17.09.2008 - NICO FAGUNDES VOLTA À VACARIA

No mesmo dia em que o presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou o novo Aeroporto Salgado Filho (2001) depois de comandar um show artístico para a comitiva oficial, Antonio Augusto Fagundes cumpriu em Vacaria outro compromisso. Foi o principal palestrante do Fórum de Agroturismo, promovido pelo deputado Francisco Appio.  Dividiu a mesa com o cardiologista Fernando Lucchese, prefeito Angelo Pegoraro e outros. O tema de sua palestra foi "O Cavalo e sua relação com o homem". Emocionado, chegou a mostrar lágrimas nos olhos, quando contou de sua paixão pelo tradicionalismo.

“Quando morrer, quero que fiquem ao meu lado, nem que seja por alguns instantes apenas, um peãozinho e uma prendinha, para mostrar que valeu a pena a minha luta para que as novas gerações saibam o que aconteceu no passado e não percam os exemplos dos farrapos”.

Nico Fagundes foi homenageado com um churrasco no galpão da Prefeitura e antes da meia noite, regressou a Porto Alegre.

“Quando no dia seguinte fui acertar o pagamento das despesas, uma voz do outro lado do seu celular me disse que ele tinha sido internado, com isquemia e enfarte e estava na UTI”.  Appio diz que ficou estupefato, pois na viagem que fez levando o tradicionalista de volta a Porto Alegre, ele estava muito bem. “Um pouco calado é verdade, queria histórias engraçadas de comícios, falava pouco, mas não estranhei pois o Nico tinha feito duas grandes  apresentações em menos de doze horas (Aeroporto e Vacaria) e estava muito cansado”.

Nesta quarta-feira (17/09/2008) Antonio Augusto Fagundes será homenageado pela Câmara de Vereadores, com o Troféu Candeeiro Farroupilha. O ato solene terá por local o CTG Rancho da Integração.

Antônio Augusto Fagundes - Na Wikipédia, a enciclopédia livre, está publicada sua biografia, como poeta, compositor, ator e apresentador de televisão. Nasceu no Alegrete em 4 de novembro de 1935. Filho de Euclides Fagundes e Florentina da Silva Fagundes, é formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social. Todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pessoa reconhecida na cultura gaúcha, premiado incontáveis vezes como poeta, novelista, compositor, autor e ator de teatro, televisão e cinema. Apresenta há muitos anos, pela RBS TV o programa Galpão Crioulo, com uma das maiores audiências da televisão gaúcha. Como compositor destaca-se no CANTO ALEGRETENSE, canção cujos versos são de sua autoria. É mais cantado que o próprio hino de Alegrete.

Antonio Augusto Fagundes é respeitado como autoridade em folclore gaúcho, história do Rio Grande, antropologia, religiões afro-gaúchas, indumentária do Rio Grande, cozinha gauchesca e danças folclóricas. Além disso, sempre deu a devida importância à dupla ligação da cultura gaúcha com o outro Brasil e com os países do Prata. Tornou-se, assim, com o tempo e apoiado em uma biblioteca preciosa, um estudioso sério, respeitado e aclamado no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina, conferencista bilíngüe e autor de inúmeras obras de consulta obrigatória para estudiosos na área.

Entretanto, a face menos conhecida deste intelectual brilhante é também sua face mais antiga, a de poeta. Em 1954, muda-se para Porto Alegre e é como poeta que é apresentado ao 35 CTG, por Lauro Rodrigues. E nunca deixou de fazer verso. Tornou-se amigo e companheiro de Waldomiro Souza, Horácio Paz, João Palma da Silva, Amandio Bicca, Niterói Ribeiro, Luiz Menezes, José Hilário Retamozo, Hugo Ramirez, João da Cunha Vargas, ou seja, a fina flor da poesia gauchesca da época, que freqüentava o rodeio do 35 CTG, às quartas de noite e aos sábados de tarde, na Avenida Borges de Medeiros, no quinto andar da FARSUL. Tornou-se amigo de Jayme Caetano Braun, cujo ingresso no 35 CTG apadrinhou. O encontro de Antonio Augusto Fagundes, por esta época, com Glaucus Saraiva foi histórico: vinham de uma briga pelos jornais, mas quando se encontraram, foi amor à primeira vista, uma amizade tão forte que nem a morte de Glaucus conseguiu interromper. Pelas páginas do Jornal A Hora, lançou Jayme Caetano Braun e dois moços que estavam aparecendo com muita força: Aparício Silva Rillo e José Hilário Retamozo. O prestígio que emprestava à obra de outros poetas não fez com que descurasse de sua própria poesia.

Ganhou prêmios e concursos em Vacaria, Alegrete e em Porto Alegre. Seu primeiro livro de versos chama-se Com a Lua na Garupa e o segundo Ainda com a Lua na Garupa. O terceiro tem o nome de Canto Alegretense, nome tirado da canção famosa cujos versos escreveu. Aliás, neste livro aparecem muitas letras das suas canções mais famosas dentre as 370 gravadas e regravadas por vários intérpretes.

"Então atentei em que nada passa de todo sobre a terra. O homem reproduz os pais, como também se revê nos filhos. Nada somos individualmente, mas sobrevivemos prolongados um pouco nos outros, perpetuação da vida através da morte, na infindável cadeia dos tempos". Antônio de Almeida Prado, médico paulista (1889-1965). Autor: Raul Lourenço, Portugal (2005)

"Dos que já partiram, pretendo aqui fixar as raízes, contando histórias que deixaram. Aos que ainda estão por aqui, não se apressem. Aos que chegam, olhem para trás e esperem completar a órbita da tropeada eterna, procurando encontrar de volta suas raízes." (Luiz Odilon Rodrigues, escritor e pecuarista alegretense - no livro "Esbarrada Final" - Martins Livreiro Ed., 2004).

Um dia perguntei ao saudoso deputado e prefeito Rubens Pillar, “De onde vem esse orgulho de ser do Alegrete? Creio que a história do Rio Grande, de fato, passou por lá. Alegrete é o coração e centro geográfico da fronteira oeste. Foi capital farroupilha. Berço de grandes combates históricos. Foi o maior município na formação geográfica do Estado, com 7803 km2. Naqueles tempos das sesmarias, quase todos os municípios da planície do pampa rio-grandense, pertenciam ao mapa alegretense. Por assim dizer, Alegrete era o grande e único município daquela região de campos planos e pastagens nobres. Uruguaiana, Livramento, Quaraí, São Francisco de Assis, Rosário do Sul eram distritos do Alegrete, que se foram tornando independentes e progressistas ao longo do tempo. Mas, ainda hoje, Alegrete é o maior município do Estado".

Mas só ouvindo o Nico Fagundes com seus versos antológicos, dá para entender este orgulho alegretense.

(..) "E na hora derradeira que eu mereça, ver o sol alegretense entardecer, como os potros vou virar minha cabeça, para os pagos no momento de morrer. E nos olhos vou levar o encantamento, desta terra que eu amei com devoção. Cada verso que eu componho é o pagamento, de uma dívida de amor e gratidão".  

Versos do "Canto Alegretense" - letra de Antonio Augusto Fagundes e música de Euclides Fagundes.