15.02.2008
- TIRO NO PÉ
A polêmica
Medida Provisória nº. 415 que proíbe a comercialização de bebidas
por restaurantes, hotéis, churrascarias, lancherias e
supermercados em rodovias federais, está mobilizando pequenos e
microempresários da Serra Gaúcha e Nordeste do Estado.
A região
concentra três rodovias federais: a BR-116, que inicia em Novo
Hamburgo e vai até a divisa de Santa Catarina, passando por Nova
Petrópolis, Caxias do Sul, Campestre da Serra e Vacaria. A BR-285
que inicia em São Borja e vai até a divisa de Santa Catarina em
São José dos Ausentes, cruzando pelos municípios de São José dos
Ausentes, Bom Jesus, Vacaria, Muitos Capões, Lagoa Vermelha,
Caseiros, Mato Castelhano, Passo Fundo, Carazinho, e assim por
diante.
A BR-470, por
sua vez, inicia em André da Rocha, conecta-se com Nova Prata,
passa por Lagoa Vermelha e vai ao Barracão, na divisa com Santa
Catarina. Nestas três rodovias federais, entre outras do Rio
Grande do Sul, concentra-se uma rota turística importante.
São
estabelecimentos que abastecem as comunidades onde estão sediados,
e a proibição de comercializar qualquer tipo de bebida alcoólica
mesmo em refeições, está provocando grande desemprego. Os
estabelecimentos ameaçam fechar e já estão demitindo funcionários.
Clubes de Diretores Lojistas de várias cidades se mobilizaram e
prometem parar as rodovias para chamar a atenção das autoridades
para as conseqüências absurdas da MP editada no final do mês de
janeiro.
Também levam
documentação à Câmara dos Deputados, particularmente a bancada
gaúcha, pedindo que vote o quanto antes e derrote a Medida
Provisória.
Na opinião da
maioria dos especialistas, proibir o comércio de bebidas não
resolve o problema do motorista embriagado, é preciso fiscalizar
com a Polícia Rodoviária Federal, formar barreiras, realizar blitz
e utilizar o bafômetro para conter os motoristas imprudentes.
“Com álcool não dá, é preciso diminuir a sinistralidade no país,
mas com fiscalização.”
O fato desta
proibição repete o estilo do governo do PT quando proibiu o
comércio de armas. O referendo derrotou na prática o Estatuto do
Desarmamento, só desarmou as pessoas de bem e deixou a bandidagem
armada, não diminuindo o número de homicídios. Temos a preocupação
de que essa MP é a repetição daquele filme. Pode ser um tiro no pé
do governo do PT.