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14.10.2008
- MORTES NA CURVA DA BICA – FALHA HUMANA
Repetidos acidentes na Curva da Bica (Km 52 da BR-116)
comprovam os erros de engenharia na sua construção há
mais de 50 anos. No sentido Vacaria/Campestre, a curva
acentuada pela direita (na bica d’água) é seguida de uma
forte inclinação com curva à esquerda, que provoca
invasão da pista contrária, mesmo com a sinalização.
Apesar da construção de guard-rails e sinalização
central com tachões, os acidentes continuam acontecendo,
desafiando a concessionária RODOSUL, responsável pelo
trecho Vacaria-Campestre da Serra.
Um dos últimos acidentes provocou a morte do motorista
Silvio de Lorenzi e ferimentos em sua filha Alexandra
Bressan de Lorenzi (5 anos) e na mulher Vanessa Bressan.
O motorista e as passageiras do caminhão wolksvagem
19320, abalroado lateralmente por outra carreta, em
sentido contrário residem em Curitiba/PR. A Polícia
Rodoviária Federal confirma que este é um dos pontos
negros da BR-116 com maior número de acidentes de toda a
história.
O deputado Francisco Appio encaminhou ao DAER e AGERGS
cópia do depoimento do Delegado de Policia de Vacaria,
Carlos Alberto De Faveri, que confirma a precariedade
daquele trecho.
O deputado Francisco Appio, usuário da rodovia desde
1965, com pelo menos duas passagens por semana, recorda
um acidente de 1998. “Quando chegamos ao local, um
caminhoneiro chorava desesperadamente o choque com outro
caminhão, que feriu de morte sua mulher e sua filha.
Quando nos aproximamos, as duas já tinham sido levadas
ao hospital, mas minha mulher Helena descobriu entre os
destroços o braço da filhinha do motorista.
Imediatamente enrolou numa toalha e fomos ao hospital,
onde ela estava sendo atendida. Graças ao governador
Antonio Britto, que cedeu seu avião, os médicos de
Vacaria providenciaram o transporte da menina e de seu
braço conservado numa maleta com gelo para o hospital
Moinhos de Vento, onde uma equipe de cirurgiões,
especializados em reimplante, recolocou o braço na
criança. Hoje ela mora no Paraná e de vez em quando me
escreve ou telefona. Quando passamos pelo local, nos
lembramos sempre da cena do braço da menina, localizado
entre os objetos da cabina do caminhão acidentado”.
Sem uma solução definitiva, acostumado a presidir
inquéritos com vítimas fatais, o delegado Carlos Alberto
De Faveri desabou com o depoimento aos jornalistas,
através da internet, que transcrevemos a seguir,
apelando para que a RODOSUL dê a solução definitiva para
a Curva da Bica, que tantas vítimas fez.
"Não
sou o plantão final de semana, mas já me informaram que
houve mais uma morte na dita Curva da Bica, Km 52 da
BR-116, saída de Vacaria para Caxias, pouco depois da
Praça de Pedágio da Rodosul. O local é constituído por
uma seqüência de curvas fechadas, após pequeno trecho em
declive, em que condutores imprimem maior velocidade. Ou
seja: após o trecho de alta velocidade, duas curvas à
direita (a Curva da Bica e a outra posterior) são a
armadilha perfeita.
Em sentido
contrário, aquela curva mais em depressão (à direita)
completa o cenário do terror.
A soma da
imprudência com a engenharia errada do trecho,
complementam-se no cenário absurdo. Invariavelmente, a
pessoa que desce (Vacaria-Caxias) imprime velocidade um
pouco maior (aí está a imprudência) e pelo defeito de
tangência da curva, que puxa para fora (aí está o
problema de engenharia), acaba invadindo alguns
centímetros, meio-metro, um metro, a pista contrária,
apanhando em sentido contrário veículo que porventura
esteja beneficiando com a terceira pista para a
ultrapassagem (sentido Caxias/Vacaria, na subida). Olha,
cansei de fazer inquéritos policiais ficando nauseado só
de ver fotos: pedaços de pessoas, gente que perde
membros, perdem cabeças, ficam presos às ferragens.
Ficam com seqüelas para o resto da vida, quando não há
perda de vidas. São danos materiais, morais, físicos.
Perdas de vidas que se acumulam. Eu encaminhei documento
ao então Promotor da Justiça especializada, Dr. Alvaro
Poglia, que recomendou à concessionária. Houve melhora
na sinalização e os acidentes diminuíram sensivelmente.
Certamente, vidas foram poupadas.
Mas, o
problema não se resolveu. Encaminhei novamente o
documento ao Promotor que substituiu o anterior, Dr.
Luis Augusto Gonçalves Costa. Ele também provocou a
concessionária, que novamente fez melhorias, porém
paliativos.
Compartilho em
tudo com o Chefe da 6ª. Delegacia da PRF, Inspetor
Carlos Rodrigues Telles, e com o Inspetor Baía, Chefe
Operacional da PRF. O que eles me passam a respeito da
posição sobre o assunto dos Engenheiros da
concessionária seria importante ouvir diretamente deles.
Na PRF certamente existe estatística que comprova que o
local é um açougue ou cemitério.
Na Polícia
Civil, DP/Vacaria, tenho apenas os casos de morte.
Aqueles com lesão corporal, ficam a cargo da DPPA
(Vitor). Por isso, a PRF é o órgão adequado para
estatísticas. Já tentei levantar a questão na imprensa
local, mas, não sei, porque não houve eco” comenta o Dr.
Carlos Alberto De Faveri – Delegado de Polícia. Na sua
mensagem, o Delegado De Faveri comenta ainda sobre o
acidente. Um caminhão não venceu a dita Curva da Bica,
descendo, fez um “L”, e atingiu outro, que subia. Ou
seja: a mesmíssima história que vem se repetindo há
anos.
Quem morreu?
Como sempre, o motorista inocente, que vinha subindo a
serrinha.
Querem mais?
Uma criança e a mulher do motorista (inocente) sequer
foram ao hospital de Vacaria, sendo removidos, em estado
gravíssimo.
É muita
omissão. Tem que haver solução definitiva. A seqüência
de curvas tem que ser redesenhada. Ou, fazer igual à
“Curva da Morte” na São Vendelino, em
Farroupilha: bastou colocarem um pardal ostensivo, com
semáforo piscante, de modo que os motoristas respeitem a
velocidade no local. Se nada for feito, daqui alguns
dias haverá outras vítimas. Quero lembrar a todos, que
desde que houve a colocação de pardais na área urbana
das BRs, acabaram às mortes e os acidentes gravíssimos.
Antes haviam acidentes muito fortes principalmente na
Av. Samuel com a BR-116. Atropelamentos se repetiam. A
média de mortes no trecho da BR-116, hoje “pardalizado”,
era de meia-dúzia a cada ano. Fora os acidentes graves,
sem morte. Ou seja, tem que se ter coragem e avança".
Carlos Alberto Defaveri - Delegado de Polícia – Titular
da DP de Vacaria. |