09.04.2008
- DEZ ANOS DE PEDÁGIOS CAROS E COMPLICADOS
“Nossa
publicação de novembro de 2006 permanece atualizada: ...E agora
Yeda?...E agora Lula? Refere-se aos pedágios e mantém acesa a
chama de resistência. Não contra os pedágios, maioria é a favor,
mas contra os preços e o modelo que escraviza e encarcera as
comunidades sedes de praças de cobrança.
A Frente
Parlamentar Contra a Prorrogação dos Contratos de Pedágios no Rio
Grande do Sul reuniu-se pela manhã com a comissão de moradores de
Viamão, da bem sucedida resistência contra a cobrança e que obteve
na Justiça a isenção na sua praça de pedágio.
Essa
comissão faz escola, tanto que, na próxima terça-feira 15, estará
aqui uma delegação de deputados catarinenses e representantes da
Federação de Caminhoneiros de Santa Catarina, com delegações dos
sete pólos de pedágios do Rio Grande do Sul para discutirmos a
situação das cidades sedes de praças, que paga para sair e paga
para voltar à sua cidade.Dezenas de cidades no Rio Grande do Sul
vivem este drama.
Terça-feira, 15, contaremos com a presença do deputado estadual de
Santa Catarina, Renato Hinnig, do presidente da Federação dos
Caminhoneiros catarinense, Pedro Lopes e, é claro, dos membros de
nossa Frente Parlamentar.
10 ANOS DE PEDÁGIOS
Há 10
anos, este plenário fazia o debate final da implantação dos
pedágios, que, na verdade, começou no governo Collares, mas com a
bem-sucedida proposta dos pedágios comunitários. Tenho verdadeiro
entusiasmo pelos pedágios comunitários, apesar de seus problemas,
que o afastam do modelo original. Os Coredes não participam mais
da sua gestão, e o dinheiro arrecadado vai para o caixa único,
conforme decreto do governo passado. Mas encanta-me essa idéia
comunitária, porque ela realmente pode vir a dar mais certo ainda.
Para quem transita pelos pedágios privados por 150 km, entrar no
pedágio Comunitário de Portão é um alivio.
Quando
saio de Vacaria, pago dois pedágios no percurso de 120 quilômetros
até Caxias do Sul, outro 15 km adiante, em Farroupilha, em
estradas privadas, mal-conservadas e pavimento de má qualidade, na
maior parte do percurso. Não houve nenhuma duplicação, nem mesmo
providências no trevo de acesso da RS-122, junto à Rota do Sol, em
Caxias do Sul, uma vergonha.
Ao
deixarmos os pedágios privados, nos deparamos com o comunitário
que, em pouco mais de 10 anos, duplicou 50 quilômetros, fez
viadutos, contornos, pontes e principalmente deu qualidade e
segurança ao tráfego rodoviário – é o pedágio comunitário de
Portão, por R$ 4,80. O pedágio é mais barato, cobrado num único
sentido. E assim dá certo, imagine se puder ter a gestão do
Corede, fiscalização dos prefeitos, vereadores, com controle e
fiscalização e se os recursos gerados não se destinarem a outras
obras. Dentro de poucos dias teremos a conclusão da duplicação.
Espero que o governo do Estado faça uma grande festa, uma grande
comemoração quando tivermos a conclusão do viaduto de Bom
Princípio, a duplicação do contorno – quase 3 mil metros – e
quando tivermos concluída essa obra do pedágio comunitário de
Portão.
E AGORA YEDA?
A
governadora certamente não foi bem informada a respeito dos
pedágios, como também não o foi o governador Britto. O
pulo-do-gato, na época, era: Vamos cobrar pedágio onde dá, para
fazermos estradas onde não dá para cobrar pedágio. Eram 200
Municípios; hoje, são 118 que não têm acesso pavimentado.
Com o
governo Olívio, aconteceu também outro pulo-do-gato. Disseram:
Aprovem o termo aditivo, e vamos zerar todas as questões em juízo.
Este plenário foi enganado. Eu não, porque votei contra a
proposta de cobrança na ida e na volta, com aumento de tarifas e
retirada de obrigações contratuais.
No
governo Rigotto, que deveria fazer o reequilibrio ao final do
termo aditivo, em dezembro de 2004, forças poderosas não
permitiram, porque pedágio não tem partido político; tem
empreiteira.
