18.09.2008 - QUEIMA-DE-CAMPO, QUEIMADA É OUTRA COISA

Produtores rurais notificados pelas autoridades ambientais pelo manejo centenário da queima-de-campo são chamados a debater as poucas alternativas para o setor, obrigado a recorrer à "sapecada do capim seco, remanescente do rigoroso inverno de geadas e neve nos campos de cima da serra".

 Em regiões que impedem práticas alternativas de roçadas e melhorias de pastagens ou plantio direto, o uso de fogo para eliminar a palha seca favorece a alimentação do gado, pois facilita seu acesso ao capim novo, que brota na primavera. Sem esta prática centenária, os campos são tomados pelas invasoras e transformam-se em potencial de risco para incêndios, estes criminosos, pois atingem florestas e propriedades.

"A queima-de-campo é uma coisa, queimada é outra coisa", sustenta o parlamentar que no ano 2001 propôs e aprovou a Emenda 32 à Constituição do Estado, criando "queima controlada, mediante projeto técnico, autorização da autoridade ambiental, normas de precaução e proteção". A alteração constitucional caiu no Tribunal de Justiça, onde o Relator apontou os danos ao solo, causados pela queima, para julgar inconstitucional a Emenda do deputado Francisco Appio.

Estudos científicos, realizados cinco anos depois, mostram que pelo contrário "a sapecada do capim, incorpora nutrientes ao solo, não eleva sua temperatura, não agride o meio ambiente.  O maior crime é acabar com a pecuária nos Campos de Cima da Serra, liquidando com a produção de carne, promovendo o abandono do campo e o êxodo rural", afirma o parlamentar que questiona as notificações aplicadas.

Quanto as notificações adverte:  "Estas multas são as da Lei de Crimes Ambientais e queima-de-campo não é crime. Nenhum proprietário rural foi condenado pela justiça pela queima-de-campo, é um equívoco dos agentes ambientalistas", lamenta o deputado que reune-se sistemáticamente com os atingidos, refutando a acusação que fazem contra os proprietários rurais.

Nas últimas semanas alguns jornais atacaram a queima-de-campo, identificando-a com fotos de queimadas de árvores e lavouras. “A sapecada é outra coisa e está provado nos estudos científicos do professor Alindo Butzke da UCS, que não há danos ao solo ou meio ambiente, como publicamos no ano passado, na Assembléia Legislativa”.

 E desafia: “Falar mal de pecuarista é fácil, difícil é produzir alimentos. Alguns jornalistas, com formação ecológica da rua da Praia, se divertem atacando os ruralistas que queimam campo, mas desconhecem que sem esta sapecada o gado não consegue se alimentar do pasto novo, após a geada e a neve do inverno rigoroso nos campos de cima da serra.  E estranhamente,  não mencionam os efeitos do ar condicionado que utilizam, na camada de ozônio”.

Appio lamenta mais uma vez: “Nossa Emenda 32, criou a queima-controlada, para evitar a queima clandestina, como tem em todo o país. O Rio Grande do Sul ficou na contra-mão pela pressão burra e intransigente de uma minoria”.

 

 

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