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18/03/2009
- DEIXEI DE LADO O CORAÇÃO PARA VOTAR COM A CONSTITUIÇÃO
A votação do VETO ao Projeto de Lei 285/2008 causou
profundos arranhões à imagem deste parlamento. A troca
de insultos das galerias ao plenário e a “briga de
torcidas” levou o presidente a advertir com a retirada
dos manifestantes.
Da tribuna, alguns deputados banalizaram o debate à
posição de FORA YEDA, outros preferiram discutir o
mérito para marcar posição perante o funcionalismo.
Poucos se dedicaram à inconstitucionalidade das emendas
parlamentares dos deputados Raul Carrion e Raul Pont,
que ampliaram a anistia proposta pelo PL 285/08 do
Executivo.
Um deles apresentou a página de um jornal que abordou as
dificuldades do governo em obter votos na base aliada. A
matéria reduziu o tema à mera negociação de votos com o
Governo. Neste ponto, cabe o esclarecimento a bem da
verdade.
Não votei a favor do veto por outra razão, que não tenha
sido a da convicção. A confusão foi criada na origem das
informações:
1. O jornalista autor da reportagem, ao me consultar,
ouviu a resposta de que estava discutindo idéias com as
bancadas. Quando insinuou que se tratava da discussão
sobre cargos, rebati a informação e encerrei a
entrevista. Não tenho e não quero cargos.
2. O mesmo jornalista ouviu o deputado Jerônimo
Goergen e ao indagar se a discussão era sobre cargos,
ouviu dele que não era verdade. E que o deputado Appio
defendia reivindicações da região. Saiu publicado que
pleiteava o Aeroporto e a RS456.
3. No mesmo dia da publicação, fui à Governadora Yeda
Crusius (1ª audiência, em 26 meses de governo),
acompanhado pelo líder João Fischer. O Projeto da
prorrogação dos contratos de pedágios e a tentativa de
aumentar o ICMS haviam criado uma considerável distância
entre o parlamentar e o governo, entre o eleitor e a
candidata.
4. Apresentei ofício à Governadora, relatando que na
Região Nordeste e os Campos de Cima da Serra (mais de 40
municípios) não têm nenhuma obra de infraestrutura do
seu governo, em andamento. A Governadora reiterou a
inconstitucionalidade das emendas. Assegurei que votaria
a favor do Veto, com os fundamentos de ilegalidade.
5. Não disse que não tinha votado o Projeto de Lei e
lamento não ter dito que foi em novembro que começaram
os equívocos, pois o PL veio com regime de urgência,
dispensando o exame da CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça). Tivesse tido a tramitação normal, as emendas
com vício de origem teriam sido recusadas. Mas o
Executivo, reiteradas vezes, dispensou a ajuda da CCJ,
Comissão que presidimos em 2007/08 através do pedido de
regime de urgência ou até mesmo da retirada de quórum na
Comissão. Sempre tive posição firmada de que todos os
projetos devem passar pelo crivo da CCJ, antes da
votação em Plenário.
6. A governadora forneceu informações sobre o
Aeroporto e determinou ao DAER que informasse sobre as
obras suspensas na região.
7. Como a informação do jornal partiu do deputado
Jerônimo na ânsia de ajudar o Partido Progressista,
recusei a polêmica e desautorização da fala do
parlamentar, que rechaçou a discussão por cargos, no que
fez muito bem. Lembro que Jerônimo ligou ao jornalista
para esclarecer a minha posição. Lamentavelmente o
jornal nada publicou.
8. Mudar o voto para desmentir a matéria? Ou ficar com
o dever e a convicção? Deixei de lado o coração, para
votar com a Constituição. Ficou a confusão, pois
ocorreu – aos que leram e foram muitos – que estava
votando em troca de obras para a região.
9. Publiquei nos jornais da minha região e inseri no
site que mantenho na internet o conteúdo do ofício à
Governadora, que foi protocolado pelo chefe de gabinete,
sempre com o testemunho do líder de bancada João
Fischer.
Faço reparos à conduta política do Palácio Piratini. Não
foi oportuna, e tampouco produtiva, a vinda de um
batalhão de CCs para defender o Veto com cartazes e
baners pelo voto sim.
Faço reparos à conduta dos sindicatos, que preferiram
agredir verbalmente parlamentares que não votavam com
seus interesses, fechando a porta para negociações
futuras. Com os métodos adotados, fica difícil pensar
que estas lideranças possam ser respeitadas aqui.
Quanto ao Projeto de Anistia que foi protocolado por
iniciativa parlamentar, ao meu ver, não prosperará na
CCJ, por vício de origem. Não passará de uma inteligente
jogada política, no clamor do debate e da derrota no
painel.
Mantenho a coerência. Entendo o mau juízo provocado pela
informação do jornal. Aceito as desculpas do
deputado-presidente e na defesa do nosso Partido.
O PP compreendeu o silêncio de Mano Changes e a ausência
justificada da Silvana Covatti, fechando questão por
unanimidade, diante da clara inconstitucionalidade
invocada.
Insisto que o PP mantenha os canais de comunicação
abertos para buscar a anistia de quem foi levado à greve
pelo medo das alterações do Plano de Carreira e do Piso
Salarial.
Nosso compromisso histórico com o professor que parou
para defender seu emprego, recuperou os dias parados e
hoje contesta a partidarização do debate, deve ser
reafirmado.
Foram-se os
anéis, ficaram os dedos.
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