12.12.2007 - ASSEMBLÉIA APROVA A CONVOCAÇÃO DA AGERGS

Por unanimidade a Comissão de Serviços Públicos aprovou esta manhã a convocação do Presidente da Agência Reguladora de Serviços Concedidos, para explicar a EXONERAÇÂO da Diretora de Qualidade Denise Zaions, logo após seu depoimento à CPI dos Pedágios. A servidora denunciou o não cumprimento dos contratos, pelas concessionárias em 2005. A presidência da AGERGS não atendeu ao convite formulado em 1º de novembro, por esta razão apresentamos a convocação. Pelo artigo 259 do Regimento Interno, o ofício de convocação irá ao Poder Executivo, em 48 horas, e este designará a presença do Sr. Alcides Saldanha, em no máximo 5 dias úteis. Ao justificar o requerimento o autor, deputado Francisco Appio, destacou que fez da tribuna da Assembléia a sustentação do pedido na tarde de 12/12/2007.

Leia a seguir o discurso do Deputado Francisco Appio do Plenário da Assembléia Legislativa


111ª Sessão Ordinária, em 12 de Dezembro de 2007

Tem este Parlamento a atribuição constitucional de fiscalizar não apenas o governo, mas os serviços públicos e os serviços concedidos.

Nessa tarefa, estamos enfrentando uma grande dificuldade com a agência reguladora, criada pelo Parlamento há 10 anos.

Convidamos o ex-ministro e atual presidente do conselho, Sr. Alcides Saldanha, a prestar esclarecimentos na Comissão de Serviços Públicos, mas S. Exa. não atendeu ao convite. Em que pese tenha sido, em outras oportunidades, tão gentil, educado e respeitoso com esta Casa, demonstrando respeito, uma vez que foi parlamentar, e contribuindo grandemente com a CPI, através dos esclarecimentos que fomos buscar na agência reguladora.

Entretanto, diante do episódio da exoneração da diretora de qualidade, a Agergs agiu de um modo que contraria a vocação política deste Estado ao negar informações e não prestar esclarecimentos.

É verdade que o governo também tem-se portado da mesma maneira, uma vez que não trouxe as informações que vários parlamentares, individualmente, apresentaram.

Isso é ruim para a construção da sociedade transparente que desejamos e para os mecanismos eficientes de que dispomos para fiscalizar os serviços concedidos no Rio Grande do Sul.

A Agergs deveria ser para esta Casa uma das suas maiores conquistas, porque surgiu a partir do processo de privatização e de concessão como salvaguarda dos interesses dos usuários.

Precisamos lutar e defender, de forma intransigente, para que seja ela uma instituição de Estado e não de governo. Não pode o governo ver a Agergs como se fosse um instrumento da sua política administrativa.

A Agergs é muito mais do que isso, é um ente de Estado, com essa atribuição, com essa construção.

Por isso votaremos amanhã, na Comissão de Serviços Públicos – e esperamos que os deputados integrantes da comissão sejam sensíveis à urgência da matéria –, requerimento para que, depois de reiteradamente convidado, possa o presidente da Agergs ser convocado. E aí há uma tramitação à qual o governo terá que se render, porque se há algo que o governo carrega sempre consigo – assim como todos nós – é a Constituição do Estado.

Até agora, ouvimos apenas uma das partes envolvidas na questão. Ouvimos somente a parte da servidora, e ficamos estarrecidos com o seu depoimento e com as suas informações. Ela está sendo exonerada por ter, aqui, prestado depoimento sob juramento de falar a verdade. Ela cumpriu com uma obrigação de cidadã, não poderia ser – e não o é – servidora do Estado, já que cumpriu uma função para a qual foi selecionada por concurso e que a obriga, como a obrigou na CPI, a dizer a verdade.

Se este Estado passar a cassar as pessoas que dizem a verdade, passar a puni-las e a exonerar servidores que cumprem com a sua obrigação tendo em conta o interesse público, não sabemos onde tudo isso acabará. A começar aqui pelo Parlamento, pelo Executivo, pelo Poder Judiciário, pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público, onde, daqui há pouco, poderá ser apagado o interesse público.