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27.06.2008
- O SAUDÁVEL HÁBITO DO VINHO
"É alimento, se tomado moderadamente
(um bitierroto ao meio dia e outro à noite), é uma
bebida saudável, indispensável na mesa das refeições.
Isso não vem de agora, desde os tempos medievais que o
vinho faz a felicidade do homem. E o mais importante: é
um produto natural (os antigos chamavam as mulheres para
esmagar as uvas com os pés), alimenta, combate algumas
doenças como arteriosclerose, gera empregos e impostos.
Parece-nos que para os governantes esta última
(impostos) é a virtude mais importante, pois tratam de
taxar com pesados tributos o pobre do vinho,
especialmente gaúcho". O comentário é do deputado
Francisco Appio, que desde que ingressou na Assembléia
Gaúcha em 1991, vê o setor bater na mesma tecla. Segundo
ele, melhorou um pouco com a implantação do Fundo Vitis
e a criação do Ibravin há 12 anos, onde parte dos
impostos retorna ao setor para pesquisa e promoção. Appio
continua sua velha e antiga denúncia: "O nosso vinho tem
mais de 42% de impostos, diretos e indiretos e recolhe
o ICMS quando as garrafas/garrafões deixam à cantina,
bem antes do consumo. Esta elevada carga tributária
retira a competitividade do produto gaúcho, nas gôndolas
dos supermercados, onde vinhos chilenos, argentinos e
uruguaios ostentam preços milagrosos. Por causa disso há
redução do consumo, que está afetando a economia de boa
parte dos gaúchos. Com uvas produzidas na serra gaúcha e
no extremo sul, mais de 15 mil famílias (100 mil
pessoas) cultivam as videiras, fazem tratamento e colhem
milhões de toneladas que entregam às vinícolas para
elaboração do vinho, não sabem quando e quanto vão
receber em troca. E já sabem que no ano que vem as
cantinas vão comprar 25% menos de uvas, pois têm
estoques excedentes de vinho". A afirmação é do deputado
Francisco Appio, na Frente Parlamentar em Defesa da Uva
e do Vinho.
Coordenado pelo deputado Alberto
Oliveira (Flores da Cunha), o Movimento denuncia nove
desvantagens:
-
Inexplicável contrabando de vinhos
do Mercosul.
-
Legislação permissiva de sangrias,
coquetéis e bebidas mistas que enganam o consumidor.
-
Altos subsídios nos produtos
estrangeiros.
-
Tributação excessiva e injustiça
tributária. Produtos iguais com impostos diferentes.
-
Falta de estoque regulador.
-
Garantia de preços mínimos para uva
e vinho.
-
Financiamento para qualificação do
setor.
-
Maior custo dos insumos no país,
comparado com os países do Mercosul.
-
Acordos comerciais com outros
países, discriminam nosso vinho.
O deputado Francisco Appio alertou
para dois outros fatores, que reduziram e prejudicaram o
consumo do vinho originários de uma lei não discutida
com a sociedade, a malfadada Medida provisória 415.
1º - O governo Lula proibiu a
venda em hotéis, restaurantes e comércio nas rodovias
federais por 120 dias.
2º - A MP 415, agora lei
definitiva, fixou a tolerância zero para a bebida, com
multa, perda da carteira e prisão.
Os consumidores estão abandonando os
hábitos de almoçar e jantar fora, bem como
buscando alternativas para festas de aniversários e
casamentos. Temem a perda da CNH, apreensão do veículo,
multa e prisão se forem pegos nas blitz da Brigada
Militar. Vinho agora, só em casa.
A lei é boa, mas exagera na dose,
comenta o parlamentar, reconhecendo que está havendo uma
brutal mudança de hábitos. O pior é que a bebida não é
a única causa dos acidentes, estamos esquecendo as
outras. Em porto Alegre, no ano passado, morreram 168
pessoas em acidentes de trânsitos, apenas em 16% dos
casos os motoristas ingeriram bebida e nem sempre o
vinho. Aí tem outras bebidas quentes e até drogas, que
não sofrem o mesmo rigor da lei. O governo botou "tranca
de ferro em porta arrombada", culpando a bebida pelas
mortes no trânsito. "Tapa o sol com a peneira", pois a
frota de veículos aumentou espantosamente e as estradas
continuam as mesmas, enriquecendo as empreiteiras dos
pedágios, que lucram cada vez mais. E o governo não tem
coragem de implantar a Inspeção de Segurança Veicular,
pois tem medo do impacto com proprietários de carros
velhos, de vinte e até vinte e cinco anos, que continuam
circulando, alguns com pára-choques amarrados com arame,
completa o deputado coordenador do SOS Caminhoneiro.
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