Resumo das notícias do S.0.S. Caminhoneiro – 11.08.06
O setor de transporte rodoviário de cargas está preocupado com o
registro do menor volume de cargas atualmente transportado no país.
As vendas de caminhões caiu 11% de janeiro a julho. As vendas de
carretas também tiveram uma retração calculada em 5% e as praças de
pedágios, pela primeira vez registram queda na passagem de caminhões.
A frota de cerca de 5 mil bitrens que trafegam nos mercados de Mato
Grosso e do Paraná, apenas 50% está atuando. "Com a quebra da safra
agrícola e a redução das exportações do setor industrial por conta do
câmbio desfavorável, há um excesso de oferta de carretas no mercado, o
que puxa os preços do frete para baixo", diz um dirigente da empresa
Falcão, de Londrina, que tem uma frota de 150 caminhões.
Para o presidente da Federação dos Caminhoneiros, do Rio Grande do Sul e
Santa Catarina, Eder Dal´Lago, o baixo crescimento econômico do País, a
crise da agricultura e o excesso de caminhões nas estradas é responsável
pela defasagem de 40% a 50% no valor do frete. "Como tem muito caminhão
na estrada, vigora a lei da oferta e da procura. Se eu não levo por este
preço, há outros sete ou oito caminhoneiros para levar", diz Dal´Lago,
dirigente sindical que responde por mais de 90% do transporte de soja no
estado gaúcho.
As composições bitrens e os rodotrens, segundo ele, são os novos vilões
da categoria. "Um rodotrem que leva 70 toneladas faz o trabalho de
quatro caminhões de 15 toneladas. Algumas empresas que concentram sua
atuação em cargas do agronegócio já começam a ter problemas para honrar
seus financiamentos para frota de veículos. Dal`Lago, da Fecam, diz que
a inadimplência também afeta os caminhoneiros. "Para uma viagem de mil
quilômetros levando 15 toneladas, por exemplo, o valor certo seria R$ 2
mil brutos. Mas estão pagando até R$ 1,2 mil". O resultado, admite ele,
é a dificuldade de muitos em honrar o financiamento da compra do
caminhão.
"O aumento do diesel e dos salários também tiveram correção, o que
impactou em pelo menos 10% os custos. Nenhuma empresa está conseguindo
repassar esse percentual", acrescenta Fernando Klein Nunes, presidente
do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, que reúne
210 associadas.
Rui Cichella, dono da Tic Transportador, que movimenta cargas do setor
petroquímico, conta que a queda do frete agrícola contaminou outros
segmentos. "Não conseguimos negociar aumentos", afirma. No norte do
Paraná, o valor do quilômetro rodado para carga industrial está cotado
entre R$ 1,80 e R$ 2, quando no mínimo deveria ser de 2,80.
A concorrência com a ferrovia também começa a ter impacto no setor. No
porto de Paranaguá, cerca de 30% das cargas já chegam ao terminal por
trens. O transporte ferroviário, diz Dalazen, da Cotrijal, está
oferecendo menores tarifas que o caminhão.
Não só as estradas esburacadas e o mau tempo são responsáveis por
acidentes nas rodovias brasileiras. A maioria dos casos envolvendo
veículos de carga é provocada por falta de atenção do motorista, excesso
de velocidade, ultrapassagens proibidas e sono.
Um estudo inédito da Universidade Federal do Rio de Janeiro acaba de
revelar que a falha humana (66%) provoca mais acidentes do que a
imprudência.
Todo o ano, cerca de 35 mil pessoas morres nas estradas do País.
Os estudos feitos pela UF-Rio, serão apresentados no 12º. Fórum Nacional
de Logística, entre os dias 14 e 16 no Rio de Janeiro.
O levantamento compara as estatísticas nacionais com outros países e,
mais uma vez, o Brasil aparece no topo do ranking mundial de mortes em
estradas.
Enquanto nos Estados Unidos morrem 6, 65 pessoas a cada mil quilômetros
de rodovias, aqui o número é quase nove vezes maior: 65,75.
Nos Estados Unidos existem 6 milhões e 400 mil quilômetros de estradas,
enquanto no Brasil há apenas 1 milhão e 700 mil quilômetros.
Francisco
Appio - Deputado Federal - PP/RS
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