Então tente imaginar os usuários das cidades sedes,
que pagam há dez anos e correm, o risco de pagar os
mesmos pedágios, com tarifas absurdas, por mais vintes
anos. Mas tem alternativas, nos Pedágios Federais ou
Pedágios Comunitários.
Os Pedágios Federais, em implantação,
custam R$1,00 e por isso são aceitos pelos usuários
para a conservação das rodovias. São diferentes dos
Pedágios Gaúchos, tem razão o Secretário Daniel
Andrade, em nota à imprensa, mas não pelos motivos
alegados (Isenção de PIS/COFINS, praças de bloqueio,
maior fluxo de veículos), mas pela formatação
diferente, sem a geração de despesas supérfluas, como
vamos descrever a seguir.
O Modelo Privado é inferior ao Modelo
Comunitário, mais barato e está sendo extinto pelo
Governo, pois não gera taxas para DAER, AGERGS, nem
investe em Propaganda e Consultoria Jurídica. No
Pedágio Comunitário de Portão construiu viadutos,
pontes, contornos e duplicou 50 km, com menos da
metade da tarifa dos privados. “A jóia da Coroa” está
sendo apropriada pelos privados, liquidando com o
único modelo que deu certo.
O Modelo Inicial 90 foi violado,
alterado e está comprometido, pela elevação das
tarifas em 37%, acima da Licitação, corrigida pela
inflação. E a composição das despesas favorece o
desvio dos recursos, do pavimento para outros
destinos. Menos de 30% do dinheiro arrecadado fica na
pista. O mais grave é a falta de fiscalização,
auditagem e controle, pois o DAER apenas repete os
relatórios recebidos e a Agência Reguladora controla
mas não multa, pois não dispõe de Lei de
Sanções/Multas parta punir.
O Modelo Gaúcho é injusto, pois cobra
tarifa cheia por pequenos trechos e há casos de
distâncias inferiores a 30 km entre praças de
cobrança, na mesma rodovia (BR-116 / Vacaria).
O Modelo Gaúcho é injusto com moradores das cidades
sedes, que pagam tarifas cheias na ida e volta, para
trabalhar na área rural.
O Modelo
Gaúcho é gerador de despesas do tipo (propaganda e
marketing, consultoria jurídica, taxas para o DAER,
taxas para a AGERGS, ISQN para as prefeituras, seguro
do contrato, seguro de responsabilidade civil, PIS/Cofins)
que consumiu R$221.011.687,51 dos 839 milhões gastos
entre 1999/2007 pelas concessionárias nos sete Pólos,
mais parcelas não identificadas em 1999 (R$57.934.328,00),
cujos relatórios de despesas não foram detalhados.
| |
CONSULTORIA JURÍDICA |
R$ 28.322.359,31 |
| |
PROPAGANDA |
R$ 15.411.390,93 |
| |
TAXAS PARA O DAER |
R$ 26.346.350,57 |
| |
TAXAS PARA AGERGS |
R$ 12.338.127,74 |
| |
ISQN PARA PREFEITURAS |
R$ 66.078.151,65 |
| |
SEGURO DO CONTRATO |
R$ 8.371.308,42 |
| |
SEGURO RESPONS.CIVIL |
R$ 6.851.910,69 |
| |
IMPOSTOS PIS/COFINS |
R$ 69.292.088,20 |
O mais intrigante na planilha das DESPESAS (publicadas
pelo DAER) pelas concessionárias são:
OUTRAS DESPESAS (N/E) R$ 47.416.576,33
ENCARGOS FINANCEIROS/AMORTIZAÇÃO EMPRÉSTIMOS R$66.355.752,11
(8% das despesas). Empréstimos com recursos do BNDES
em 1998 para a implantação das praças de cobrança.
DEPRECIAÇÃO/EXAUSTÃO R$ 158.849.127,66
(20% das despesas
totais).
ATENDIMENTO AO USUÁRIO R$ 41 milhões de
reais. Socorro mecânico, guincho e médico de urgência.
Nos pedágios comunitários, o atendimento é feito pelo
SAMU, e na maioria das vezes, ressarcido pelas
seguradoras.
DESPESAS COM ESCRITÓRIOS E PRAÇAS R$ 90 milhões
de reais. Gastos em locação de veículos, locação de
imóveis, manutenção de veículos, equipamentos de
proteção, energia, água, serviços de terceiros,
material de escritório, equipamentos de proteção,
materiais diversos, alimentação e transporte de
pessoal.
A SOMA DESTAS DESPESAS ultrapassa 635
milhões, mais as despesas não detalhadas de 1999,
e absorvem a maioria dos gastos dos 7 Pólos que
totalizaram 839 milhões em nove anos.
Neste período as concessionárias arrecadaram 1 bilhão,
583 milhões de reais.
O MODELO GAÚCHO é diferente do PEDÁGIO FEDERAL,
pelas razões expostas e por isso mesmo não pode ser
prorrogado até 2028. A economia gaúcha não suportará
mais vinte anos de pedágios que oneram o transportador
e usuário freqüente e outros segmentos de produção.
Além disso,
convém registrar que 984 km são estradas federais
recuperadas pelo Estado antes da implantação e que não
foram ressarcidas pela União. Nestes 10 anos a União
não colocou um centavo nestes 984 km da BR-116,
BR-285, BR-290, BR-386 e outras delegadas ao Estado,
por quinze anos.
A Assembléia
Legislativa aprovou lei específica para cada Pólo,
fixando o prazo de 15 anos, ao término do qual todas
as benfeitorias retornam ao patrimônio público.
14/11/2008 - NOTÍCIAS URGENTES
* Quarta-feira (19/11) reunião em Caxias do sul da
Frente Parlamentar Contra a Prorrogação dos Contratos
de Pedágios com a Frente de Vereadores, para ajustar
estratégias conjuntas de enfrentamento do projeto
279.
* Comissão de Finanças aprovou Relatório do deputado
Adilson Troca, do orçamento de 2009, contemplando
emendas parlamentares. Há suspeita que faça parte das
negociações para aprovação do projeto de prorrogação.
* Transportadores reúnem-se em Bento Gonçalves neste
sábado (15/11) para ajustar ações de protesto contra o
projeto de prorrogação. O presidente da Fetransul
reunirá Sindicatos de todo o Estado.
* CPI do DAER tem 19 assinaturas e poderá aumentar,
diante das denúncias de extinção dos Pedágios
Comunitários. Coredes reagem e pressionam deputados.
Famurgs também protesta pelo seu presidente.
* Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público
examinam as denúncias da Frente Parlamentar.