19/10/2008 -VACARIA COMEMORA SEU 158º ANIVERSÁRIO

Não se pode fazer a comparação entre Vacaria (2008) e Vacaria (1850), ano da emancipação, muito menos Vacaria (1750), ano da fundação. Porém, podemos traçar um paralelo entre Vacaria (1900), graças ao escritor e professor José Fernandes de Oliveira, autor de Rainha do Planalto, editado em 1959. Mais notas obre o professor Zezinho no rodapé. 

VACARIA DE 1900 – No início do século, José Fernandes de Oliveira participou ativamente das ações para o lançamento da pedra fundamental da Catedral de Nossa Senhora da Oliveira, substituindo o General Firmino Paim Filho, que eleito Senador, transferiu sua residência de Vacaria. Em seu livro, 59 anos depois o professor Zezinho descreveu o núcleo da Vacaria dos Pinhais de 1900, com 140 casas, apenas 10 de alvenaria, com 631 habitantes. A maioria residia no interior, nas famosas Fazendas de grandes proprietários. Muitos tinham casas na cidade para seus filhos estudarem.

 A PRAÇA DAS FESTAS POPULARES - A Festa do Divino era um dos principais acontecimentos do ano, existindo o Império do Divino no centro (antiga Renner) junto à única praça de eventos, a Praça Daltro Filho. As Cavalhadas movimentavam seus habitantes com vários eventos durante o ano. Em sua obra histórica José Fernandes de Oliveira publica foto na página 192 de Rainha do Planalto, mostrando a igreja existente no local, bem como a cruz e o castelo dos mouros. Não existiam Rodeios nem Tiros de Laço, muito menos jogos de futebol. Comemorava-se com entusiasmos, as Cavalhadas, a Festa do Divino e as festas dos Santos Reis Magos, Alegoria do Boi, São Sebastião, Entrudo, Quaresma, Santo Antônio, São João, São Pedro, Nossa Senhora da Oliveira, Pão por Deus e Missa do Galo.

RESIDÊNCIAS DE VERANEIO - Os dois maiores líderes políticos, em posições antagônicas, ocupavam as principais casas para eventos. A casa do Coronel Libório Rodrigues, de alvenaria, era usada para festas, pois passava a maior parte do tempo na sua Fazenda da Estrela. Seu rival político, Coronel Avelino Paim de Souza, também ocupava uma casa de sua propriedade apenas nos dias de festas, pois residia na Fazenda, na região de São Paulino, distrito de Ipê.

MORADORES ILUSTRES – Junto à praça, morou em casa alugada o promotor Nabor Moura de Azevedo, patrono de uma das nove escolas municipais da sede. Outro morador ilustre foi o advogado Augusto Diana Terra, bisavô do deputado federal e Secretário da Saúde Osmar Paim Terra. O Intendente de Caxias do Sul, Coronel José Cândido de Campos, era proprietário de uma das 140 casas, alugada para o português Antonio Lopes Quintela, casado com Manoela do Amaral Quintela, pais da professora normalista Vitória e de Julieta, Manoel, Eurico, Alcides e Marieta. Outra casa no centro foi da primeira professora de Vacaria, a senhora Mauricia Cândida Fernandes da Cunha, esposa do tabelião José Fernandes da Cunha. O juiz da Comarca de Lagoa Vermelha, Dr. João Batista Galvão de Moura Lacerda, também foi proprietário de uma casa alugada para a modista Ester Virginia dos Santos. O industrialista Caetano Faccioli, um dos primeiros da imigração italiana, casado com a austríaca Virginia Faccioli, foi proprietário de casa onde residiu, entre o arroio Uruguaizinho e a Ramiro Barcelos. Outro morador de 1900 foi Julio Veppo, casado com Clarisse Paim Veppo e tinha sua residência próximo à rua 15 de novembro. O Dr. Benedito Marques da Silva Acauan foi dono de três casas, uma delas alugada ao padre francês Mário Deluy, vigário da Paróquia.

HÁBITOS E COSTUMES – A água para o consumo dos habitantes no início do século XX vinha da famosa “bica” e dos muitos “olhos d’água” existentes ao redor da vila. O professor Zezinho registra que os aguateiros ganhavam três mil reis mensais. Não havia padaria, nem torrefação de café. Todos torravam o café em casa e tinham farinha em abundância, ao custo de nove mil reis ao saco. A venda do leite com garrafas de apojo a cem reis começou logo depois pela senhora Beatriz Bueno. 

