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05/03/2009
- FEIJÃO: O PROBLEMA É A PAUTA
Em ofício ao
Secretário da Fazenda e manifestação na tribuna da
Assembléia, o deputado Francisco Appio denunciou a
exagerada tributação do feijão gaúcho. Apontou a pauta
de R$ 160,00 a saca de 50 kg como injusta e irreal pois
o feijão está sendo comercializado entre 70 e 80 reais,
com alíquota de 12%, bem superior a alíquota de
comercialização em Santa Catarina que é de 1% com pauta
ajustada à realidade.
Veja abaixo,
na íntegra, o pronunciamento que também abordou a crise
das máquinas agrícolas, a qualidade dos combustíveis e a
abertura da colheita da maçã.
Clique aqui e leia também a cópia do ofício encaminhado
pelo deputado ao Secretário da Fazenda.
DISCURSO DEPUTADO APPIO EM 03/03/2009
Gostaria de
falar sobre o veto, mas a nossa bancada ainda o está
discutindo. Nosso líder, deputado João Fischer, e o
líder de governo, deputado Pedro Westphalen, têm
debatido com os parlamentares do Partido Progressista o
momento importante que estamos atravessando,
especialmente essa relação com o governo, a relação com
a sociedade, a relação com a educação.
Falo, então,
de um problema sério, setorial, relacionado à produção
de feijão nos Campos de Cima da Serra.
Podem não ter
conhecimento, mas Vacaria é um dos maiores produtores de
feijão do Rio Grande do Sul, e lamentavelmente estamos
assistindo à migração dessa cultura para outros Estados
via contrabando, o que, por conseguinte, lesa o
interesse público, escapando do controle do Estado
devido à altíssima carga tributária, uma pauta
insustentável de 160 reais, quando o feijão está sendo
comercializado a 80 reais a saca. Isso significa
estimular o contrabando do feijão, porque do lado de lá
a alíquota é de apenas 1%.
Ora,
reiterados apelos feitos ao governo, principalmente à
área econômica, não têm sido respondidos, passam ao
largo. Parecem indiferentes ao que está acontecendo.
O Dr. Cláudio
Bier veio há poucos dias a esta Casa apresentar uma
proposta e apelar aos deputados que intercedessem junto
ao governo para ser ouvido sobre o sindicato das
empresas fabricantes de máquinas agrícolas, mas até hoje
não foi recebido pelo governo – e vejam que este é um
momento de crise, de desemprego, um momento em que a
força do governo tem de se fazer sentir como solução, e
não como obstáculo.
Também
aproveito a oportunidade, Sr. Presidente, para requerer
a V. Exa. que se transcreva nos anais da Casa uma
matéria publicada recentemente no espaço Opinião, do
Correio do Povo. Sob o título A Qualidade dos
Combustíveis, o editorial traz mais uma vez o problema
da falta de controle na qualidade dos combustíveis,
quando sabemos que muitas distribuidoras de outros
Estados, no Rio Grande do Sul, não cumprem rigorosamente
ou adequadamente a legislação, seja no que diz respeito
à qualidade do combustível, seja quanto ao tratamento
tributário. Obrigado, Sr. Presidente.
Venho a esta
tribuna para registrar que a maçã que está chegando às
gôndolas dos supermercados está saindo dos 14 mil
hectares de pomares do Rio Grande do Sul, onde devem
estar trabalhando mais de 15 mil trabalhadores rurais,
em que pese a esdrúxula norma adotada na instrução
normativa n° 65, que criou enormes dificuldades para os
trabalhadores e para os empregadores.
Essa instrução
normativa exige que o trabalhador rural saia com exame
médico, carteira assinada e atestado liberatório do
Ministério do Trabalho, o que é possível na sua cidade,
Uruguaiana, deputado Frederico Antunes, um dos poucos
Municípios com delegacia no Rio Grande do Sul, mas não
na maioria dos 250 Municípios de onde são recrutados,
repito, de 12 mil a 15 mil trabalhadores em cada safra,
todos com carteira assinada, exame médico, alojamento,
refeitório, transporte, segurança e direitos
trabalhistas preservados, mas sem a possibilidade de
cumprir com uma norma que não foi votada, não foi
discutida e a qual o ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
não percebeu que, neste momento de crise, é um tiro no
pé do trabalhador rural brasileiro.
Mas, de
qualquer sorte, a safra da gala está chegando ao final.
E o que se constata, apesar de uma boa produção, é uma
perda extraordinária de 300 mil toneladas de maçã, pelo
efeito danoso do granizo. Entre o Rio Grande do Sul e
Santa Catarina, um terço da safra da maçã brasileira
está se perdendo nos pomares por não haver um sistema
hoje eficiente para controle do granizo. Tentaram no
passado, deputado Aloísio Classmann, canhão antigranizo
e várias outras formas, mas nada resolveu o problema.
Perdemos,
repito, 300 mil toneladas. A indústria vai, sim,
produzir suco de maçã, só que ao produtor,
lamentavelmente, paga apenas 8 centavos por quilo.
No próximo dia
13, em Vacaria, será realizada a abertura da colheita da
maçã, justamente entre as safras da gala e da fuji.
Todos estão convidados.
Em Vacaria,
principal produtor do Estado dessa fruta, existem
armazéns e câmaras frias para 220 mil toneladas de maçã.
Essa fruta é capaz de gerar empregos diretos e indiretos
e vincula a economia da região ao seu sucesso ou,
lamentavelmente, ao seu fracasso.
Todos os
segmentos da cadeia produtiva, da cadeia logística à
exportação, dependem do tempo nas próximas semanas,
período em que será completada a colheita.
No evento,
estarão o BRDE, o Banco do Brasil, o Banrisul, a Caixa
RS, o Sicredi. Espero que todos os colegas possam
comparecer. Estamos remetendo convites aos gabinetes
para que testemunhem a verdadeira face da maçã: aquela
que gera empregos, impostos, bem-estar e qualidade de
vida. Olhem para essa fruta como algo que realmente é
capaz de impedir que a crise atinja os Campos de Cima da
Serra e boa parte deste Estado.
Nesse
segmento, surgiu um setor inteiramente novo, um novo
incremento para a região. Deputada Marisa Formolo, V.
Exa. poderá testemunhar, porque esteve sábado na
formatura da UERGS, em Vacaria. Somos hoje um grande
entreposto de frutas procedentes do Chile e de diversas
outras localidades. É o translado que se faz para as
unidades de distribuição de todo o País, exigindo maior
capacidade de armazenamento e maior logística de
escoamento da produção.
Sejam
bem-vindos no dia 13 de março. Estaremos esperando a
todos na próxima semana para consagrarmos essa união da
cidade com o campo, com a lavoura, com o pomar e,
principalmente, com o fruto, que é a maçã, tão deliciosa
e para a qual os americanos têm um ditado: Coma uma maçã
por dia e fique longe do médico. |