29.04.2008 REFÚGIO ECOLÓGICO OU PAIQUERÊ NO PELOTAS?

A presença da Polícia Federal armada, com viaturas policiais e o acréscimo de integrantes da Brigada Militar intimidaram os participantes da Consulta Pública sobre a criação do Corredor Ecológico, que o Ministério do Meio Ambiente promoveu ontem à noite (28) em Bom Jesus, A denúncia é do deputado Francisco Appio (PP), que na abertura dos debates protestou contra o que chamou de "aparato armado para calar a boca dos proprietários" preocupados com o projeto.

Conforme Appio, os técnicos do MMA entregaram um "prato feito", realizando a audiência apenas para cumprir o rito do processo, que em setembro será entregue à ministra Dilma Roussef, chefe da Casa Civil da Presidência da República. O Corredor Ecológico projetado pelo MMA, pretensamente compensará perdas ambientais da construção da Usina da Barra Grande, no rio Pelotas.

O deputado progressista entende que o parágrafo 1º do artigo 33 do projeto, que define as restrições, não admitindo o plantio de árvores exóticas, impedindo expansão da floresta comercial e até mesmo da pecuária regional, decretará o congelamento das atividades econômicas da área. "Já o parágrafo 2º, do mesmo artigo, ao propor a desapropriação de toda propriedade que não se comportar como determina o administrador do Refúgio Ecológico, abre um precedente inexplicável e se constitui num instrumento de caráter ideológico e numa ação para enfraquecer a área rural e produtiva do Estado", acusa.

Appio afirma, ainda, que o Ministério do Meio Ambiente não tem se mostrado competente para administrar áreas de preservação. "No Parque Nacional dos Aparados da Serra (Itaimbezinho), por exemplo, o IBAMA arrecada o ingresso do turista, mas não paga a vigilância há cinco meses e ainda precisa contar com funcionários da prefeitura de Cambará do Sul para manter suas atividades" relata.

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