07.12.2007 -  PL 59/2007 CAUSA POLÊMICA

O Projeto de Lei nº. 59/2007, aprovado pela Assembléia Legislativa por 34 votos a 7, está causando polêmica. “Reconheço, não é um projeto de tramitação tranqüila”, diz o autor da proposta, deputado Francisco Appio. O projeto ficou publicado por vários meses, passou pela Comissão de Constituição e Justiça, que reconheceu que o deputado autor tem competência para legislar nesta matéria. Amparado no artigo 24 da Constituição, que trata dos danos ao consumidor, a responsabilidade do consumo é da Assembléia, portanto competência concorrência. Trata-se da proibição do bloqueio do identificador de chamada do telefone. Segundo o deputado, hoje é muito comum que apareça na tela do telefone as expressões privado, desconhecido, não identificado. Isso ocorre quando o proprietário telefone - não do usuário – vai à operadora e pede um comando para bloquear que seu número seja divulgado. “Isto tem favorecido pessoas que querem proteger-se, manter-se no anonimato, que querem manter-se no campo privado e não querem divulgar seus telefones, mas tem favorecido muito mais a bandidagem”, afirma Appio. Como sempre acontece nos avanços tecnológicos, a banda podre da comunidade, que é a bandidagem, se aproveita rapidamente desses benefícios e a sociedade que não está organizada demora para se adaptar, foi assim na introdução do celular. “No ano 2000 na CPI do Crime Organizado nós tivemos que legislar para obrigar o cadastramento dos telefones – eles não eram cadastrados – as pessoas compravam telefones como quem compra um refrigerante”, declara Appio. Hoje é obrigado o cadastramento pela Lei 11.888, do deputado Francisco Appio. Segundo ele, não se trata de criar dificuldades para as pessoas de bem, e até pode criar, trata-se de criar dificuldades para as pessoas que agem clandestinamente. Quem tem motivos para esconder seu telefone? Você não tem certeza quando te ligam se é a pessoa que está se identificando como tal. Nas questões de seqüestros relâmpagos, chantagens, extorsões, telefonemas dentro dos presídios comandando assaltos é usual da bandidagem ter esse telefone com comando privado, desconhecido, de modo que quem recebe a ligação não sabe quem está ligando. Ao aprovarmos o Projeto de Lei, representamos o interesse da comunidade na área da segurança. Algumas pessoas podem até terem sido atingidas nos seus direitos, mas o meu direito de privacidade vai até o limite do teu direito de saber quem está ligando. Por danos ao consumidor, o projeto foi aprovado, está na mesa da governadora que tem 15 dias úteis para sancionar ou para vetar.

Vamos defender esta proposição, não como uma lei para complicar a vida das pessoas de bem, de bons costumes, mas uma lei para criar dificuldades para a bandidagem. Pensem nisso e certamente darão razão a nossa proposição.