02/09/2009 - SUBCOMISSÃO DOS CAMINHONEIROS

A reunião das autoridades (Polícia Civil e Brigada Militar) com a iniciativa privada (Sindicatos e Federações) não é nova. Também não é nova a ausência e omissão de alguns órgãos públicos, que poderiam criar dificuldades à bandidagem. 

 

Por mais de dez anos, Francisco Appio presidiu a Subcomissão dos Caminhoneiros Desaparecidos. A força-tarefa foi recriada, diante do crescente aumento do furto e roubo de cargas no estado. Pelo menos três caminhões são furtados e roubados por dia, no Rio Grande do Sul. Mas nas estatísticas, isso não aparece. Alguns caminhoneiros não registram, pois são contatados para resgate. Preferem pagar o resgate e ter seu caminhão de volta. Estas atitudes estimularam uma nova onda de crimes através do seqüestro para resgate, extorsão e chantagens. Na maioria das vezes, perdem o caminhão, o resgate e ainda sofrem violência física. 

A Polícia civil se queixa da falta de leis mais severas e critica a soltura de presos em regime semi-aberto. Na maioria dos assaltos, são delinqüentes foragidos que saem da prisão para assaltar e roubar e assim capitalizar as quadrilhas presas.  Em Canoas neste ano, 15 quadrilheiros foram presos, mas não tiveram a Prisão Preventiva homologada pela Justiça. Foram soltos, sob argumento de que não há cadeia para todos e que não seriam perigosos para a sociedade. Uma semana depois um motorista de Eldorado do Sul, foi seqüestrado e ficou 19 horas acorrentado no  mato, perto de Muitos Capões na br 285, enquanto o caminhão era desovado no Paraguai. No caso de Canoas, a Polícia e o Ministério Público recorreram, o Tribunal de Justiça modificou a decisão do juiz, mas os bandidos fugiram antes do cumprimento do mandado de prisão. 

A Subcomissão reunir-se-á às quartas feiras, onze horas, logo depois da reunião da Comissão de Direitos Humanos. 

EDER DAL'LAGO (FECAM) defendeu a maior fiscalização para evitar o furto e roubo de cargas. Lamentou a extinção da matrícula, mas está otimista com o recadastramento da ANTT, que criará dificuldades para as quadrilhas. 

RANOLFO VIEIRA (DEIC) – O delegado responde pela maior força-tarefa de combate aso crime, preocupado com a vinculação entre roubo de cargas/drogas e assaltos a bancos. Lamenta que o grande vilão esteja solto – O RECEPTADOR  que compra e vende mercadoria roubada. “Fechamos o desmanche num dia, no outro está reaberto com liminar da justiça”.   

GUILHERME WONDRACEK (DFRVC) – é A Delegacia Especializada no combate ao roubo de cargas (0800.510.2828), mas como dispõe de um contingente modesto de policiais, atua apenas na região metropolitana. Reclamou a facilidade com que os bandidos abrem a cabine de um caminhão, sugerindo que os transportadores pressionem os fabricantes. 

ALEXANDRE PINHEIRO(BM) –  O capitão integra o Comando Rodoviário da BM, que já mapeou os locais de maior incidência de assaltos no estado.  Reconhece que a integração com outras forças trará melhores resultados. 

ELTON WIETIED (AFOCEFE) – O presidente da Associação dos Técnicos do Tesouro do Estado, e o ex-presidente Carlos Demartini, lamentaram a falta e atribuições para a categoria. Sugeriu que as cargas roubadas podem estar sendo legalizadas na fronteira. A Fazenda autua, cobra a multa e o imposto e legaliza a carga. Isso corre por falta de legislação específica. Brigada Militar e Policia Civil, não são avisadas, quando o caminhão transporta carga sem nota. Também registraram que estão sendo fechados mais dois postos de fiscalização, entre eles a do Pinhal da Serra, Divisa com SC. Dos 15 postos previstos, nenhum está funcionando. Das 80 volantes prometidas, apenas 30 operam. E a nota eletrônica poderá prestar-se à fraude. A Fazenda fiscalizará apenas as empresas legais, deixando de lado as clandestinas em farmácias, supermercados, comércio de carros e pneus. 

JAIME BORGES (SETCERGS) – Vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas dirige uma Comissão especial que mobiliza as autoridades. Lamentou a falta de Estatísticas confiáveis, sobre roubo de cargas no estado. 

LUIZ CARLOS BORSA (SETCERGS) - Resgatou a funcionalidade do “cara/crachá” que cria dificuldades para os bandidos. As empresas fornecem e exigem carteira funcional, assim como fazem os táxis de Porto Alegre. Mas não há lei que obrigue a identificação do motorista e sua vinculação com o caminhão (matrícula). 

PAULO ZIEGLER (SETCERGS) – O jornalista do sindicato, acompanhou os 10 anos da subcomissão anterior e acredita no resultado das reuniões que aproximam transportes e autoridades. Pediu a presença da Secretaria da Fazenda, para combater o ”receptador” o grande mentor do crime de furto e roubo de cargas. 

FRANCISCO DIAS (SOS CAMINHONEIRO) – O jornalista que colocou sua voz a serviço do caminhoneiro, atende pelo telefone 51.935.11222. Juntamente com o deputado Francisco Appio, denunciam que as ocorrências de furto e roubo de cargas e veículos da sexta, sábado e domingo, entram no RENAVAN, apenas na segunda-feira. O bandido sabe disso e aproveita-se deste lapso operacional, para levar o caminhão aio Paraguai. 

ALEXANDRE POSTAL – O Ex-Secretário de Transportes e o deputado Francisco Appio, somam boa experiência nesta área e atuam junta aos transportadores. Lamentam que muitas leis aprovadas para combater o crime, não sejam cumpridas, nem mesmo pela sociedade organizada. Exemplo a lei 12.876 que proíbe a ocultação do ID celular.  A lei ganhou prêmio nacional, mas alguns órgãos de imprensa, governamentais e privados não respeitam a lei e continua exibindo as mensagens “não identificado”, “privado” ou “desconhecido”, ou ainda “número particular”. O bandido sabe disso e usa a seu favor, em seqüestros-relâmpagos, para resgate, extorsão chantagens.

MARISA FORMOLO e MARQUINHO LANG, membros da Subcomissão – não participaram, pois estavam ausentes em missão oficial. 

PRÓXIMA REUNIÃO – Dia 09/09/09, às 11 horas no 3º andar da Assembleia Legislativa.

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