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17.07.2008
- FRENTE PARLMENTAR NA
TRANSPOSUL
O deputado Francisco Appio
participou, no dia 08 de julho, da abertura da
TRANSPOSUL, na Fiergs, o maior evento do transportador
gaúcho. Como coordenador da Frente Parlamentar Contra a
Prorrogação dos Contratos de Pedágios, Appio alertou os
transportadores para o risco do Governo encaminhar a
proposta, vinculada ao Duplica RS. No governo Britto, o
"pulo do gato" era cobrar pedágio em algumas rodovias,
para sobrar recursos para asfaltar os acessos aos
municípios. No governo Olívio, derrubaram a
unidirecionalidade e passaram a cobrar na ida e na volta
com o Aditivo 1, para que as concessionárias assumissem
o perímetro urbano. Agora o pretexto é duplicar, mas
como ficam as tarifas que estão 37% acima da base da
licitação, mesmo corrigidas pela inflação? E o que é
pior, como conviver com um modelo sob suspeição, com
denúncias de contratos não cumpridos, fiscalização
duvidosa e omissão da Agência Reguladora? E as cidades
sedes continuarão pagando tarifa cheia, por pequenas
distâncias? E os caminhoneiros continuarão pagando
tarifa cheia por caminhão vazio e pagando eixo suspenso?
Além destas questões existem outras, de interesse
público, que recomendam o completo esclarecimento de
todo o processo de concessão, para avaliarmos o atual
modelo, cujos contratos vencem daqui a cinco anos. Em
discurso na Assembléia Legislativa, o deputado saudou os
debates acirrados e lamentou a ausência do Governo
Estadual, na abertura da Transposul.
Leia abaixo o discurso do parlamentar
na 58ª sessão plenária do dia 09/07/2008.
Saúdo o presidente da Câmara
Municipal de Vacaria, vereador Antônio Almeida, assim
como os vereadores de Campestre, Jaquirana, Bom Jesus,
São José dos Ausentes e de outros Municípios que se
encontram neste plenário. S. Exas. vieram pedir apoio
aos deputados para resolver o já tradicional centenário
problema enfrentado por nossa pecuária no manejo das
pastagens.
Há seis anos, estávamos com as
galerias desta Casa lotadas, enquanto o plenário,
convencido, aprovava a emenda n° 32, que incorporou a
queima controlada, infelizmente atacada no Supremo e
ainda não resolvida. Mas sobre isso falaremos mais
tarde.
Sr. Presidente, ontem à noite, na
abertura oficial da Transposul, o maior evento dos
transportadores do sul do País, os principais líderes do
setor chamaram a atenção para a qualidade da frota
gaúcha, seu profissionalismo e a logística de ponta a
ponta, que fazem desse modelo um segmento de segurança
nacional, estratégico para o abastecimento de bens de
consumo, medicamentos e alimentos.
Esse setor, contudo, se ressente de
apoio e mecanismos de segurança, seja para superar
estradas malcuidadas, quadrilhas organizadas,
receptadores ousados e os inimigos ocultos na cruel e
perversa carga tributária, direta dos impostos e
indireta dos pedágios.
O coordenador da Transposul; o
presidente da SETCERGS, Sérgio Gonçalves Neto; o Sr.
Paulo Caleffi, da Fetransul; e o presidente desta Casa,
deputado Alceu Moreira, foram objetivos e francos, como
apreciam os gaúchos no debate dos problemas estruturais.
Não foi tiroteio amigo, muito menos inimigo, mas
verdadeiro enfrentamento das questões. Ao final, o
prefeito José Fogaça avaliou a importância de Porto
Alegre para o setor logístico do Estado. Quase tudo
passa por aqui – transporte aeroviário, ferroviário,
aquaviário, marítimo e naturalmente rodoviário, pela
confluência das nossas rodovias federais BR-116, BR-101
e BR-386.
Lamentável que o governo não tenha
comparecido e nem tenha mandado representante. Não
podemos ficar indiferentes ao setor que move este País,
que tem queixas que precisam ser ouvidas, dificuldades
que necessitam de superação, gargalos que exigem
soluções, diálogos que precisam ser retomados e
mantidos.
Certamente a polêmica dos pedágios,
na qual só as concessionárias ganham e toda a cadeia
produtiva é tributada, pode ser a causa desse cenário
pouco apreciável.
O SETCERGS, sindicato das empresas,
foi uma das poucas instituições que se insurgiram contra
os contratos não-cumpridos, a fiscalização omissa do
DAER, a regulagem parcial da Agergs e a indiferença do
poder concedente com o que acontece no interior,
especialmente nas cidades-sede, onde localizam-se praças
e cobranças, como é o caso de Vacaria, vereador Antônio.
Insatisfeitos com a CPI dos Pedágios,
os transportadores e a sociedade seguem pedindo novas
medidas e investigações, além da manifestada angústia
com o anúncio da prorrogação de contratos
reconhecidamente prejudiciais ao interesse público.
O debate foi aberto há muito tempo,
não convém precipitar decisões que não nos pertencem. Os
contratos vencem em 2013, daqui a cinco anos, quando
muitos de nós não estaremos aqui ou ali do outro lado da
Duque da Caxias.
Disse e reitero, não me peçam para
votar aqui aumento de impostos ou prorrogação de
contratos. Fizemos, nos anos 90, a maior reforma do
Estado para reduzir o tamanho da máquina pública,
fechando estatais deficitárias, incorporando a Caixa
Econômica Estadual ao Banrisul, financiando, junto ao
Banco Mundial, rodovias estratégicas para o Estado,
trazendo investimentos, terceirizando serviços, atraindo
investidores e qualificando o salário de servidores.
Concedemos, entretanto, à iniciativa
privada as concessões de rodovias por 15 anos, conforme
a lei – não mais do que isso. Recomenda-se, portanto,
cautela nesse debate sobre o modelo adotado, a
necessidade de ajustes e correções, com o tempo
necessário, plagiando o velho caudilho, sem pressa
demais que pareça fuga ou lentidão exagerada que
demonstre medo e preguiça. |