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Discursos inflamados na defesa da prorrogação dos
pedágios, apontam que esta é a única salvação da lavoura
gaúcha.
Casado com o DUPLICA / RS, projeto
ainda em gestação, apesar de cantado em verso e prosa
por quase seis meses, coincidentemente o mesmo prazo de
uma CPI, o discurso alerta para o APAGÃO no campo e na
lavoura, se o projeto do governo não for implementado.
Tem razão os que pensam assim, razão em parte. É verdade
que precisamos de estradas bem conservadas, até
duplicadas, mas mais do que isso de novas estradas,
como acessos aos municípios produtores.
Esta é uma das diferenças entre a
Metade Sul e a Metade Norte. Nesta, existem centenas de
pequenos e médios municípios, da região celeiro,
planalto, campos de cima da serra e a serra gaúcha,
norte, noroeste e nordeste do estado, onde o
Agronegócios está consolidado, quebrando recordes de
produção/produtividade, seja na agricultura familiar ou
em grande escala. É na metade norte, que proliferam os
pedágios, a região mais produtora é a mais penalizada,
concentrando grande parte das estradas concedidas e o
maior número de praças de pedágios.
Um caminhão bi-trem, 7 eixos, com
soja ou milho embarcado em Lagoa Vermelha com destino ao
porto de Rio Grande, contrata o frete por R$ 2.000,00 ,
paga em dezenove praças de pedágio, com um custo de R$
497,80 de tarifas, mais R$ 220,00 de comissão ao
motorista e ainda R$ 1.000,00 de combustível, sobrando
portanto ao transportador R$ 282,20 o que inviabiliza o
transporte para o porto de Rio Grande. Esta é a
principal razão direcionamento das cargas para o porto
de Itajaí em Santa Catarina.
Alguém paga este pedágio, ele não cai
do céu. A propósito, o vale-pedágio estabeleceu em Lei,
a obrigatoriedade do embarcador (dono da carga), de
fornecer e pagar o vale-pedágio. Caminhoneiro não pode
pagar em dinheiro, muito menos em cheque e esta
burocracia tem gerado atrasos, custos e multas, conforme
denúncia o presidente da COTRAIBI – Cooperativa dos
Transportadores Autônomos de Ibiraiaras Sr. Felix
Modanese.
A maçã sai dos pomares e na maioria
das vezes, paga em 19 praças de pedágios até o Porto de
Rio Grande. Os mais de quatro mil containers estão sendo
desviados para os portos de Santa Catarina.
Para evitar que o porto de Rio Grande
seja esvaziado, pois as cargas estão sendo direcionadas
para os portos catarinenses, chegou a hora de pensarmos
na formação de um FUNDO de compensação para os no campo
e na lavoura.
Quanto aos pedágios, que seus
contratos sejam cumpridos.
Que AGERGS e DAER fiscalizem
contratos e cuidem da modicidade das tarifas.
Que a Assembléia promova debates para
o Modelo de Concessões após 2.013 pela Comissão de
Serviços Públicos e discuta os problemas dos Pólos e da
Agência Reguladora.
Que a CPI investigue o que deve ser
investigado.
Que a Comissão do Especial presidida
pelo deputado Alexandre Postal, continue busca de
recursos do BID I.
Que a Comissão externa, criada ontem
15/05/07, cumpra seu objetivo e nos apresente em 30
dias, seu relatório.
Que o governo encontre alternativas
menos traumáticas do que prorrogar contratos que estão
sob júdice. Contratos de um Modelo, que nos deu um
cansaço e nos levou à exaustão, pelos altos preços das
tarifas pagas pelos usuários freqüentes, com
aprisionamento dos moradores das cidades sedes, falta de
fiscalização e controle pelo poder concedente e a falta
de transparência na receita/despesa de conservação do
patrimônio público, que gerou a expressão “ caixa preta
dos pedágios”.
Convém
lembrar mais uma vez, as estradas foram concedidas, não
vendidas e o poder concedente tem o DEVER de fiscalizar
contratos, preservar a modicidade das tarifas e o
equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias e
usuários.
Discurso
do Deputado Estadual - Francisco Appio
Assembléia Legislativa do RGS - 16/05/2007 |