Não há
nenhum outro projeto importante para ser votado
neste mês de dezembro, exceto o PL 279 que
prorroga até 2028 os contratos de pedágios no Rio
Grande do Sul. O Orçamento já foi votado em
plenário, assegurando recursos para determinadas
regiões, via emendas de deputados, acolhidas nas
emendas da Comissão de Finanças. O projeto dos
pedágios, também chamado Duplica RS, foi
protocolado dia 10/11/2008, com requerimento de
Regime de Urgência, que impede seu exame pela
Comissão de Constituição e Justiça e pelas
comissões de mérito, devendo entrar em votação à
partir do 30º dia, isto é, 11 de dezembro. Já está
definido o Acordo de Líderes para a votação na
sessão de terça-feira (16/12).
No
debate do programa Gaúcha Repórter (Lasier
Martins) de quinta-feira 4, o deputado Francisco
Appio, coordenador da Frente Parlamentar Contra a
Prorrogação dos Contratos de Pedágios, pediu, em
nome dos deputados, mais tempo para o exame e
debate do projeto. O secretário da
Infra-estrutura, Daniel Andrade, rejeitou a
proposta, dizendo que o tema vem sendo debatido há
muito tempo.
"O tema sim, mas o projeto não, teremos
menos de 10 dias para decidirmos por 20 anos",
retrucou o parlamentar ao tomar conhecimento de
dois novos fatos:
1) O Parecer da Procuradoria Geral do
Estado foi concluído em 28 de outubro, 13 dias
antes do ingresso do projeto na ALRS. E seu teor
não é conhecido do Parlamento, da Imprensa e da
sociedade em geral.
2) O Estudo da Fundação Getúlio Vargas,
contratado pelo Governo no ano passado, foi
entregue ao Secretário dia 15/10/2008, isto é, 26
dias antes do protocolo do projeto e seu teor
também é desconhecido.
3) O deputado Alberto Oliveira, ex-
secretário da Casa Civil do governo Germano
Rigotto, levantou algumas inconstitucionalidades
do projeto 279, entre as quais a falta de anuência
prévia do Ministério dos Transportes e da Agência
Reguladora – AGERGS - e ausência de licitação,
fatos comprovados. E as leis de cada Pólo fixaram
prazo até 2013, sem prorrogação.
4) Os pedágios para caminhões serão
elevados em 60% à partir de 2010. Metade dos
usuários das rodovias concedidas são caminhoneiros
e 50% destes trafegam vazios no Estado, pois não
há frete de retorno. São obrigados a pagar eixo
suspenso, mesmo com caminhões vazios, aumentando a
carga tributária do setor.
5) Estão listados nos novos investimentos
compromissos que as concessionárias já assumiram
nos contratos atuais e que deverão ser executados
até 2013. Além disso, muitas obras apresentam
valores superestimados, acima dos preços de
mercado. O projeto 279 assegura a duplicação de
apenas 9% das rodovias concedidas à iniciativa
privada, nos próximos 20 anos, engessando as
próximas administrações estaduais e federais. Mais
da metade das rodovias são da União, delegadas ao
Estado por 15 anos.
6) A Audiência Pública proposta pelo líder
do Governo não será realizada e o Projeto irá à
votação, sem debate dos parlamentares e da
sociedade, sem exame da Comissão de Constituição e
Justiça, rompendo a boa tradição política do
Parlamento rio-grandense.