19.12.2007 - MÉRITO FARROUPILHA PARA JOSÉ CAMARGO

JOSÉ CAMARGO foi agraciado com a Medalha do Mérito Farroupilha, a mais alta condecoração do Parlamento Riograndense. A cerimônia no dia 18 presidida pelo deputado Frederico Antunes, foi prestigiada por parlamentares, secretários de estado e convidados, familiares e colegas do Complexo Santa Casa, onde atua há quarenta anos.

ZELI CAMARGO exibiu com orgulho as qualidades de José e lembrou que aquela homenagem era um bálsamo em seu coração, ferido com o recente falecimento do marido Deoclécio Camargo, com o qual conviveu por mais de 60 anos criando seus filhos José, Homero, Maria Helena e Décio.

FRANCISCO APPIO foi o autor da proposição aprovada pela Assembléia Legislativa, abrindo as comemorações dos 243 anos da Colonização Açoriana de Vacaria e Região. José de Jesus Peixoto Camargo é descendente pelo lado materno, compondo a oitava geração iniciada pelo Pioneiro José Antonio Borges Vieira.

CAMARGO com a esposa Marília, filhos Fábio e Camila, nora Verla Rizzon, neto João Pedro, sobrinho Spencer, irmão Décio e a mãe Zeli, o médico cirurgião, famoso por mais de 270 transplantes de pulmão, fez brilhante discurso. Sua manifestação foi considerada uma peça literária de raro valor que será publicada em breve.

BIOGRAFIA de José Camargo resgata a vida profissional do homenageado. Logo após as fotos do evento de 18/12/2007 na Assembléia Legislativa, conheça mais sobre o cidadão e profissional homenageado.

Veja abaixo as fotos da entrega da Comenda ao Dr. José Camargo e a seguir a biografia do homenageado


Dr. José Camargo acompanhado de seu neto recebe a Medalha de Mérito Farroupilha


Sr. Protássio Boeno, Deputado Francisco Appio, Dona Alfa Mariano da Rocha Luz e Helena Leonardelli Appio


Dr. José Camargo e o Deputado Francisco Appio


Deputado Francisco Appio discursa em homenagem ao ilustre Cidadão Vacariano.


Dr. José Camargo recebe das mãos do Presidente Frederico Antunes a Medalha do Mérito Farroupilha


Em brilhante discurso Dr. Camargo relata sua carreira e emociona os convidados.


O presidente Frederico Antunes discursa em homenagem ao Dr. José Camargo


 Leia a seguir a brilhante biografia do homenageado.

 

José Camargo, segundo filho de Deoclécio Camargo e Zeli Peixoto Camargo, nasceu em Vacaria no dia 06 de agosto de 1946 faz parte da oitava geração dos pioneiros de Vacaria. É descendente pelo lado materno do patriarca Antonio Borges Vieira, Pioneiro da colonização Açoriana nos Campos de Cima da Serra, seu sexto avô.

Filho de fazendeiros, viveu na liberdade dos campos até os 9 anos quando mudou para Vacaria e ingressou no quarto ano primário do Colégio São Francisco. Iniciou uma imbatível seqüência de primeiros lugares, resultando a cada final de ano, numa invejável coleção de medalhas. Desde cedo decidiu que seria médico, inspirado pelo Dr. Cássio (Vieira da Costa), o médico da família que serviu de modelo aos seus projetos.

Depois de completar o ginásio em Vacaria, iniciou o curso científico do Colégio Rosário (Porto Alegre). Aprovado no primeiro vestibular da UFRGS e na Católica, optou pela UFRGS, onde colou grau em dezembro de 1970. Durante a faculdade decidiu que seria cirurgião e transformou-se em um rato de enfermaria, auxiliando a todos os cirurgiões que lhe dessem a oportunidade.

Na madrugada de outubro de 1968, como estagiário no Pronto Socorro, auxiliou uma toracotomia de urgência e ficou embevecido pela elegância anatômica do tórax. No dia seguinte foi ao Pavilhão Pereira Filho, inscreveu-se no internato e passou a conviver com o brilho técnico de Ivan Faria Correa, que viria a ser seu pai cirúrgico. Foram meses de simples observação dos tempos cirúrgicos, até uma tarde quando foi convocado inesperadamente para suprir a falta de um dos residentes adoentado. Entrou em campo para nunca mais sair e iniciou uma relação de afeto mútuo, onde representou claramente o filho que o mestre Ivan não tivera.

