no trabalho no Banco do Brasil, funcionário concursado
desde 1974.
E
o celular? Espere um pouco, que já explico.
NA GAÚCHA, DE MALA E CUIA – Em 1980, com a compra da
Farroupilha pela RBS, desembarquei na equipe de Ruy Carlos Ostermann,
depois a do Armindo Antônio Ranzolin que garantiu minha escalação na
equipe rural (jogos do interior) e quando dava, até mesmo a dupla
grenal. Grenal mesmo, só de juniores, mas tudo bem. Aprendi muito
com os craques da Gaúcha. Fiquei no time por muitos anos (tenho que
ver na carteira do trabalho qual foi a data da demissão), até optar
pela política, em 1985. Continuei como freelance, até mesmo quando
já era deputado em 1995. Fiz as primeiras transmissões "off-tube" e
também jogos fora do Estado. Acabou na famosa transmissão dos 34
abraços, o coordenador Valter Gonçalves dos Santos, se diverte
contando.
E
o celular? Aguenta, deixa a saudade sair do peito.
SOLIDÁRIO COM OS TÉCNICOS - Ajudava nas chamadas à CRT, para
testar linha "Alô CRT, alô CRT", por vezes, por mais de uma hora,
tamanha precariedade. Mas não tinha problema, pois em 1963, quando
comecei na Rádio Cacique, a gente passava a madrugada chamando a
ZZP2 do Dentel, que do Rio, controlava as emissoras, potência,
sintonia, etc. O Wilson Wrubbel sabe muito bem do que estou falando.
O frei René Onzi, meu iniciante em rádio, mais ainda.
LAURO E LASIER NO SSB - Eles nem lembram mais, mas em 1968,
numa final do Campeonato de Acesso, transmiti Cruzeiro x Ypiranga,
minha estréia na Rádio Difusão de Erexim (naquele tempo era com x,
Erechim), com SSB. Eu e o Francisco Dias, a nossa voz no SOS
Caminhoneiro (tem gente que já me denunciou, achando que Francisco
Dias e Francisco Appio são os mesmos), bobagem, o Chico é muito
melhor do que eu na latinha. O Lasier e o Lauro não conseguiram
transmitir pela Guaíba, deu "crepe" na linha da CRT e nos auxiliaram
com comentários, por convite do narrador. Foi muita honra e garantia
de audiência.
Mas o que tem a ver com o celular?
ROLOS DE FIOS - Esperem aí, tenho que contar que nos anos 60,
70, 80 e 90 o narrador ajudava a desenrolar e enrolar as bobinas dos
fios de reportagem, normalmente mais de 100 metros para cada
repórter (dois fios, um para o microfone e outro para retorno).
MOTOROLA FOI PRECURSORA - Na década de 80, a Guaíba entrou
com a "motorola”, que o Edgar Schimit exibia com vantagem de
deslocamento. Lá na Rádio Bandeirantes inventaram e venderam aqui um
aparelho de mão, sem fio, funcionava bem. A briga era com o retorno,
tinha que ter um radinho no ouvido. Foi o precursor do celular.
ASSALTO COM 38 E CELULAR - Eleito em 1990, assumi em janeiro
de 1991. Voltando de Cachoeirinha, onde participei de debates, parei
na Plínio Brasil Milano. Quando abri a porta, apareceu a metade de
um braço com boa camisa, relógio bem acabado e até pulseira de ouro.
O diabo é que na mão tinha um 38, cor grafite, bem engraxado a
julgar pelo cheiro do lubrificante.
- Me dê a carteira, gritou
o assaltante. Dei, rezando que ele não ficasse raivoso, pois tinha
pouco dinheiro. 70 ou 90, não lembro.
- Me dê a arma, ameaçou o
bandido. Não dei, não tinha.
- E aquilo ali (no
painel)? Era um celular analógico que pesava 1 kg, ligado à uma
bateria de 3 kg. Não dei, não deu tempo.
- O que está olhando?
Perguntou, estranhando que eu só olhava para o outro lado.
-
Não quero ver a tua cara, reagi assustado. Fui orientado pela
Segurança da Assembleia a nunca olhar os olhos do assaltante.
Aí o meliante me surpreendeu. Mandou descer e que não olhasse para
sua cara. Me disse para contar até vinte, sem olhar para trás. Foi o
que fiz, temendo um balaço pelas costas. Ouvi o carro sair em
disparada. Olhei ao redor e percebi alguns homens numa casamata,
numa casa na esquina do Zaffari da Plínio Brasil Milano. Viram tudo,
nada puderam fazer, pois se houvesse tiroteio, uma bala sobraria
para o recém eleito deputado estadual, quase ex-narrador de
futebol.
A VIDA MUDOU - O celular não foi o responsável pela mudança
(de estilingue para vidraça), a opção de narrador para a vida
pública foi por idealismo, por várias razões. Conto outro dia. O que
o celular fez em 1991, foi salvar a minha vida.
- O bandido viu nele
(celular dos mais antigos, pelos quais paguei uma fortuna pelo
aparelho e outra pela linha) uma arma, como não podia tirá-lo do
painel, levou o carro e abandonou condutor que lhe deu certeza, não
o reconheceria nunca, pois não olhou na cara do bandido.

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