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 15/06/2006 CTG DE BOM JESUS, FOLHA DO NORDESTE E HEPATITES SÃO TEMAS DE DISCURSO.

  O deputado Francisco Appio (PP/RS) registrou, hoje (14) pela manhã, da tribuna da Câmara, o aniversário do CTG Presília do Rio Grande, da cidade gaúcha de Bom Jesus. Externou cumprimentos ao patrão da entidade tradicionalista, Adroaldo Lima Almeida. Neste sábado, o Centro de Tradições realizará um grande baile de comemoração do cinqüentenário. O famoso conjunto ‘Os Serranos’ animará a festa.
Appio também registrou os 15 anos do jornal Folha do Nordeste, de Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, sua terra natal. O veículo, dirigido pelos jornalistas Aldoir Nepomuceno e Marcos Nepomuceno tem prestado, conforme o deputado, relevantes serviços na área da comunicação. Nesta Quarta-feira, o jornal será homenageado pela Universidade de Passo Fundo e pelo Clube dos Diretores Lojistas, com um jantar na Sociedade Esportiva e Recreativa Lagoense.
Para finalizar, o parlamentar fez um alerta da tribuna, sobre a necessidade urgente de tratamentos e detecções dos mais de seis milhões de infectados pelas hepatites B e C. Leia abaixo o pronunciamento na íntegra:

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Brasília, 14 de junho de 2006

Excelentíssimo Presidente, senhoras e senhores deputados,


Venho a essa tribuna para alertar a população e autoridades para a urgência de enfrentarmos a detecção e tratamento dos mais de seis milhões de infectados com as hepatites B e C. Essa é a única forma de evitar a cirrose, o câncer e a morte de até um milhão de brasileiros na próxima década.

Nos últimos anos, a falta de iniciativas fez com que somente sete mil e quinhentos infectados recebessem tratamento no ano passado, representando assim 0,1% dos doentes. Um simples cálculo chegará a conclusão que necessitaremos quase mil anos para oferecer tratamento aos já infectados.

Há uma semana atrás, aqui em Brasília, 44 associações e grupos de apoio que defendem os portadores de hepatites virais e transplantados hepáticos reuniram-se e decidiram em conjunto reiterar ao Ministério da Saúde a adoção de várias propostas e sugestões efetuadas em anos anteriores. Essa luta é de 2002. O encontro editou a carta de Brasília, que pede maiores esforços no atendimento dessas reivindicações.

Sobre esse assunto, gostaria de ressaltar as considerações do biólogo Flávio Freitas de Oliveira, presidente da ONG HEPATOCHÊ, do Rio Grande do Sul:

“A luta das hepatites virais não avança, em primeiro lugar porque á hepatite C é uma doença silenciosa. Não há nenhum sintoma. Ela é sintomática, portanto, dificilmente o portador dessa doença sabe que a detém. O que seria necessário ser feito para avançar em relação a hepatite C. A detecção é um fator importante, mas para que haja detecção é preciso que haja informação e é o que está deixando de acontecer.

As pessoas não têm informação sobre a doença, não procuram o seu médico ou posto de saúde para fazer essa detecção e se procuram os nossos médicos não têm um preparo condizente, pois há uma carência muito grande, principalmente no interior dos estados do Brasil de infectrologistas e hepatologistas, que seriam os médicos que tratariam dessa doença.

Se chegarem até a detecção e se estiverem bem encaminhados os exames para a busca da medicação, são difíceis; são de longas filas de espera que leva com que muitos portadores ou desistam, ou não consigam o seu tratamento num tempo hábil da negativação do vírus, permanecendo dessa forma com uma hepatopatia grave, ou com uma cirrose já instalada. Isso é o que poderia dizer com referência a grande dificuldade do avanço da luta pelas hepatites.

A reunião que realizamos em Brasília foi bastante produtiva – sempre é produtiva quando a gente consegue fazer uma discussão sobre as aflições dos portadores da patologia hepatite C, os grupos se reuniram, revisaram todas as cartas de solicitação ao Ministério, de procedimentos quanto a essas dificuldades do avanço do tratamento das hepatites.

Nesse momento nós tivemos um grupo, principalmente, o Grupo do Sul do País, do Rio Grande do Sul, um movimento de apoio do Plano Nacional de Hepatites Virais, em relação as atividades que ele vem desenvolvendo. Esse é um fato bastante importante. Outro aspecto que surgiu, foi a questão da centralização da compra da medicação pelo Ministério.

Também gostaria de lembrar que somos contra a centralização da compra de medicamentos para os afetados pela hepatite B e a C. Não é só eu, como presidente da Hepatochê do Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais existem um número bastante significativo de organizações da sociedade civil que são, não bem contra, mas acho prudente que se estude mais essa situação da centralização da compra da medicação pelo Ministério.

Nós temos uma experiência que não está bem esclarecida da federalização da compra dos medicamentos para HIV (AIDS), dos antroretrovirais, dos imus-supressores, e não está bem claro o processo de compra dessa medicação. Estamos sentindo que nós nos encaminhando para a compra da medicação Interferon pela União, pelo mesmo caminho, de uma não clareza, de uma perda, controle dos tratamentos e, logicamente, tudo o que for centralizado, não é o melhor caminho, até porque o Sistema Único de Saúde ele é descentralizado, e nós estaríamos nesse momento um retrocesso em toda a participação da sociedade civil nas questões de saúde, porque as relações de saúde do povo hoje são relações feitas pelos Conselhos Municipal, Estadual e Nacional de Saúde.

Se nós decidirmos, em nível de Conselho Municipal, temos essa competência de decidir quanto as questões da saúde não tem sentido que o Ministério compre por uma decisão que está no município. Entendo que neste momento como muitos outros grupos de apoio aos portadores de hepatite que seria um retrocesso. Teria que ser melhor pensado isso.

Defendo que a compra seja efetivada dentro da relação de centralização, porque a compra de medicamentos tem os chamados estratégicos que é feito pela União, os especiais que são feitos pelos estados e eu acho que os básicos que são feitos pelo município. Isso está funcionando legal. Isso não é problema. Então que se permanecesse nesse sistema até se descobrir algo melhor. Centralizar nunca foi uma boa opção, nos nossos sentimentos.

Estive aqui na Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul e é o mesmo sentimento que nós vemos por parte dos funcionários, enfim, dos gestores aqui do Rio Grande do Sul, eu sinto, assim, que uma forte tendência uma não centralização, porque os pregões e compra dessa medicação estão sendo muito bem feitos, se bem cotado pelos Estados. Não haveria, portanto, necessidade do Ministério fazer este pregão. É o nosso sentimento hoje.

Outrossim, contamos hoje com a Frente Parlamentar que é fundamental que ela participe e nos ouça diretamente, porque nós também fizemos um manifesto dizendo que não há nenhum representante hoje em nome das ONGs para falar desse assunto. Estamos solicitando uma consulta, sempre que possível pela Frente Parlamentar, diretamente às OGNs com referência a isso que tenha um fim e fórum de debate, saudáveis, tranqüilos e democráticos.”

Portanto senhor presidente, essas eram as nossas considerações e preocupações a respeito das Hepatites, uma doença tão grave que atinge milhões de pessoas.

Muito obrigado.