06/12/2008 - DR. PROTÁSIO DA LUZ CONQUISTA A CÁTEDRA DE MEDICINA EM SÃO PAULO 

Uma semana depois do anúncio de sua aprovação, familiares e amigos do cardiologista Protásio Lemos da Luz, comemoram a sua mais nova conquista, pois acaba de ser reconhecido, após provas e sabatinas de rigorosa Banca Examinadora, como titular da Cátedra de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das mais respeitadas do mundo.

A notícia foi comemorada em Vacaria, Porto Alegre, Esmeralda (sua terra natal), justamente no dia do aniversário do município. Os três dias de provas e sabatinas, foram emocionantes, como relata seu irmão, o advogado Irineu Santos Lemos da Luz, em carta ao deputado Francisco Appio.

Leia abaixo a carta do Dr. Irineu Santos Lemos da Luz.


DR. PROTÁSIO LEMOS DA LUZ É INDICADO PARA CARGO DE TITULAR DE CARDIOLOGIA

Resultado foi anunciado à platéia que lotou a Congregação da FMUSP, na noite desta quinta-feira.

A agenda eletrônica marcava: 18h do dia 27 de novembro de 2008. O espaço da Sala da Congregação da Faculdade de Medicina da USP era pequeno para comportar a expectativa da platéia pelo resultado do Concurso de Professor Titular de Cardiologia da FMUSP, que teve duração de quatro dias seguidos. Era o ápice da semana que envolveu o trabalho intenso dos sete candidatos, submetidos a três provas públicas, e da Comissão Julgadora de cinco membros, presidida pelo Prof. Dr. Noedir Stof, também presidente do Conselho Diretor do Incor.

O cargo de professor titular de disciplinas de departamentos da Faculdade de Medicina da USP, como a de Cardiologia, tem importante papel na condução da assistência, do ensino e da pesquisa em suas especialidades no Complexo Hospital das Clínicas. Como membros dos conselhos diretores dos institutos, os professores titulares participam das decisões estratégicas do hospital; e como membros da Congregação da FMUSP, eles têm influência, por meio de voto, nas principais decisões sobre os assuntos da faculdade.

Por volta da 18h30, a Comissão Julgadora compôs a mesa e anunciou as notas dos candidatos. Todos os ilustres professores doutores que concorreram por ordem de inscrição: Charles Mady,  Antonio CarlosPereira Barretto, Wilson Mathias Junior, Protásio Lemos da Luz, Alfredo José Mansur, Max Grinberg e Edimar Alcides Bocchi – obtiveram notas acima de 9,0.

"Levando em consideração o alto nível de exigência do concurso e o desempenho nas provas,  todos os candidatos demonstraram profundo domínio de suas especialidades e excelência acadêmica incontestável. E isso repercute não apenas na FMUSP,  mas também nas universidades de origem dos membros da Comissão Julgadora, ou seja: Unicamp, Unifesp e FMUSP-Ribeirão Preto", diz  Prof. Dr. Stolf. O Prof. Dr. Protásio Lemos da Luz foi o que obteve as maiores notas, segundo quatro dos cinco membros da Comissão, sendo, portanto, o indicado para ocupar o cargo.  Suas notas foram: 9,71 – 9,48 – 9,68 – 9,74  - 9,71.

Dr. Protásio é Diretor da Divisão de Cardiologia do Incor, desde março de 2007, e da Unidade Clínica de Aterosclerose do hospital.  Sua produção acadêmica e científica é bastante extensa e serviu de lastro para sua entrada na Academia Brasileira de Ciência, onde é membro titular desde 1999, assim como na Academia de Ciências do Estado de São Paulo (1996) e na Academia de Medicina da Bahia (2002).

Dr. Protásio compõe o grupo dos 11 médicos considerados ícones na cardiologia brasileira do século XX, segundo opinião dos cardiologistas congregados na SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia. Além de todos esses títulos, foi agraciado pelo governo brasileiro, em 2002, com o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Veja mais detalhes da vida acadêmica e científica do novo professor titular abaixo.

De acordo com a Assistência Acadêmica da FMUSP,  a posse do novo titular ocorrerá somente depois da tramitação e da aprovação  do processo do concurso pelos diversos órgãos da USP (Consultoria Jurídica, Cert e DRH) e subseqüente publicação do ato da Reitora da USP, no Diário Oficial, nomeando o candidato indicado pela Comissão Julgadora do Concurso. QUEM É O PROF. DR. PROTÁSIO Discípulo do Prof. Luiz Venere Décourt, um dos pilares fundamentais da cardiologia brasileira e latino-americana, Dr. Protásio nasceu emVacaria, no Rio Grande do Sul e fez seus estudos básicos no Paraná, onde também se formou em medicina, em 1965, pela Universidade Federal do Paraná.

