22.09.2008 - CAMINHONEIROS EXCLUÍDOS DAS ELEIÇÕES 

O VOTO EM TRÂNSITO É UMA FARSA - Alijados do processo eleitoral, milhares de caminhoneiros deixarão de exercer o direito ao voto no dia 5 de outubro. Porém, terão o dever de justificar a ausência, comparecendo a uma secção eleitoral ou correio para apresentar sua justificativa. O VOTO EM TRÂNSITO É APENAS UMA JUSTIFICATIVA, excessivamente burocratizada. O mais moderno sistema de votação, via urna eletrônica, capaz de apurar as eleições no país em poucas horas e com segurança,  não contempla o eleitor em trânsito. Mais de 15% dos eleitores deixarão de votar, por estarem fora de seu domicílio na condição de eleitores em trânsito.

CAMINHONEIROS ATINGIDOS pela exclusão eleitoral, ao lado dos representantes comerciais, pessoas em tratamento de saúde ou a serviço de empresas e do próprio poder público. Esta absurda exclusão ainda não mereceu a atenção dos legisladores, muito menos das autoridades. Motoristas queixam-se da falta de representação política, mas sabem que quando puderem votar, a bancada dos caminhoneiros aumentará.

500 MIL NO ESTADO, entre autônomos e empregados, compõem a força-tarefa de entregar grãos, alimentos, bens de consumo, remédios, veículos, máquinas e pessoas de porta a porta, como nenhum outro modal (aéreo, ferroviário ou marítimo ) é capaz de fazer. Segundo estimativas do SOS Caminhoneiro, entre os 180 mil cadastrados pela FECAM, 25 mil do SINDICARGA, que atuam como autônomos, somam-se outros 300 mil motoristas, empregados das 16 mil transportadoras afiliadas ao SETCERGS.

FORA DO DOMICILIO - Estima-se que 75% dos motoristas gaúchos estarão fora de seus domicílios no dia 5 de outubro e deixarão de votar. Na semana seguinte, em 12 de outubro, dia da Festa de Nossa Senhora Aparecida em São Marcos, a maior festa de caminhoneiros do país, será tema de debates.

CAMINHONEIROS NO PAÍS devem superar a marca de cinco milhões de pessoas.  O país tem 657.606 motoristas autônomos e milhares de empregados nas 307.980 empresas de TRC e 2.941 cooperativas de transportadores autônomos. Com pouca representação política e reconhecido como segmento de segurança nacional, o TRC – Transporte Rodoviário de Cargas – não consegue influir nas políticas públicas.

  • As cidades não têm planejamento para acesso dos caminhões.

  • Pagam altas taxas de impostos e pedágios para manter rodovias.

  • Vítimas do crime organizado que seqüestra e rouba com freqüência.

  • Dez motoristas continuam desaparecidos, desde a década de 90.

  • Não se organizam na defesa de seus direitos por falta de tempo.

  • Terceirizados sofrem concorrência predatória pela falta de união.

  • SEST/SENAT não consegue abrir novos postos para ampliar a cobertura.

Mas nem tudo é tragédia na vida do caminhoneiro. Na serra gaúcha há sedes campestres em Garibaldi, Bento, Veranópolis, São Marcos, Vacaria, Lagoa Vermelha, Sananduva, São José do Ouro, entre outras.

O SEST/SENAT presta serviços de assistência médica, odontológica, cursos e treinamento em Caxias do Sul, Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, e outras. Brevemente estará na saída norte do Estado, na BR-116 em Vacaria, conforme antiga promessa do presidente Paulo Caléffi (Fetransul).

Em Marau e Ibiraiaras estão organizadas as cooperativas de transportadores autônomos que conseguem melhores fretes e vantagens com fornecedores.

Apoiados pelos grandes concessionários, os transportadores autônomos e de empresas renovam suas frotas através de consórcios. Neste mês o Grupo MECACIL de Vacaria, com filiais em várias cidades gaúchas e catarinenses, comemorou seu cinqüentenário de fundação. Na confraternização reuniu lideranças do município e clientes, recepcionados por Wilfredo Vitório Drago e esposa Ana Dirce que dirigem a empresa.

No dia 17 comemoramos o Dia do Transportador. Clique aqui e leia no JORNAL VIRTUAL a crônica de Sérgio Gonçalves Neto, presidente do SETCERGS sobre a data.