Terminada a residência, foi convidado a fazer parte do Serviço e recebeu o apoio incondicional de José Moreira, seu amigo de primeira hora, a ajuda científica e pessoal de Nelson Porto, seu mestre querido, e o respaldo profissional de Bruno Palombini, João Batista Pereira, Artur Burlamaque, Carlos Wallau, Geraldo Geyer, João Carlos Prolla e José Antonio Figueiredo Pinto, num mutirão de ajuda fraterna, eles todos sustentáculos inigualáveis, especialmente a partir de 1977, quando a morte prematura de Ivan faria Correa o colocou extemporaneamente  na condição de chefe de cirurgia.

Foram anos difíceis de conquista profissional em um serviço em que a pneumologia já era referência nacional e a cirurgia torácica ainda carecia de afirmação. A expansão do serviço exigia a ampliação dos horizontes e o interesse sempre presente por transplante o conduziu a pesquisa, tendo realizado mais de 60 transplantes e reimplantes pulmonares em cães no Laboratório do Instituto de Cardiologia. Este trabalho apresentado no Congresso Panamericano do Rio em 1979 suscitou o interesse de médicos americanos que o convidaram a dar seqüência na pesquisa na Clínica Mayo, onde trabalhavam. A passagem pela Clínica Mayo na condição de fellow da cirurgia torácica, onde aos sábados trabalhava no fantástico laboratório de cirurgia experimental, representou um grande salto na sua carreira profissional e abriu muitas portas no seu retorno. O convívio com Spencer Payne, um dos mais renomados cirurgiões americanos do século XX, foi certamente uma dádiva na  sua formação profissional.

Voltando ao Brasil, retomou energicamente o projeto de transplante pulmonar e para isso contou com o apoio incondicional de João Polanczyk, na época diretor da Santa Casa. O projeto, considerado por muitos como  mirabolante, envolvia um grande esforço de qualificação institucional, a começar para criação de uma CTI qualificada, que finalmente foi instalada em janeiro de 1989. Em maio daquele ano, foi realizado no Pavilhão Pereira Filho o primeiro transplante de pulmão na América Latina, com grande repercussão na mídia médica e leiga. O programa, iniciado com sucesso, seguiu deixando marcas de pioneirismo, com o primeiro transplante duplo de pulmões da América Latina em 1993 e, finalmente,  em 1999, com a do primeiro transplante de pulmão com doadores vivos, realizado fora dos EUA.

Na virada do milênio, José Camargo embalava a idéia da criação de um Centro de Transplantes de Órgãos na Santa Casa, na época o único hospital sul-americano a realizar todos os tipos de transplante. A proposta, encampada com entusiasmo pela Direção da Santa Casa, resultou na inauguração em dezembro de 2001 do Hospital Dom Vicente Scherer, primeiro centro sul-americano especializado em transplante de órgãos e tecidos, onde tem sido realizados cerca de 500 transplantes de órgãos por ano. O programa de transplante pulmonar, com mais de 260 transplantados, segue como referência continental, sendo responsável por mais da metade dos transplantes de pulmão, feitos na América do Sul até outubro de 2006.

Com forte liderança entre os colegas da especialidade, foi fundador e primeiro presidente, eleito e reeleito, da Associación Sudamericana de Cirugia Torácica, Presidente por dois mandatos do Departamento de Cirurgia Torácica da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, e atualmente exerce, em segundo mandato, a condição de Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica. É membro de cinco sociedades internacionais e durante 4 anos foi Governador do American College of Chest Physicians.

Alvo de inúmeras distinções e homenagens, recebeu o título de Cidadão Emérito de Vacaria, Cidadão Honorário de Porto Alegre e Homem de Ouro do Rio Grande do Sul.

Recebeu o Diploma Alfred Jurzikowsky, de destaque da medicina brasileira da Academia Nacional de Medicina em 1993 e o diploma de Melhores do Mercosul em 1995. É titular do Conselho Regional de Medicina (2002) e membro da Academia Sul-Riograndense de Medicina desde 1993. Tem mais de 150 publicações em revistas nacionais e internacionais e cerca de 40 capítulos em livros nacionais e internacionais. Tem dois livros publicados na especialidade.

Com especial interesse pelo ensino, concorreu à condição de professor pela FFFCMPA, onde leciona desde 1974, e ocupa atualmente a condição de professor responsável pela Disciplina de Cirurgia Torácica daquela faculdade. Foi 3 vezes professor homenageado e 4 vezes paraninfo das turmas médicas. Coordenador da residência médica de cirurgia torácica da Santa Casa de Porto Alegre, uma das mais disputadas do País, já diplomou mais de 70 cirurgiões torácicos, espalhados por 16 estados brasileiros.

Apaixonado pelas letras, é um leitor inveterado, com dezenas de crônicas publicadas na mídia leiga nos últimos anos. Fanático torcedor do Grêmio Futebol Porto Alegrense, é membro do Conselho Deliberativo desde 1994, e atualmente integra a Comissão de Ética do Clube.