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08.07.2008
- MUNICÍPIOS NÃO ESTÃO AMEAÇADOS
A notícia divulgada pelos jornais de
Porto Alegre de que 29 municípios emancipados há 10
anos, estão ameaçados de extinção, foi contestada pelo
deputado Francisco Appio, da tribuna da Assembléia
Legislativa, nesta terça-feira 08. O jornalista valeu-se
da informação do presidente Paulo Zulkoski da Associação
Brasileira de Municípios, mas não corresponde com a
realidade. Estes municípios foram emancipados em 1996,
perderam prazo para as eleições municipais daquele ano,
pela exigência de um novo recadastramento eleitoral, por
parte do Tribunal Regional Eleitoral. S municípios de
Pinhal da Serra, Capão Bonito do Sul e Santa Cecília
foram criados com amparo da lei, pois a Emenda 15,
promulgada naquele ano é posterior às leis estaduais. A
nova PEC 13 do Senado Zambiasi, que devolve às
Assembléias a prerrogativa de legislar sobre
emancipações, pretende sanar o vácuo criado pela Emenda
15. O Supremo Tribunal Federal deu prazo de 18 meses,
que expira em novembro deste ano, para que o congresso
legisle sobre o tema. A PEC 13 estabelece as novas
regras para as emancipações, devolvendo aos deputados
estaduais, a prerrogativa que lhes foi tirada. Esta
pendência, não diz respeito aos municípios emancipados,
exceto ao de Pedras Altas, que se desmembrou de Pinheiro
Machado. Appio acalmou as comunidades, afirmando que
Pinhal da Serra, Capão Bonito e Santa Cecília, não
correm nenhum risco de desaparecerem do mapa.
Leia abaixo mais
informações.
PREFEITO PEDE APOIO
O prefeito César Farde (Pinhal da
Serra), que assumiu a chefia do Executivo após a morte
de Antônio Giordano da Costa, esteve na Assembléia
Legislativa pedindo o apoio dos parlamentares para o seu
município.
Do deputado Francisco Appio recebeu a
garantia de que o Partido Progressista e sua Bancada
fizeram todo o empenho para preservar os emancipados,
pela Assembléia Legislativa. Francisco Appio deu esta
garantia também ao prefeito Clélia Ramos de Capão Bonito
do Sul, que também postulou este apoio.
Nesta quarta-feira 9, César Farde
(foto abaixo no gabinete do deputado Appio) esteve no
gabinete do Senado Sérgio Zambiasi, em Brasília, para
solicitar o apressamento da votação de sua PEC 13. A
comunidade de Pinhal da Serra vive momentos de
tranqüilidade, sem o risco de perder sua autonomia,
gestora de um orçamento anual de 12 milhões, que chegará
a 18 milhões em 2009, graças aos royaltes e ICMS,
originados pela Usina da Barra Grande, cujas máquinas de
força, estão no município.

O PROCESSO DE PINHAL DA SERRA
Pinhal da Serra desmembrou-se de
Esmeralda, onde foi sede do 2º Distrito, juntamente com
o 4º distrito dos Gregórios. O núcleo de moradores
surgiu por volta do ano de 1920, quando Inacinho Antonio
Velho e sua esposa Josepha doaram o terreno para ser
construída a Capela de São José, local da sede.
Em 1994, formou-se o Movimento
Emancipacionista, tendo como Presidente Antonio Giordano
da Costa. Em reunião, no dia 03 de dezembro de 1994,
formou-se a Comissão, protocolada na Assembléia
Legislativa em 19/12/94.
Na Comissão de Assuntos Municipais
foi designado Relator, o deputado da região, Francisco
Appio, que emitiu Parecer Favorável diante da
documentação apresentada. A área do município incluiu
todas as localidades do 2º Distrito de Esmeralda (Pinhal
da Serra) e da área pertencente ao 4º Distrito (Serra
dos Gregórios), com total de 436 km2. O projeto também
obteve parecer favorável na Comissão de Constituição e
Justiça.
Porém, a Justiça Eleitoral cancelou o
plebiscito para novo cadastramento eleitoral. A Comissão
Emancipacionista recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral
e em março de 1996 o TSE autorizou o plebiscito.
Autorizado o plebiscito, este
realizou-se em 24 de março de 1996 e obteve-se os
seguintes resultados: eleitores inscritos: 2.065.
Votaram: 1.050; não votaram: 1.015; votos do sim: 939;
votos do não: 75; votos em branco: 13 e votos nulos: 23.
Uma diferença pró Sim de 864 votos.
Em 17 de abril de 1996, através da
Lei 10.748, foi criado o município de Pinhal da Serra,
único projeto não vetado pelo Governador Antônio Britto.
O TRE pediu recadastramento de
eleitores e com o novo prazo o município não pode
realizar suas eleições naquele ano.
Pinhal da Serra ficou quatro anos em
estado de estagnação. Neste período, foi criada a
Associação Gaúcha de Apoio aos novos Municípios - AGAM -
, formada pelos trinta novos municípios que não tiveram
eleições em 1996.A AGAM, através dos deputados federais,
encaminhou e obteve a aprovação do Congresso Nacional de
2 projetos de leis que marcavam eleições extraordinárias
nos trinta municípios, contudo, foram vetados pelo
presidente da República.
Mas nas eleições de 1º de outubro de
2000, Pinhal da Serra elegeu elegeu Antonio Giordano da
Costa, reeleito em 2004.
