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17/08/2009
- CELULAR É METRALHADORA
"Não foi o crime que se organizou, mas a sociedade que se
desorganizou", concluí como Relator da CPI do Crime
Organizado de 2000. Esta teoria sobre a desorganização veio com a
desburocratização do Ministro Beltrão, desculpem a rima. Por
exemplo, quando foi suprimida a "matrícula", documento
pelo qual o proprietário autorizava determinado motorista a conduzir
o veículo, a bandidagem fez a festa. Quando um caminhão é
furtado/roubado, se o bandido tiver CNH leva o caminhão até o
Paraguai, sem ser importunado, a menos que a quadrilha libere o
motorista/vítima e o alarme seja dado. Na maioria das vezes, o
condutor inocente fica preso "sequestro-relâmpago",
amarrado no mato por 19 horas, como aconteceu com um caminhoneiro de
Eldorado do Sul, perto de Vacaria, há três meses.
Quando um dos assaltantes
atravessou a fronteira, usou o celular para avisar o sequestrador
que poderia soltar o caminhoneiro. E apesar da luta para resgatar
"a matrícula", encontramos barreiras. Dizem que
burocratiza as empresas, não reconhecem que dificulta a ação
criminosa. Uma emenda de nossa autoria entrou no Projeto de Lei
187/2007 do deputado Mário Negromonte, na Câmara Federal. Foi
transformado na Lei Complementar 121/2006, mas a parte da matrícula
não foi implementada. Apelamos ao Alfredo Perez, presidente do
Contran, para que conclua esta cadeia de dificuldades para os
bandidos, mesmo que algumas empresas reclamem da burocracia. Na
próxima, escrevo sobre os celulares não identificados a serviço do
crime organizado.
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