Na FMUSP, fez residência em clínica médica, especialização em cardiologia, doutorado e livre-docência. Sua carreira na USP foi intercalada por estadia nos Estados Unidos, onde ficou por cinco anos, na USC e Cedars-Sinai Medical Center (UCLA), e de onde voltou com o título de fellowship.

A produção acadêmica e científica do Dr. Protásio é bastante extensa e serviu de lastro para sua entrada na Academia Brasileira de Ciência, onde é membro titular desde 1999, assim como na Academia de Ciências do Estado de São Paulo (1996) e na Academia de Medicina da Bahia (2002).

Dr. Protásio compõe o grupo dos 11 médicos considerados ícones na cardiologia brasileira do século XX, segundo opinião dos cardiologistas congregados na SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia. Além de todos esses títulos, o diretor da Divisão de Cardiologia Clínica do Incor foi agraciado pelo governo brasileiro, em 2002, com o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Mas, talvez, uma das distinções mais caras ao doutor é o Prêmio Jabuti´2004, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, pela obra "Endotélio de Doenças Cardiovasculares", que tem como co-autores Dr. Protásio Lemos da Luz, Francisco Rafael Martins Laurindo e Antonio Carlos Palandri Chagas. LINHAS DE PESQUISA

No início de 1970, fez dois anos de terapia intensiva. Investigou determinantes prognósticos em choque cardiogênico, volume plasmático, edema agudo de pulmão, pressão coloidosmótica do plasma em choque e edema agudo. Publicou vários artigos relacionados e um livro junto com Prof. Max Harry Weil. Trabalhando com HJC Swan, William Parmley. W. Ganz e J. Forrester , durante três anos, participou ativamente dos estudos que levaram à caracterização funcional e metabólica do miocárdio isquêmico. É um dos autores do primeiro trabalho que identificou o miocárdio hibernado, que tanta relevância clínica tem atualmente por ter despertado o conceito de viabilidade miocárdica, no qual se baseiam indicações de revascularização cirúrgica em doença coronária. Na ocasião publicou vários artigos sobre drogas e procedimentos que ajudam na recuperação da função cardíaca pós-infarto. Ao voltar ao Brasil, em 1976, iniciou, junto com o Prof. Egas Armelin, as atividades da recém-criada Divisão de Experimentação do Incor. Trouxe os modelos de investigação em isquemia miocárdica, prosseguindo os estudos sobre preservação do miocárdio isquêmico pós-infarto e caracterizando a função do miocárdio normal e infartado durante oclusão coronária. Vários trabalhos foram também publicados na literatura internacional e nacional. Uma extensão natural dessas linhas de pesquisa foram os estudos sobre aterosclerose, reatividade vascular e endotélio, iniciados em modelos experimentais. Posteriormente, iniciou estudos clínicos que culminaram na criação da Unidade Clínica de Aterosclerose do Incor, que hoje integra pesquisas animais, de laboratório e investigações em seres humanos. Esse trabalhou demandou a criação e adaptação de modelos experimentais em coelhos, bancadas, culturas de células, criação de laboratórios especiais, como o de Endotélio e Biologia Vascular, hoje emfuncionamento, instalação de técnicas para estudos humanos - como a ultra-sonografia de artérias periféricas. Para tanto, mantém colaboração constante com outros laboratórios de investigação da USP, incluindo Anatomia Patológica, Hematologia, Bioquímica e Farmacologia. Essas investigações representam a linha mestra de pesquisa da Unidade Clínica de Aterosclerose no momento e tem rendido considerável numero de publicações nacionais e internacionais sobre estado redox, resposta vascular à lesão e fisiopatologia da aterosclerose, envolvendo o endotélio, lípides, moléculas de adesão leucocitárias e reatividade vascular. Exemplos desses estudos são pesquisas sobre a participação do endotélio nas doenças cardiovasculares e a ação protetora do vinho tinto sobre a formação de placas ateroscleróticas em coelhos.

Estudos com vinho e suco de uva em seres humanos demonstraram a ação protetora do vinho tinto sobre o sistema cardiovascular. As pesquisas tiveram grande repercussão na imprensa especializada e leiga. Estão também em curso estudos humanos sobre fatores de risco não convencionais, como homocisteína e baixo níveis de HDL plasmático. São de especial interesse suas pesquisas atuais sobre detecção precoce, não invasiva da aterosclerose. Os projetos têm financiamento de agencias governamentais, tais como Fapesp, Finep,  CNPq e Fundação Zerbini O conjunto dos trabalho desenvolvidos pelo Dr. Protásio e sua equipe levou à publicação de mais de 328 artigos científicos em livros e revistas nacionais e internacionais. Os trabalhos publicados pelo autor foram citados em mais de 2624 publicações de outros autores. Publicou ainda os livros "Nem só de Ciência se Faz a Cura" e "Endotélio e Doenças Cardiovasculares", este último vencedor do Prêmio Jabuti de 2004, da Câmara Brasileira do Livro.


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