Para entender a preocupação da
comunidade e a solução projetada, veja os caminhos da
PEC 13 (Senador Zambiasi).
EMANCIPAÇÕES / PEC 13
Projeto de Emenda à Constituição 13,
de 2003, de Autoria do Senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS)
devolve a competência de legislar sobre emancipações aos
Parlamentos Estaduais. Na Justificativa o Senador
Zambiasi, reitera que “A partir da edição da emenda
constitucional nº 15 de 1996, que retirou dos Estados a
competência de legislar sobre a criação e desmembramento
de municípios, observou-se, claramente, a centralização
do poder e o desrespeito ao pacto federativo. Para
reverter este quadro e, ao mesmo tempo, atender as
necessidades e realidades de cada Estado, o senador
Sérgio Zambiasi ingressou, em 2003, com a Proposta de
Emenda à Constituição nº 13, que resgata o pacto
federativo e devolve aos Estados a competência para
legislar sobre os municípios. A proposta, referendada
pela solicitação de 15 assembléias legislativas em todo
o país, representa os anseios de comunidades distantes
dos municípios-mães e que teriam condições de tornar-se
independente.
Para justificar a proposta, Zambiasi
ressalta um estudo da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul que analisa o impacto nas emancipações do Estado.
Os municípios gaúchos emancipados de 1981 a 2000
mostraram um melhor desempenho econômico das
cidades-mães do que as localidades que não sofreram esse
processo. É um passo importante para o desenvolvimento
ordenado dos municípios, afirmou.
A PEC estabelece que a disciplina
constitucional para os procedimentos de criação,
incorporação, fusão e desmembramento dos municípios
terão como meta a preservação e continuidade da unidade
histórico-cultural do ambiente urbano e será pautada por
lei estadual, feita até 12 meses antes das eleições
municipais. Ainda está prevista a realização de
plebiscito junto à população atingida.
OS PROBLEMAS DA PEC
Na avaliação de especialistas, a PEC
13 apresenta dois pontos centrais que remetem à
desaprovação da proposta. O principal é que o projeto
prevê a realização de plebiscitos apenas na região a ser
emancipada. Neste caso, facilitaria a divisão de
cidades. Outra falha na proposta é que o texto não prevê
critérios de distância entre o município sede e a área
emancipada. São dois quesitos considerados altamente
negativos.
A PEC 13 está sujeita a outras
lacunas como os critérios exigidos a respeito do número
de habitantes das regiões a serem emancipadas. A atual
proposta exige número mínimo de 4 mil habitantes no novo
município. O substitutivo proposto conserta as
distorções sofridas pela PEC 13 ao longo de sua
tramitação no Congresso. A primeira alteração se refere
à realização de plebiscito às populações das áreas
diretamente interessadas.
Outro mudança é com relação à
distância mínima exigida de no mínimo 10 quilômetros do
outro centro urbano. A proposta também estipula regras
sobre o número da população, número de imóveis, de
arrecadação e número de eleitores. Em suma, o
substitutivo seria mais criterioso sobre as regras para
a criação de uma nova cidade.
ASFALTO NA ÁREA CENTRAL
A empreiteira Andreta (Erechim) foi a
vencedora da concorrência pública para execução do
asfalto de 9.000 m2, ao longo da avenida principal de
Pinhal da Serra. As obras já iniciaram, para a
pavimentação de duas pistas. Com os passeios e canteiros
centrais, totalizam 20 metros de largura, por 600 de
comprimento, com toda a rede d'água e esgoto, já
implantada. Custo total da obra R$ 1.036.000,00. O preço
médio é de 1.726.666,70 para rua em pista dupla com 20
metros de largura, 14 m de pista e 6 m de canteiros e
passeios. Com base de 20 cm de brita e 5 cm de camada asfáltica é considerada de alta qualidade e resistência.
ESTADUALIZAÇÃO DA RODOVIA
Pelo PL 386/2007, o deputado
Francisco Appio está propondo a Estadualização do trecho
Pinhal da Serra/Divisa/SC e Pinhal da Serra/Esmeralda,
integrando a Rodovia RS456. O primeiro trecho já está
asfaltado. Por outro lado, na RS456 foram pavimentados
12 km na saída norte, ligação com a BR285. A obra
licitada e contratada há mais de 10 anos está
paralisada.
GERADOR DE ENERGIA
Com um notável potencial hídrico,
graças aos rios Pelotas e Bernardo José, o município de
Pinhal da Serra é sede da Usina da Barra Grande.
Instalada no lago formado pelas águas do rio Pelotas,
gera 690 MW, em pleno funcionamento. Nas águas do rio
Bernardo José estão em operação duas – PCHS – Pequenas
Centrais Hidrelétricas, uma terceira está em construção
e outras duas aguardam licença ambiental. As duas em
funcionamento têm suas casas de força em Barracão,
portanto geram ICMS para aquele município. Uma
localizada junto à foz com o rio Pelotas (PCH São
Bernardo) e outra abaixo da balsa de ligação da Serra
dos Gregórios com Barracão (PCH Esmeralda). Está em
construção a PCH Moinhos, além da previsão de mais duas,
próximas à passagem por balsa. As três terão casas de
força no território de Pinhal da Serra, gerando ICMS,
além do ISQN. As PCHS não dão direito à royaltes, ao
contrário da Barra Grande, que destina 150 mil mensais,
a este título para Pinhal da Serra, além de 550 mil em
ICMS.
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