Eleita a
governadora Yeda, estas forças assustaram dizendo: Tem um
esqueleto, tem uma indenização milionária. Cuidado, prorrogue,
senão o Estado vai quebrar mediante uma grande ação. Mentira!
São eles, os empreiteiros, que devem ao Estado. Mas explicarei
isso a seguir.
PEDÁGIOS: O PROBLEMA É O PREÇO
A frente
parlamentar não é contra pedágios; é contra o atual modelo. Daqui
a pouco, em 2013, esta Casa terá que decidir o que fazer, e não
imaginamos um cenário de rodovias no Estado sem cobrança de
pedágio. É praticamente impossível para um Estado com enormes
dificuldades financeiras, que é refém da União, a poderosa e rica
madrasta deste País, manter suas estradas e ampliar a malha
rodoviária sem a concessão de pedágios. Mas é preciso discutir
este tema, afinal é concessão pública.
A
Comissão de Serviços Públicos já convocou o diretor do DAER,
Gilberto Cunha, para dissertar sobre pedágios comunitários. Os
privados, já sabemos, não cumprem contratos e estão cobrando
tarifas, 37% acima do previsto na licitação. A própria Agergs
reconheceu que não cumprem contratos, que gastam fortunas em
propaganda, em consultoria jurídica, em gastos com a AGERGS, com o
DAER. Sobra pouco para o pavimento.
Teremos
que oferecer sim, nesse debate, alternativas. E aí está o papel
relevante da Comissão de Serviços Públicos, que já ouviu o
presidente Alcides Saldanha, que ouvirá o diretor Gilberto Cunha e
que haverá de fazer uma grande audiência para debater
alternativas. Certamente haveremos de encontra uma solução, mas
com transparência, de modo que as pessoas possam compreender o
sacrifício que terão que fazer, além do que já fazem ao arcarem
com uma forte carga tributária, ao pagar esses pedágios.
INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA?
Há 10
anos estavam sendo implantados os pedágios no Rio Grande do Sul.
Dois anos depois, tramitou a lei n° 11.460, que isentava de
pagamento nas praças de pedágio das cidades-sede. A Justiça
reconheceu recentemente ser esse o caso de Viamão, e a população
local está isenta de pedágio. Pela mobilização popular inusitada,
mas consolidada, forte, a Justiça reconheceu que aquela população
tem o direito de ir e vir, coisa que os outros Municípios não
conseguiram.
Por 84
dias essa lei teve vigência plena, isentando de pagamento nas
praças das cidades-sede, até que o forte lobby das
concessionárias propôs um projeto, que foi aprovado em tempo
recorde. Esse projeto nem justificativa tinha, não passou pelas
comissões e revogou a lei 11.460. Pior: as concessionárias
entraram em juízo, ganharam em 1º grau e ganharam na Segunda
Câmara, em decisão cuja liquidação de sentença se processa de 2002
até 2008.
São seis
anos de Liquidação da Sentença, para arbitrar o tamanho da
indenização. Pasmem, Sras. e Srs. Deputados: o perito designado
até agora não entregou levantamento de quanto representou essa
perda, esse alegado prejuízo, que as concessionárias costumam
dizer que é uma indenização milionária para assustar todos os
governadores ou governadoras.
Em que
pese tenhamos peticionado, o juiz decidiu que somente poderá
determinar uma ação mais concreta se a parte interessada, o
Estado, se manifestar nos autos. Mas a Procuradoria-Geral do
Estado – PGE – não age, está deixando correr o tempo, quem sabe um
tempo precioso para dirimirmos essas dúvidas.
De que
tamanho é essa indenização, afinal de contas? De que tamanho é o
prejuízo alegado, que usam como barganha para prorrogar contratos?
Por que o perito não entrega a perícia? Por que as pessoas estão
aceitando passivamente o preço absurdo que é cobrado e que
contraria os princípios que nortearam esta Casa no processo de
privatização e concessão de rodovias? Por que estamos
anestesiados? Por que a CPI dos Pólos de Pedágio não deu certo?
Isso
tudo nos intriga e nos leva a apelar, através da frente
parlamentar, para que façamos discussões, debates, para encontrar
a verdade, com CPI ou sem CPI do DAER.
Francisco Appio – Deputado Estadual (Discurso de 08/04/2008)