PORTUGUESES E IMIGRANTES – Como hoje – (2008) – a maioria da população era luso-açoriana, com a presença de imigrantes italianos, alemães e polacos, entre os quais o professor/historiador destacou os sírios José Mera Borges, Sarquis Boamar, Antonio Zeiden (comerciantes), os italianos  Caetano Faccioli (industrialista, José Sacchetto (coveiro) Luiz Volante (oleiro) e José Caleffi (agricultor). Registrou a presença dos alemães Germano Alberto Dahm (comerciante), Otto Neis (curtidor), Dr. Jorge Back e o Conde Ernesto Schwartz (engenheiros) e do polonês  Antonio Portachinsky (ferreiro). 

PRIMEIROS MESTRES – Um dos professores mais lembrados exerceu o magistério de 1912 a 1943, quando se aposentou. Homenageado como patrono da principal Escola Estadual, José Fernandes de Oliveira, passou a pesquisa da genealogia das famílias pioneiras. No ensino, registra que o primeiro mestre foi Luís Augusto Branco, em 1831. A primeira professora foi Maria Candida Fernandes da Cunha, em 1862. 

PROFESSORES - O professor José Fernandes de Oliveira dirigiu por 10 anos o Internato  masculino Nossa Senhora da Oliveira. Faz referência a Eduardo Secundino de Oliveira, Joaquim Melo da Rocha, Alberto Wood, Paulino José Faraco, Manoel Silveira Gusmão, João da Costa Cunha Lima, Mário Camargo, Antônio Azevedo Cunha e João Faustino de Oliveira que deixou a escola pública para assumir como Promotor Público, em 1884. Foram professores  no final do século 19, os mestres Carlos de Lavra Pinto, Jorge Luiz Teixeira, Tristão Davila Pinto, Antonio Lopes Quintela Junior, Francisco das Chagas dos Santos Roxo,  Artur Lopes da Silva, Henrique Jaegger, Silvério de Oliveira Ramos e o poeta Cassiano Ricardo (1922).  

PROFESSORAS Constam nas páginas de Rainha do Planalto os nomes das professoras Maria Candida Fernandes da Cunha, oriunda de Sapucaia, Ana Rodrigues Barbosa (Pinhal da Serra), Rita dos Anjos (Capela da Luz), Rita Amandina dos Santos (Fazenda da Estrela). Lecionaram nas escolas da sede: Maria Antonia Paim de Andrade, Rangelina Azevedo Guimarães,  Ester Virginia dos Santos, Ana Oliveira, Paulina Luisa Teixeira, Vitória do Amaral Quintela (1899), Bernardina Rodrigues Padilha (1906), Vitória Quintela Ly (1922), Andréia Ceci Sá Brito, entre outras. 

SÃO JOSÉ E SÃO FRANCISCO - Em 1903 chegaram as irmãs da Congregação de São José, Ana Teresa, Luísa, Teodora, Francisca, Albina e a Madre Joana Vitória, que logo fundaram o Colégio São José. Para os meninos, em 1907 os irmãos maristas fundaram o Colégio São Carlos, que não resistiu muitos anos e foi transferido para Canoas. Os irmãos maristas retornaram em 1920, lecionando na Igreja Velha. O Colégio São Francisco foi fundado, mas o prédio foi inaugurado em 1934, iniciando um novo ciclo do ensino privado, que infelizmente encerrou em 2007, pouco mais de setenta anos depois. 

JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA – O professor Zezinho, filho de Virgolina Fernandes da Fonseca e João Faustino de Oliveira, filho de João Faustino de Oliveira  (São Paulo) e Antonia Maria Chaves (Castro,Paraná). Neto materno de José Fernandes da Fonseca, que casou em 27/08/1849 com Maria Borges Vieira – Mãezinha, Mãe Borges.  O avô era filho de Inácio Fernandes da Costa e Maria Leme de Souza e morreu em 1875. A avó Maria Borges Vieira ficou viúva, mas criou 10 dos 14 filhos. Filha de Manoel Borges Vieira e Gabriela Corrêa de Almeida, neta de João Borges Vieira  e Francisca Rodrigues Xavier, bisneta de Antonio Borges Vieira e Teresa Rodrigues de Jesus. Não sabia ler e escrever, mas era dotada de grande inteligência, e tinha 226 descendentes em 1959 quando seu neto, o professor José Fernandes de Oliveira, escreveu Rainha do Planalto. José Fernandes de Oliveira casou com Videlvina Faccioli, filha do imigrante Caetano Faccioli e Virginia Rosina. O casal teve dois filhos, Maria da Glória (falecida) antes de 1959 e o cirurgião dentista  Homero Faccioli de Oliveira. Irmão de Fausto Viterbo de Oliveira,  do advogado Lídio Fileto de Oliveira, Umbelina Maria, Julieta e Umbelina. José Fernandes de Oliveira e seus cinco irmãos eram filhos de Virgolina Fernandes da Fonseca e João Fautino de Oliveira.