|
|

10.03.2008
- MP 415 FIASCO FEDERAL
A Medida Provisória 415, que proíbe a
comercialização de bebidas em estabelecimentos
comerciais, localizados junto às rodovias federais, está
perdendo sua eficácia pela “rejeição popular”.
Introduzida como instrumento para reduzir os acidentes,
a MP415 jamais foi discutida com a sociedade e repetiu o
“fiasco” do Estatuto do Desarmamento de 2003, conforme
analisa o deputado Francisco Appio.
“Quando deputado Federal votei
contra o Estatuto do Desarmamento, pois sabia que só
desarmaria os homens de bem. Lembrei, várias vezes, da
tribuna que os caminhoneiros foram desarmados no início
da década de 90, quando perderam o porte de arma fora do
Estado. A bandidagem quando soube que os caminhoneiros
não tinham com o que se defender, passaram a assaltar
até mesmo à luz do dia. Foram anos de horrores, com o
assassinato de centenas de caminhoneiros gaúchos. Dez
deles, até hoje não foram localizados. Foram mortos e
para desaparecer a prova do crime, foram enterrados
pelos bandidos”, lembra Francisco Appio,
alertando que o Estatuto foi rejeitado no Referendo das
Armas. Mas deixou seqüelas irreversíveis, na lei que
dificulta o registro e o acesso ao porte de arma
federal. Diante da situação, milhares de armas estão na
clandestinidade e seus proprietários correm o risco de
serem presos em flagrante. “A situação da
bandidagem continua a mesma, com a vantagem de não
encontrar resistência em suas ações criminosas, pois em
toda a parte só encontram vítimas desarmadas”,
adverte.
Agora o governo federal, incapaz de
atacar os problemas estruturais do trânsito brasileiro,
que mata mais de 50 mil pessoas por ano, optou por
empregar o rigor da Lei, contra quem vende bebida em
hotéis, restaurantes, supermercados e lancherias, ao
longo de rodovias federais. Ao invés de mais estradas,
veicular a retirada de veículos velhos sem segurança,
opta por leis mal feitas, com a caneta do arbítrio.
“Todos sabem que o problema não
está no comércio, mas no condutor. Ele poderá beber em
qualquer lugar, menos num local público onde não escapa
dos olhares atentos das pessoas. Ao beber escondido, vai
para a rodovia como uma arma engatilhada. Para evitar a
presença destes maus motoristas, a Polícia Rodoviária
Federal deve fiscalizar o trânsito e não o comércio.
Deve aplicar os rigores da lei, lei que já existe para
coibir e punir estes infratores, que acabam provocando a
morte de pessoas. Bafômetro neles”, pede o
parlamentar, que levou centenas de manifestações à
bancada gaúcha, protestando contra a demora em votar
absurda Medida Provisória 415.
“Ela já está trancando a pauta
e são poucos os deputados que denunciam o engodo da
MP415. Ela veio para desviar as atenções dos cartões
corporativos, nada mais do que isso, pois na prática só
causou desemprego, revolta, e não poupou nenhuma vida.
Teremos que esperar o fim de sua vigência no final de
maio, quando dificilmente o governo reeditará a MP415.
Até lá, o melhor que poderia acontecer seria a votação
com emendas, mas a Câmara não avança. Se o governo já
concordou em liberar na área urbana, por que não altera
já, com a edição de nova Medida Provisória? Até quando
vão sustentar este circo?” pergunta Francisco
Appio, denunciando que ao longo da BR285, entre São José
dos Ausentes, Bom Jesus, Vacaria, Muitos Capões, Lagoa
Vermelha, Caseiros, Mato Castelhano, Passo Fundo,
Carazinho e até a cidade de São Borja, são mais de 600
km, junto aos quais estão 2.700 estabelecimentos
comerciais, prejudicados no livre comércio das cidades,
servir turistas, e abastecer moradores da área rural.
“Não
é verdade que o caminhoneiro é causador de acidentes
porque bebe. Motorista que bebe ou já morreu em acidente
ou foi demitido, pois todas as empresas treinam e
monitoram seus motoristas. São profissionais que rodam
duzentos mil km por ano e diariamente se deparam com
riscos de acidentes, por estradas mal sinalizadas,
ultrapassagens perigosas e verdadeiros malucos do
trânsito. Culpar os caminhoneiros é buscar explicações
simples demais para a incompetência dos governos em
melhorar as estradas. A cada ano, entram no trânsito
dois milhões e meio de veículos novos”,
completa o parlamentar que realizará, dia 14 em Flores
da Cunha o ENCONTRO REGIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE
MOTORISTAS para discutir como reduzir os acidentes
de trânsito.
|