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15.07.2008
- ASFALTO NA REGIÃO NORDESTE: UMA VERGONHA
Foi assim que o deputado Francisco
Appio classificou o péssimo estado da RS126 (Sananduva/Lagoa
Vermelha) e da RS343 (Sananduva/São José do
Ouro/Barracão), mantidas pelo DAER. O parlamentar
denunciou as más condições das rodovias, alertando que
responsabilizará o DAER, pelos acidentes que poderão
advir dos buracos e crateras, que ameaçam a segurança
das pessoas. A UNESUL cancelou dois horários de seus
ônibus de passageiros, devido às más condições do
asfalto. A todo instante, caminhões sofrem perdas de
pneus e riscos de acidentes. As rodovias passaram a ser
utilizadas para escoamento da produção agrícola pelos
caminhoneiros, que levam as cargas para os portos de SC
e PR pela Ponte do Barracão e evitam os pedágios de
Vacaria. O parlamentar lembrou que a cada governo o DAER
vem sendo sucateado, na sua estrutura. Há 10 anos tinha
4.600 empregados, hoje apenas um terço deste total,
responde pelos serviços de planejamento, fiscalização e
manutenção da malha estadual. Appio elogiou os prefeitos
Itamar Camozzatto (Sananduva), Pedro Fernando Grassi (São José do
Ouro) e Carlos Bergamo (Barracão), que pensam tomar a
iniciativa de tapar os buracos na rodovia estadual.
LEIA ABAIXO NA ÍNTEGRA O MANIFESTO
DO DEPUTADO APPIO NA TRIBUNA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
Venho à
tribuna deste Parlamento para falar à sociedade gaúcha,
por meio dos anais da Casa e da imprensa, mas
principalmente aos representantes do governo do Estado:
pelo amor de Deus, voltem a atender às estradas gaúchas
e olhem o que está acontecendo no interior do interior
de nosso Estado.
As
estradas estão sendo sucateadas constantemente pelo
fluxo maior de veículos, pelo escoamento de safra e pela
falta de manutenção.
Acabo de
receber um apelo desesperado dos prefeitos Itamar
Camozzatto, de Sananduva; Pedro Fernando Grassi, de São
José do Ouro; e Carlos de Jesus Bergamo, de Barracão.
Está insustentável a situação da RS-343, que passa por
Sananduva, Cacique Doble, São José do Ouro e Barracão e
faz o escoamento da safra gaúcha para os portos de Santa
Catarina e do Paraná.
Para
evitar os pedágios localizados no pólo de Vacaria, os
quais oneram os transportadores, os caminhões utilizam a
alternativa da RS-343 e da RS-126, que vai de Sananduva
à BR-285, em Lagoa Vermelha.
A Unesul
já cancelou dois de seus horários. Os caminhões são
obrigados a parar a fim de que seja feita a reposição de
pneus. A perda da vida é uma ameaça constante para
aqueles que trafegam por aquela rodovia.
Não
podemos mais suportar a indiferença do DAER em relação
às estradas da região nordeste do Estado. Se não há
contratos Crema para a manutenção dessas vias, o Estado
deve agir prontamente, de forma emergencial, no sentido
de realizar tais obras, pois, caso contrário, iremos
pagar um preço muito alto pelo desleixo. É uma vergonha,
deputado Pedro Pereira, o que está acontecendo em
algumas regiões do Estado.
Não se
trata de culpar quem está dirigindo o Estado – a
governadora provavelmente não sabe o que está ocorrendo
–, mas, sim, os burocratas que não são capazes de
apresentar um planejamento técnico que oriente o governo
em suas prioridades.
Na última
quinta-feira, fiquei animado com a vinda de um grupo de
jovens técnicos e engenheiros do DAER a esta Casa. Eles
vieram fazer uma exposição sobre a questão dos pedágios
comunitários à Comissão de Serviços Públicos. O que
sentimos, no entanto, é que, governo após governo,
acabaram com o nosso DAER, acabaram com aquela
instituição.
Aqueles
senhores, deputado Pedro Pereira, herdaram um ente
semimorto, o qual, para obter sobrevida, precisa de uma
ação imediata e até milagrosa. De 4.600 funcionários, o
DAER, hoje, não possui mais do que 1.500. Ora foram as
aposentadorias, ora foram as demissões voluntárias e a
falta de priorização.
Parece que
o DAER, hoje, só serve de cabide de sustentação dos
pedágios privados, na medida que faz de conta que
fiscaliza, mas não fiscaliza. Isso está comprovado no
relatório da CPI dos Pedágios. Por sinal, em recente
audiência com o eminente procurador-geral de Justiça,
Dr. Mauro Renner, a comitiva da CPI dos Pedágios quis
saber o que o Ministério Público está fazendo em relação
às conclusões contidas naquele documento.
A RS-126 e
a RS-343 são vias estratégicas na região nordeste para
escoamento de produção da grande lavoura agrícola que
temos.
É preciso
que o DAER se recomponha, é preciso colocar à sua frente
quem entende de DAER, quem é capaz de obter a sobrevida
dessa entidade, recuperar as suas forças, dar-lhe
oxigênio, colocar a sua maravilhosa equipe para
trabalhar a serviço do interesse coletivo e não de
concessionárias que têm uma remuneração fantástica pelas
concessões aqui votadas.
Há 12
anos, votamos as concessões pensando que, cobrando
pedágios em algumas estradas, o Estado teria oxigênio
para manter e asfaltar inclusive as rodovias onde não dá
para cobrar pedágio. Lamento que tenhamos sido todos
levados a uma equivocada avaliação, porque, com o passar
dos anos, apropriaram-se do patrimônio público, via
concessões, e asfixiaram o Estado. Hoje, sou obrigado a
dizer que é uma vergonha o que está acontecendo com as
rodovias do interior do nosso Estado. |